
Preocupados com as operações das marcas de veículos nacionais no exterior, órgãos governamentais da China emitiram na terça-feira, 1º, um documento com diretrizes que orientam as montadoras a cumprir as legislações dos mercados locais e evitem práticas comerciais desleais.
As novas diretrizes orientam que as montadoras baseiem seus preços em custos e condições do mercado onde estão inseridas, evitem utilizar preços como instrumento para obter vantagens competitivas consideradas excessivas e se abstenham de mudanças de preços frequentes ou acentuadas que prejudiquem os consumidores ou a reputação das marcas chinesas no exterior.
As diretrizes também estabelecem que as empresas respeitem o direito de concessionárias e representantes locais definirem os próprios preços para os veículos e cumpram acordos considerados razoáveis relacionados a incentivos de vendas.
O documento também incentiva que sejam cumpridas leis trabalhistas locais e que seja aprimorada a gestão de riscos, abrangendo as condições políticas, econômicas e de segurança nos países que recebem as montadoras de origem chinesa. O documento também aborda publicidade e iniciativas de marketing e orienta as empresas a evitar práticas enganosas.
Montadoras chinesas enfrentam pressão em mercados internacionais
As diretrizes da China surgem em meio a uma série de pressões que o lado ocidental do planeta tem exercido sobre a operação dessas montadoras, invariavelmente acusadas de praticar dumping ou de serem beneficiadas por uma série de incentivos estatais que as colocam em vantagem em mercados como Estados Unidos, Europa e Brasil.
Por aqui, as discussões mais recentes apontam nesse sentido. O setor automotivo brasileiro argumenta em diversas tribunas, por exemplo, que o governo federal favorece as chinesas com benefícios para a importação de veículos eletrificados semimontados (SKD) ou desmontados (CKD).
Em junho, a Anfavea, entidade que representa parte das montadoras no Brasil, se posicionou contra a medida e apontou que tal incentivo prejudicaria a industrialização no país, bem como futuros investimentos no setor. Outros debates envolvem temas como nacionalização da produção por parte das montadoras chinesas e preços incompatíveis com custos de produção no mercado brasileiro.