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Enel garante que irá adequar 16 garagens de ônibus elétricos até o fim do ano

Número de veículos movidos a eletricidade em São Paulo pode triplicar se promessa for cumprida
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Victor Bianchin

27 ago 2025

3 minutos de leitura

A Enel, concessionária de energia que atua na Grande São Paulo, prometeu realizar a adequação de 16 garagens na capital paulista até o final de 2025 para permitir o carregamento de ônibus elétricos.

Se isso se concretizar, a cidade terá potencial para carregar 2.073 coletivos desse tipo, número bem maior do que os atuais 640.


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Atualmente, a cidade de São Paulo conta com 21 garagens readequadas para o carregamento dos ônibus elétricos, com 46,6 MW de capacidade. As novas 16 prometidas adicionariam 46,7 MW, trazendo o total para 93,3 MW.

As informações foram levantadas junto à concessionária pelo site “Diário do Transporte” e batem com o que a Enel havia declarado em julho, quando disse que iria instalar pelo menos 44 MW até o fim do ano.

Meta de ônibus elétricos não foi atingida pela prefeitura

A meta da gestão Bruno Covas/Ricardo Nunes era ter 2,6 mil ônibus elétricos na cidade, cerca de 20% da frota, até o fim de dezembro de 2024, o que não foi cumprido. Após sua reeleição no ano passado, Nunes refez a promessa, mas mudou o prazo para abril de 2028.

Em março deste ano, o prefeito colocou a culpa na Enel pelos atrasos ao dizer que a prefeitura tinha 80 ônibus parados porque a concessionária não fazia as ligações necessárias. Em julho, ele repetiu o argumento.

“A Enel cobra uma fortuna das empresas de ônibus para poder fazer a instalação da energia e mesmo assim ela não consegue fazer essas ligações conforme a necessidade da frota […] É uma empresa irresponsável, que não faz a ligação de energia nas garagens. Então, a gente não tinha sequer como fazer o atendimento dos 20% por conta da falta de ônibus e de energia”, disse ele durante um evento.

Ônibus elétricos demandam redes de alta tensão

Para serem carregados, os ônibus precisam de redes de média ou alta tensão, mas a rede elétrica da cidade de São Paulo é de baixa tensão. Dessa forma, se 50 ônibus elétricos estiverem sendo carregados ao mesmo tempo, o que seria normal para uma garagem desses veículos, é possível que a energia caia no bairro inteiro. Daí a importância da adequação da rede.

A Enel também afirmou que, até julho, mais de 90% dos serviços de adequação contratados pelas empresas de ônibus (obras e adequações externas da rede) foram pagos por ela própria, e não pelas companhias.

Os números fornecidos são de R$ 10,4 milhões (92%) de investimento por parte da concessionária e R$ 300 mil por parte das empresas. Internamente, as companhias também precisam instalar uma cabine primária de recebimento de energia, custeada por elas.

Atualmente, a frota da capital tem mais de 12 mil ônibus, que percorrem mais de 2 milhões de quilômetros e transportam mais de 7 milhões de passageiros por dia. Os 2.073 veículos que poderão ser carregados nas garagens, caso a promessa seja cumprida, representariam 17,2% desse total.

Em paralelo a essa demora na chegada dos ônibus elétricos, a capital paulista vive um problema do envelhecimento da frota a combustão. Como São Paulo está vetada a comprar novos ônibus a diesel desde outubro de 2022, a SPTrans ampliou a idade máxima permitida da frota de 10 para 13 anos de idade para não ter falta de veículos. Pelo menos 2.711 dos ônibus circulantes estão nesse recorte.