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baixas emissões

Com Proconve L8, injeção direta pode ganhar presença em 80% dos carros no Brasil

Sistemas de partida a frio também terão de ser aprimorados com a nova fase da legislação das emissões
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Fernando Miragaya

05 fev 2025

4 minutos de leitura

Projeção: Bosch/Divulgação

O advento da injeção eletrônica nos carros hoje parece uma imagem da era mesozoica. Mas é algo que tem pouco mais de 40 anos na nossa indústria automotiva e que foi um importante avanço para a diminuição da emissões de poluentes.

O sistema, lógico, evoluiu. Porém os desafios para a redução de emissões continuam. Nesta terceira reportagem de Automotive Business sobre o que o Proconve L8 exigiu de mudanças nos carros você vai ver como a injeção direta será um recurso cada vez mais usado pelas engenharias das montadoras.

O Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores entrou em vigor em janeiro e terá três fases. A meta é, até 2031, garantir que os carros de passeio emitam, no máximo, 30 mg/km de óxidos de nitrogênio (NOx) e gases orgânicos não metano (NMOG) – veja tabela abaixo.

Injeção direta pode chegar a 80% dos carros com o Proconve L8

Dentro das exigências do Proconve, a injeção direta de combustível é um forte aliado. Isso porque o sistema permite que o combustível seja injetado em alta pressão dentro da câmara de combustão.

Ou seja, não há uma mistura do ar com o combustível nos coletores de admissão como nas injeções indiretas. Desta forma, na injeção direta ocorre uma queima mais pobre e, consequentemente, mais eficiente, com mais potência, menos emissões de poluentes e consumo reduzido.

Na fase L7 da legislação de emissões, a frota de carros novos com injeção direta chegou a cerca de 40% do total. Agora, a estimativa do mercado é de que até 2031 o número de veículos com o sistema represente entre 70% e 80%.

“Vai ocorrer um aumento da participação da injeção direta. Além de mais eficiente, ela vai trazer uma redução expressiva de poluentes, sobretudo NMOG”, observa Everton Lopes, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Turbo e injeção direta: combinação perfeita

Muitas pessoas associam a injeção direta com motores turbinados, mas os dois não necessariamente caminham juntos. Prova disso é que marcas japonesas usam motores aspirados com injeção direta, caso dos modelos da Toyota, como Corolla e Corolla Cross, e da Honda, com a linha City e o HR-V.

Nem mesmo modelos turbo necessariamente usam injeção direta. Por exemplo, a General Motors só recentemente adotou a tecnologia nas famílias Onix, Tracker e Montana, justamente de olho no Proconve L8.

“Se você tem turbo com injeção direta, passa de uma pressão de até 4,5 bar para 200 bar. O combustível pulveriza mais e não há necessidade de injetar tanto”, explica João Dias, gerente de P&D da Horse.

A joint venture entre Renault e Geely, inclusive, começou a produção de mais um motor turbo e com injeção direta no Paraná. Os propulsores 1.0 e 1.3 equipam modelos da marca francesa no país e também devem ser usados em novos SUVs da Nissan.

Apesar de caminharem juntos, a combinação do turbo é outra “dádiva” para atender a legislação. Isso porque a adoção de turbinas torna mais viável o famoso downsizing, o uso de um motor mais compacto.

“Hoje você pega um motor turbo 1.0 turbo com a mesma potência que um 1.6 aspirado, mas com torque maior. Com isso, diminui o tamanho e o peso do motor e você consegue manter ou melhorar a performance. Motor menor e otimizado consome menos. Menos consumo, menos poluentes”, destaca Dias.

Esquentando o combustível

A temperatura do combustível também é objeto de atenção das engenharias neste Proconve L8. Afinal, um dos momentos mais críticos para a emissão de poluentes está na hora da partida a frio do carro, especialmente hidrocarbonetos (HC).

Entre as grandes tendências para resolver esse desafio, está trabalhar os sistemas com uma espécie de resistência capaz de esquentar a gasolina ou o etanol, seja na rampa de combustível ou na flauta – peça responsável por fazer a distribuição do líquido entre os bicos injetores.

Outra alternativa é fazer um sistema de aquecimento no próprio injetor. Segundo os especialistas, o tipo de tecnologia pode variar conforme o projeto do motor.

“É preciso trabalhar a temperatura e isso passa por uma otimização forte e no redesenho dos sistemas de partida a frio, sobretudo nos motores flex”, explica Ewerton, da AEA.

Na próxima reportagem da série da AB sobre o Proconve L8 você vai ver como os sistemas de variação nos comandos de válvulas são importantes para os veículos estarem dentro da legislação.