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fábrica BYD

Contrato de trabalhadores da BYD na Bahia tinha cláusulas abusivas

Funcionários chineses eram obrigados a depositar espécie de caução para a Jinjiang, entre outras irregularidades
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Redação AB

31 jan 2025

2 minutos de leitura

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Mais revelações de abusos contra os trabalhadores responsáveis pela construção da fábrica da BYD na Bahia. Os contratos de trabalho estabelecidos pela construtora chinesa Jinjiang mostram diversas irregularidades.

Entre elas, os funcionários vindos da China para atuar em Camaçari tinham de fazer um depósito caução e seus salários eram parcialmente retidos e enviados diretamente para o país natal.

Trabalhadores da BYD estavam sujeitos a multas

A revelação foi feita pela agência de notícias “Reuters”. Na reportagem, os jornalistas Fabio Teixeira, Luciana Novaes Magalhaes e Lisandra Paraguassu tiveram acesso a um contrato assinado por um funcionário com a Jinjiang.

O documento revela que, para serem contratados, os trabalhadores da BYD na Bahia tinham de fazer um depósito de quase US$ 900. Valor que só seria ressarcido após seis meses de trabalho.

Além disso, para trabalhar, eles tinham de entregar seus passaportes à equipe da Jinjiang e permitir que a maior parte de seus salários fosse enviada diretamente para a China.

Outras cláusulas mostram mais práticas abusivas. O contrato dava pleno direito à Jinjiang de estender, de forma unilateral, o contrato de trabalho por seis meses. Além de emitir multas de 200 yuans (R$ 162) por condutas como xingar, brigar ou andar sem camisa no local ou nos alojamentos.

Segundo a reportagem, as práticas não só violam a legislação trabalhista brasileira, como também as regulamentações chinesas.

MPT flagrou trabalhadores da BYD em condições análogas à escravidão

O escândalo da situação precária dos trabalhadores da fábrica da BYD na Bahia foi revelado em dezembro de 2024, após uma reportagem da “Agência Pública”. Logo depois, o Ministério Público do Trabalho (MPT) flagrou 163 pessoas em condições similares à escravidão nas obras da planta.

A BYD rescindiu contrato com a Jinjiang ainda em dezembro. E contratou outra empreiteira em janeiro para tocar as obras na Bahia.

À “Reuters”, a chinesa Jinjiang contestou as acusações e alegou que as conclusões dos fiscais do MPT são “inconsistentes com os fatos e resultado de traduções confusas”.

Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD Brasil, disse à agência de notícias que a montadora não tinha conhecimento de qualquer violação até os primeiros relatos. E que a montadora contactou a Jinjiang logo após as primeiras denúncias.