
Você leu aqui recentemente na Automotive Business as primeiras impressões ao volante do Toyota Yaris Cross híbrido. Pois é, fomos para o Autódromo da Capuava, no interior paulista, para ter esse contato inicial com o SUV compacto eletrificado. E lá também dirigimos a versão puramente a combustão sobre a qual falaremos agora.
E sim, as diferenças entre os dois conjuntos, como não poderia deixar de ser, se concentram no desempenho. Afinal, o Yaris Cross sem qualquer eletrificação parte do mesmo motor 1.5 flex do híbrido, porém com potência maior.
Yaris Cross a combustão é mais potente

O propulsor aspirado de quatro cilindros, 16V, com injeção direta e comando variável de válvulas na admissão e escape rende 122 cv quando abastecido totalmente com etanol, como foi o caso na pista da Capuava. No híbrido, a potência combinada fica em 111 cv.
Esses 11 cv fazem a diferença, especialmente nas acelerações. Com o câmbio CVT de sete marchas – mesmo do falecido Yaris e da geração anterior do Corolla -, o crossover compacto evolui bem (vale lembrar que a opção de entrada XR não tem essa simulação de marchas da caixa).
A pegada de conforto fica evidente no desempenho. O CVT até pontua algumas mudanças, mas sem trancos. A performance é linear, porém, sem aquele efeito enceradeira típico de transmissões continuamente variáveis.
Desta forma, o Yaris Cross a combustão parece ser mais esperto que o híbrido nas arrancadas. A Toyota não fala em números de desempenho, mas dá para arriscar que o modelo mais potente ganha, no mínimo, 1 segundo no 0 a 100 km/h em relação ao eletrificado.
Nas retomadas de velocidade, a coisa muda um pouco de figura. O Yaris Cross flex até tem mais torque máximo que o híbrido: 15,3 kgfm contra 12,3 kgfm. Só que no eletrificado ele está disponível mais cedo, a 4 mil rpm, contra 4.800 rpm, do conjunto só a combustão.
Aqui, o câmbio também faz diferença. Conforme a situação, ao pisar forte no acelerador, o CVT tradicional ainda se ressente daquela segurada nos giros. Já a caixa Hybrid Transaxle responde mais rápido – sem falar que o motor elétrico pode atuar com torque instantâneo.
Quase dois irmãos

No mais, os dois Yaris Cross se parecem bastante nas qualidades e nos poucos defeitos. O design é basicamente o mesmo, assim como o acabamento interno, com bastante plástico, porém cuidado em fechamentos e encaixes, simulação de costuras aparentes e texturas agradáveis – isso na versão topo de linha XRX avaliada.
A posição de dirigir é elevada sem exageros e agradável na ergonomia, o espaço a bordo impressiona e só mesmo o porta-malas da versão a combustão leva 9 litros a mais (400 litros) – por causa das baterias extras do híbrido.
A dinâmica é boa na maior parte do tempo. Mas o Yaris Cross a combustão, além de mais leve, parece torcer menos nas curvas.
Quanto bebe o SUV sem eletrificação?

Tem o consumo também, que obviamente no Yaris Cross 100% a combustão é pior. Mas nada tão dramático. Pelo ciclo PBEV/Inmetro, as médias urbanas ficam em 8,8 km/l com etanol e 12,6 km/l, com gasolina. Na estrada, respectivas médias de 14,3 km/l e 10,2 km/l.
Um ponto a desejar segue sendo o isolamento acústico, já observado no SUV híbrido. O barulho e a vibração do conjunto mecânico incomodam demais dentro da cabine.
Vale lembrar que todos esses números de potência e torque são com etanol no tanque. Com apenas gasolina, a potência do Yaris Cross a combustão cai para 110 cv e o torque fica em 14,3 kgfm.
E o ponto mais sensível na diferença entre o Toyota Yaris Cross a combustão e híbrido: o preço. As versões eletrificadas custam R$ 11 mil a mais que suas similares sem eletrificação.
Preços da linha Yaris Cross

- Toyota Yaris Cross XR: R$ 149.990
- Toyota Yaris Cross XRE: R$ 161.390
- Toyota Yaris Cross XRE Hybrid: R$ 172.390
- Toyota Yaris Cross XRX: R$ 178.990
- Toyota Yaris Cross XRX Hybrid: R$ 189.990
