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Comando variável, start stop e até acelerador: detalhes que ajudam os carros no Proconve L8

Engenharias das montadoras lançam mão de diferentes recursos para diminuir o nível de emissões exigido pela legislação
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Fernando Miragaya

12 fev 2025

4 minutos de leitura

Foto: Freepik

Se você tem o costume de alugar ou fazer test drive em diferentes carros já deve ter percebido que muitos modelos têm um delay ao acionar o acelerador. O motorista pisa e há uma discreta letargia na resposta do propulsor. Como diria um kardecista, nada é por acaso: faz parte de um pacote de recursos que as montadoras usam para os carros atenderem ao Proconve L8.

Essa prática nem é tão nova para atender à atual fase do programa de controle de emissões do país. Já era usado em modelos pontuais como forma de conter emissões e consumo. Porém, marcas tendem a lançar mão do recurso de forma mais ampla.

“O atendimento aos níveis de emissões mais severos, sem dúvida, vai requerer quaisquer dispositivo e mecanismos de auxílio”, observa Eduardo Bennacchio, gerente de engenharia da Toyota.

São detalhes que ajudaram e ajudarão as fabricantes a fecharem a conta para atender à média de emissões exigidas pelo Proconve L8 (veja quadro abaixo com prazos e limites). Sistemas vão desde essas respostas ao acelerador até variação no comando de válvulas ou o “prosaico” start stop.

Tudo isso é tema da quarta matéria da de Automotive Business sobre os desafios das engenharias com as novas regras.

Variação nos comandos: “obrigatório” para carros no Proconve L8

Atualmente, quase a totalidade dos carros produzidos no Brasil já saem com comando variável de válvulas. Seja na admissão, seja no escape, ou nos dois.

Como o próprio nome sugere, o sistema permite variar o tempo de abertura das válvulas de acordo com a necessidade. Isso otimiza a entrada de ar no propulsor e resulta, em geral, em melhor desempenho e eficiência.

“O comando variável ajuda a mapear melhor o motor em determinadas faixas de rotação para que você trabalhe tirando a melhor performance com o melhor consumo. Poder atrasar ou adiantar a abertura das válvulas é importante, principalmente em altas rotações”, ressalta João Dias, gerente de P&D da Horse.

Segundo os engenheiros, o próximo passo para chegar aos níveis de emissões é criar ciclos de combustão. Para tal, os sistemas de taxas de compressão variáveis devem ser uma tendência no Brasil.

“É possível diminuir a taxa de compressão de algo como 15:1, ou 14:1, para até 10:1. É uma tecnologia consagrada lá fora”, explica Everton Lopes, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Start stop pode ajudar a fechar a conta do Proconve L8

Outro recurso bem comum e que deve se propagar nos veículos é o start stop. O sistema que desliga o motor a cada parada e o religa automaticamente quando o motorista tira o pé do freio ou aciona o acelerador pode ser um importante aliado das engenharias das montadoras neste escopo do Proconve L8.

“Ele melhora a eficiência energética porque para de consumir. Fato que o sistema trabalha especificamente em marcha lenta e não é a situação em que o carro mais polui. Mas contribui nessa conta final dos limites de emissões”, observa Dias, da Horse.

Suavidade compulsória no acelerador

E tem aquela atrasada no acelerador do qual falamos no início desta reportagem. Com uma mudança ou atualização no mapeamento do motor, é possível calibrar a curva de aceleração.

Com isso, o automóvel pode apresentar o tal delay nas acelerações, e isso em motores aspirados – já existe aquele turbo lag dos propulsores turbinados. Uma forma de segurar o consumo e as emissões nas arrancadas, principalmente com motoristas apressadinhos ou que têm pé pesado.

Acelerações muito rápidas e bruscas aumentam a mistura ar + combustível. O que, consequentemente, faz o conjunto beber e poluir mais.

“Aceleração mais brusca e a resposta imediata do motor podem gerar, sim, mais poluentes. Ao suavizar essas curvas, o condutor vai ter respostas mais suaves. Isso acontece em motores turbo”, diz Everton Lopes, da AEA.

Na próxima reportagem da série sobre os desafios das engenharias com o Proconve L8 você vai saber como a hibridização pode se tornar um importante aliado das fabricantes