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Capacidade ociosa local vira oportunidade para fornecedores chineses da GWM

Autopeças subsidiárias da montadora na China estudam parcerias com empresas já instaladas no país
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Bruno de Oliveira

11 jun 2025

4 minutos de leitura

Às portas da inauguração da sua fábrica, em evento que deverá ocorrer no final de julho em Iracemápolis (SP), a GWM parece ainda aguardar alguns sinais do mercado para, de fato, iniciar a produção na unidade.

Mas, antes de tratar desse assunto, algumas atualizações. Segundo Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da empresa, em termos estruturais ainda falta instalar os equipamentos na linha de montagem final.

Finalizada essa parte, a GWM começa em agosto a rodar na linha as primeiras unidades do Haval H6 em caráter de teste.

“Precisamos fazer um estoque para abastecer o mercado. Cerca de 2,5 mil unidades até o final do ano devem ser produzidas na nossa linha local”, disse o executivo na quarta-feira, 11, durante o Festival Interlagos, em São Paulo (SP).

Agora, sobre os tais sinais do mercado. O cronograma de produção local da companhia segue o ritmo de certos acordos, muitos deles ligados à área fiscal. Definições sobre as regras que vão definir o chamado IPI verde, por exemplo, balizam as decisões da companhia no momento.

Paralelo a tudo isso, a empresa organiza também a chegada de novas remessas de modelos importados da China. O lote, segundo Bastos, é formado por cerca de 15 mil unidades e devem chegar por aqui em sua totalidade até o final do ano.

A GWM também estrutura a sua base de fornecedores locais e também como se dará as relações entre a produção local e os fornecedores chineses que, inclusive, integram o pool de empresas controladas pela empresa.

Em outra oportunidade, o executivo havia comentado à reportagem que estava nos planos da montadora montar um parque local de fornecedores também com essas empresas, que desembarcariam por aqui em localidades próximas à fábrica de Iracemápolis.

Fornecedores chineses em parceria com autopeças locais

No entanto, apareceu na mesa de discussões uma nova possibilidade, a qual poderá gerar ganhos de custo, capacidade e, por que não, de tempo, para a fabricante.

Acontece que essas empresas subsidiárias da GWM na China, todas fabricantes de partes e peças, estudam o fechamento de acordo com autopeças já instaladas no Brasil.

Bastos comentou que a parceria poderá se dar em três níveis: o primeiro, um esquema clássico de manufatura contratada, com as empresas chinesas compartilhando os desenhos técnicos e gerenciando a produção.

Uma segunda possibilidade é a fabricante local poder utilizar essa “linha de produção GWM” para produzir peças similares e, então, fornecê-las para outras montadoras, expandindo a clientela.

Uma terceira opção é a de também deixar nas mãos do parceiro local possibilidades de melhorias nessas peças, numa cooperação entre as engenharias.

A primeira, segundo Bastos, é bastante promissora uma vez que proporciona ganhos interessantes para ambos os lados. No que toca à GWM, a costura de parcerias tira da frente, por exemplo, a construção de novas estruturas produtivas.

Pelo lado das autopeças locais, demandas desse porte podem ocupar linhas que estão ociosas. “Há empresas com quem estamos conversando que tem 30% de capacidade ociosa”, contou o executivo.

Capacidade produtiva, inclusive, é um tema que se mostra preocupante para s montadoras chinesas, como é possível observar aqui.

Hoje, a GWM mantém contratos NDA (Non-Disclosure Agreement, na sigla em inglês) com cerca de 100 fornecedores instalados no Brasil. Esse tipo de contrato é uma espécie de acordo de intensões, não um compromisso estabelecido.

De forma que, contou Bastos, a lista final de empresas que vão formar a base local de fornecedores deverá contar com um número menor de companhias.

O assunto dos fornecedores locais é relevante porque eles representam a chave que abre as portas de mercados vizinhos aos veículos GWM. Um maior conteúdo nacional de peças, por exemplo, habilita as exportações para a Argentina com imposto reduzido, por exemplo.

GWM aumenta gama local com nova picape e SUV

A montadora aproveitou os holofotes do Festival Interlagos para apresentar mais dois modelos que vão integrar a sua oferta na América Latina, no caso, a picape Poer P30 e o utilitário Haval H9. Ao todo, agora são seis os modelos que a empresa vende na região.

O Haval H9 é um SUV grande com sete lugares e tração 4×4, um modelo para brigar com Jeep Commander, Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer. Já a Poer P30 é a primeira picape média da GWM no País. Ambos são equipados com o motor 2.4 turbodiesel e câmbio automático de 9 marchas.

De acordo com a montadora, a escolha da motorização a diesel – que representa mais de 95% das vendas no segmento no País — foi baseada na opinião dos clientes em pesquisas com consumidores de picapes. No entanto, no futuro, a linha de picapes Poer ganhará no Brasil uma versão híbrida plug-in (PHEV).