
Grandes empresas tiveram retrocesso em suas ações de diversidade e inclusão nos Estados Unidos. Será que o Brasil vai seguir o mesmo caminho?
Esse foi um dos temas discutidos na segunda edição do Café com CEOs, evento promovido por Automotive Business, que reúne as lideranças das maiores empresas do setor. O encontro aconteceu na sexta-feira, 16, no Hotel Sheraton WTC, em São Paulo.
Leis garantem agenda de diversidade e inclusão
Para o consultor em Diversidade e Inclusão e palestrante Guilherme Bara, a agenda de diversidade e inclusão não deve retroceder no Brasil.
“No Brasil não tem como esse tema retroceder porque temos leis que nos respaldam. O que eu percebo é que o Brasil vai continuar bastante forte e estratégico”, afirmou ele.
Bara avalia que a resistência não é novidade e já existe há muito tempo. Mesmo assim, nos últimos anos, não faltou espaço para falar de diversidade e inclusão nas empresas.
“A resistência ao tema da diversidade não veio de agora com a nova administração americana, ela está aqui faz tempo no Brasil, Estados Unidos, em vários lugares… Mesmo assim avançamos muito nos últimos anos.”
Ele aponta também que o código de ética das empresas é um escudo importante.
“Respeitar não é sobre querer ou não querer, é compliance. Você pode achar o tema de diversidade bacana ou não, mas não pode fazer piada homofóbica porque você assinou o código de ética onde fala que não pode discriminar ninguém.”
Como liderar equipes diversas?
Guilherme Bara deu ainda dicas sobre como liderar equipes diversas, garantindo a inclusão, oportunidades iguais e condições para que cada talento se desenvolva.
Para isso, é essencial combater os vieses inconscientes. “Como quebrar os vieses? perguntando mais e deduzindo menos. Quando a gente deduz, a gente estereotipa”, afirmou Bara.
Ele cita como exemplo o caso de uma viagem a trabalho. Em vez da liderança deduzir que uma pessoa com deficiência não pode viajar porque enfrentará muitas barreiras, é melhor perguntar para a pessoa como ela se sente e entender quais condições ela precisa para realizar a viagem.
Bara afirma ainda que é necessário tratar o tema de D&I com urgência. Isso significa, incluir assuntos de diversidade e inclusão nas reuniões periódicas, além de entender a contratação e o turnover sobre homens, mulheres, PcDs, pessoas negras e LGBTQI+.
O que os grupos da diversidade querem?
Com mais de 15 anos de experiência no setor automotivo, Guilherme Bara trouxe um overview de alguns dos assuntos mais abordados sobre cada grupo da diversidade.
As mulheres, por exemplo, querem mais presença na liderança, no setor de TI e de vendas. Elas ainda enfrentam assédio e às vezes não encontram apoio do RH ao denunciar.
Muitas mães ainda voltam da licença maternidade com medo de serem demitidas, por isso, as empresas precisam ter um plano de retenção e ações de apoio a primeira infância.
Já as pessoas negras querem estar mais presentes no administrativo, saindo do operacional. Além disso, querem mais representatividade na liderança. A questão do enfrentamento ao racismo precisa ser prioridade nas empresas.
Bara afirma ainda que para as pessoas LGBTQI+ o maior problema são as piadas homofóbicas. Por isso, é urgente que as empresas enfrentem esse tipo de atitude e ajude a construir ambientes acolhedores com as diferentes identidades de gênero e orientações sexuais.