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Caso Nexperia leva BMW a revisar dependência da China

Fabricante alemã conseguiu manter atividades em suas fábricas, mas busca formas de reduzir impacto geopolítico sobre sua produção
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Bruno de Oliveira

11 nov 2025

3 minutos de leitura

A indústria automotiva global voltou a receber microchips da China, em esquema conta gotas, após o país asiático restringir totalmente o fornecimento do componente em represália ao controle estatal da fabricante holandesa Nexperia, na Europa.

A Volkswagen relatou que seus sistemistas já receberam alguns lotes de chips. No Brasil, a Anfavea, que é a associação que representa parte das montadoras com produção local, também informou que as fabricantes de veículos e seus fornecedores serão autorizados aos poucos pela China para voltar a receber o componente importado.

De qualquer forma, a situação ainda reverbera em alguns fabricantes, como a BMW. A montadora, ao lado de VW e Mercedes-Benz, teve sua produção de veículos na Europa na mira dos efeitos causados pelas situação envolvendo a Nexperia. E o quadro vivido pela montadora pode dar uma dimensão do que a indústria como um todo está passando neste momento.

À reportagem de Automotive Business, Nicolai Martin, membro do conselho de administração da BMW, e responsável pelas compras globais da empresa e sua relação com fornecedores, disse que o panorama de produção vai até no máximo duas semanas, e que não há, por ora, como se programar para produzir em prazos mais longos.

“Os fornecedores estão nos dando informações de ‘liberado para construir’ [clear to build, no jargão industrial] por duas semanas e não mais, porque dependemos das informações a respeito de como estão os estoques. Não há como tentar aumentar isso para 4 a 6 semanas”, contou Martin.

Mesmo com produção fluindo, situação é volátil

Nicolai Martin, responsável pelas compras globais da BMW: “situação é volátil”. (divulgação)

“Estamos conseguindo lidar com a situação de forma a manter nossa produção de veículos funcionando. E a perspectiva? A perspectiva não é tão fácil de responder por causa da situação volátil”, completou o executivo.

Ele disse, ainda, que muitos dos fornecedores conseguiram manter a produção de sistemas eletrônicos por meio dos chips produzidos por concorrentes da Nexperia, mas isso, de alguma forma, também mexeu na operação como um todo.

Sobretudo porque o chip alternativo no mercado, seguindo a lei da oferta e procura, ficou mais caro.

“A Nexperia é o único fornecedor que entrega componentes super baratos em alto volume. Dentro de um BMW você pode encontrar cerca de 500 componentes de 2 centavos, 3 centavos. Eles são competitivos em sua oferta de produtos e, por isso, muitos dos nossos fornecedores tier 1 compram chips deles”, explicou Martin.

Ainda que a empresa tenha conseguido controlar a situação por meio de um diálogo constante com seus fornecedores a respeito do estoque de chips, a BMW tenta ampliar mais o seu raio de atuação para que, no futuro, situações como essa ofereçam riscos menores.

Para BMW, indústria global depende da China

Segundo Martin, a indústria automotiva global tem uma grande dependência da China no campo dos insumos. E uma saída para mitigar riscos, no caso da montadora alemã, foi mapear a presença chinesa no capital de seus fornecedores considerados mais estratégicos.

“A escalada política sobre a Nexperia foi uma surpresa para todos. Porque se eu olhar para todos os meus fornecedores, e analisar quais dessas empresas europeias têm propriedade chinesa, a lista não é tão curta. Então, você tem dependências ao redor do globo com investimentos da China”, contou.

“Tem que repensar isso, e nós fazemos um gerenciamento de risco ativo sobre a estabilidade financeira das empresas, sobre a situação de propriedade. Às vezes você tem, em uma perspectiva de propriedade secundária, um controle chinês, e então você tem que pensar como encontrar uma medida contra esse risco e pagar pela prevenção”, completou.