
Quantos ônibus elétricos têm no Brasil? E na América Latina? De qual fabricante? E o impacto ambiental deles? Para responder essas e outras perguntas, Automotive Business separou 5 dados para conhecer a frota de ônibus elétricos na América Latina.
Os dados utilizados são da plataforma E-Bus Radar, ação colaborativa do projeto Zebra, uma parceria entre o ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo) e o C40 Cities, que monitora as frotas de ônibus elétricos em circulação na região.
1. América Latina tem mais de 6 mil ônibus elétricos
A frota de ônibus elétricos na américa latina chegou a 6.725 veículos em circulação neste ano, sendo a maioria de modelo convencional a bateria e trólebus.
O país com mais ônibus elétricos, disparado, é o Chile (2.659), seguido da Colômbia (1.590) e em terceiro, o Brasil (1.183). O Peru e Paraguai aparecem no fim da lista com uma presença quase nula: não somam nem 10 ônibus, cada.

Segundo o diretor do ICCT, Marcel Martin, isso acontece porque os países adotaram estratégias diferentes na eletrificação do transporte público.
Ele explica que o Chile tem um modelo de governança centralizado e que optou pela importação em massa de ônibus elétricos da China.
“O modelo de negócio no Chile é ímpar. Eles foram de zero a alguns milhares de ônibus muito rapidamente. Foi muito centralizado e teve parceria com uma distribuidora de energia. E no Brasil não existe essa hipótese porque a governança do transporte é diferente”, disse Martin.
No Brasil, os municípios é que detêm o controle. Na maioria das cidades, o transporte público é operado por empresas privadas por meio de concessões.
Além disso, aqui existe um mercado com produção local que também precisa ser estimulado.
“O Chile é um país importador, nós temos a produção e estamos passando por toda uma fase de reajuste de produção. Isso obviamente leva tempo, mas a indústria nacional já virou a chave e tem grandes oportunidades”, disse o gerente sênior do C40 Cities, Thomas Maltese.
2. A frota cresceu 806%
Em 2017, a frota de ônibus elétricos na América Latina era de apenas 725 veículos. Por isso, em poucos anos, a agenda climática e as metas de descarbonização do transporte fizeram o número disparar, crescendo 806% entre 2017 e 2025.
O modelo mais popular na região é o ônibus convencional a bateria, que tem mais de 5 mil unidades, enquanto os trólebus e ônibus midi a bateria têm pouco mais de mil unidades cada um.

O que explica esse boom de ônibus elétricos é a conscientização ambiental, maior oferta e a diversificação do mercado.
Além disso, o diretor do ICCT chama a atenção para a entrada de novos players, como bancos de desenvolvimento, como um dos impulsionadores da mobilidade elétrica onde já era papel das empresas privadas.
“Estamos tendo uma ótima sinalização do governo federal com os investimentos em eletrificação com recursos do Novo PAC. O Brasil vai rapidamente, não só superar o Chile, mas dobrar a frota em pouco tempo”, aposta Martin.
No ano passado, o BNDES anunciou o investimento de R$ 4,5 bilhões para a compra de mais de 2 mil ônibus elétricos para diversos municípios, com recursos do Novo PAC, através do Fundo Clima.
3. Eletrificação evitou 6.939,37 toneladas de CO2
Os ônibus elétricos são benéficos para o meio ambiente e a América Latina é prova disso. Com a expansão da frota, foram evitadas a emissão de 6.939,37 kt de CO2, um aumento absurdo de 8.400% em relação a 2017, quando foram evitadas a emissão de apenas 81,4 kt de CO2.

Para o especialista do ICCT, esse impacto é positivo, mas pode crescer.
“É bastante, mas quando falamos de mudanças climáticas a gente sempre tem que querer mais porque o problema é muito grande e precisamos avançar.”
Para além da poluição ambiental, Martin cita que os ônibus elétricos ajudam a combater a poluição local, pois reduz a quantidade de ruídos de veículos nas cidades, uma vez que o modelo elétrico é silencioso.
4. Santiago tem maior frota de ônibus elétricos
A capital do Chile é a cidade com mais ônibus elétricos, 2.480 unidades. No 2º lugar do ranking está Bogotá, com 1.486 ônibus, seguida de São Paulo com 632 unidades elétricas. Cidade do México e Montevidéu completam o top 5 cidades.
5. São Paulo evitou a emissão de 676,85 kt de CO2
Maior cidade do país, São Paulo tem 789 ônibus elétricos em circulação, com modelos convencionais a baterias e trólebus. Com a eletrificação da frota, a cidade já evitou a emissão de 676,85 kt toneladas de CO2.
Para Thomas Maltese, gerente sênior da C40 Cities, em São Paulo, a Lei do Clima 2018 foi essencial para impulsionar a eletrificação. O texto requer a descarbonização gradual do transporte até 2038.
Para isso, a cidade adotou o modelo de subvenção parcial. Para enfrentar o alto preço para comprar ônibus elétricos, a prefeitura firmou parcerias com montadoras, bancos multilaterais e de desenvolvimento para financiar a aquisição de ônibus elétricos com taxas menores.
Em abril, a prefeitura de São Paulo entregou mais 115 ônibus elétricos. Apesar disso, enfrenta desafios dos básicos aos mais complexos.
Recentemente, as operadoras de ônibus acusaram a Enel de não ligar a energia nas garagens e na demora para adaptação destas mesmas garagens, o que resulta em ônibus parados só por falta de recarga.
6. BYD é a maior fabricante da região com 2.678 ônibus
A BYD tem o maior número de ônibus elétricos em circulação na região: 2.678 unidades. A Foton aparece em seguida, depois a Yutong Bus e a Eletra.
Esses números são puxados pela frota do Chile, que adquiriu em massa os modelos das chinesas BYD e Foton.

No Brasil, a Eletra lidera a lista com 691 unidades. A BYD tem 90 ônibus, enquanto a Mercedez-Benz tem 62 modelos elétricos nas ruas brasileiras.
“A Eletra é historicamente uma produtora de troleibus e eles avançaram num sistema interessante de parceria com montadoras e fornecedores. Mas a BYD deve crescer, eles têm uma linha de montagem no Brasil e querem ampliar isso”, afirmou Martin.