
O BNDES revelou nesta semana o terceiro Boletim Informativo do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que atingiu quase 40% de sua completitude. Iniciado no ano passado, o ENMU pretende mapear as condições do transporte público das 21 maiores regiões metropolitanas do Brasil e elencar os projetos prioritários em cada uma delas.
Os dados analisados farão parte do primeiro banco de projetos de transporte coletivo de média ou alta capacidades (TPC-MAC) do país. O banco deverá ser composto por centenas de projetos identificados como prioritários para essas 21 regiões metropolitanas.
Entre os transportes de média e alta capacidade estão trens, metrôs, veículos leves sobre trilhos (VLT) e ônibus de deslocamento rápido (BRT, de bus rapid transit).
Projetos do Estudo Nacional de Mobilidade somam R$ 600 bi
De acordo com os novos dados, o ENMU já identificou 400 projetos, que juntos somam um valor estimado superior a R$ 600 bilhões.
Os diagnósticos revelados no site oficial trazem algumas informações interessantes, como o cronograma de ampliação da rede metroviária em São Paulo, que deve ganhar várias novas linhas e estações até 2040, segundo projeções (imagem de abertura desta notícia).
Iniciativas não preveem eVTOLs

Outros projetos observados e catalogados pelo estudo incluem a criação de rotas marítimas em Florianópolis, a expansão do aeromóvel (uma variação do VLT) em Porto Alegre, a expansão do VLT em Recife e a planejada ligação metroviária entre São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro.
A maioria dos projetos mapeados, entretanto, diz respeito à criação de faixas exclusivas, corredores e novas linhas de ônibus. Não há menção, por exemplo, aos eVTOLs (carros voadores), indicando que a nova tecnologia ainda não faz parte de nenhum planejamento de mobilidade no país.
O estudo também aponta que, atualmente, Goiânia é a única região metropolitana do Brasil que adota uma governança metropolitana compatível com o estatuto da metrópole. Por lá, a operação do sistema de transportes é centralizada na figura da CDTC e CMTC.
Em outras cinco regiões metropolitanas, foram identificadas experiências efetivas de gestão coordenada do transporte público, em duas há uma gestão coordenada, porém sem uma governança metropolitana compatível, e nas outras 13 não havia gestão coordenada nenhuma.
Ou seja: falta um esforço conjunto entre prefeituras e governos dos estados para pensar e executar projetos de mobilidade urbana nas regiões metropolitanas.
São Paulo e Belo Horizonte são as cidades mais transparentes
Outro aspecto interessante relatado na publicação é que São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG) são as únicas cidades do Brasil que divulgam na internet informações completas sobre seu transporte, com dados operacionais.
O Rio, por sua vez, é a única região metropolitana em que mais de 30% da população reside a menos de 1 km das estações de transportes públicos coletivos de média e alta capacidade. Como já falamos no Automotive Business, a dificuldade no acesso ao transporte é uma grande deficiência da mobilidade brasileira.
Entre abril e junho, devem ser concluídas as análises para as 21 regiões metropolitanas. O resultado final, incluindo informações detalhadas sobre os projetos e a metodologia de priorização, será conhecido até dezembro. Até lá, permanecerão sendo divulgados resultados parciais com a análise dos projetos identificados.