
A Argentina e outros mercados vizinhos pegaram até mesmo a Anfavea de surpresa. No balanço do bimestre feito pela entidade que reúne as montadoras, as exportações de veículos a partir do Brasil tiveram forte alta, porém, a presença asiática na região da América Latina preocupa.
Ao todo, as exportações de veículos a partir do Brasil atingiram 55 mil unidades no janeiro-fevereiro. Alta de 52% em relação ao mesmo recorte de 2024.
Exportações de veículos para a Argentina aumentam três dígitos
Até os embarques para nosso principal parceiro comercial surpreenderam. Foram quase 48 mil unidades embarcadas para a Argentina no bimestre, o que significa alta de 172% nas exportações para o país vizinho, que responde por 62% do total de veículos mandados para fora.
Outros mercados também tiveram alta expressiva no período, ainda que representem volume menores. As exportações para o Uruguai passaram das 5.800 unidades (+17%) e para o Chile foram mais de 3 mil veículos (+12%).
Os embarques para a Colômbia, contudo, que vinham em queda sequencial, deram uma guinada. Chegaram a 2,7 mil unidades, crescimento de 52% em relação ao primeiro bimestre de 2024.
Já o México apontou queda de 26% nas exportações de veículos a partir do Brasil, o que foi justificado por sazonalidades do mercado.
“Os mercados que reagiram representaram um crescimento muito importante para o setor automotivo, mas temos de ter cautela com esses números. Em janeiro e fevereiro de 2024 o volume de exportação foi muito pequeno no primeiro bimestre”, ponderou o presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite,
Vendas externas movimentam US$ 2 bilhões
Só em fevereiro, as exportações somaram 34,6 mil veículos, 60% a mais que o mesmo mês do ano passado e quase 70% superior ao volume de janeiro.
Em valores, as exportações de veículos no primeiro bimestre somam US$ 1,95 bilhão, alta de 32% na comparação com igual período de 2024.
Apenas em fevereiro , as vendas externas representaram US$ 1,15 bi em negócios, aumento de 42% em relação a janeiro.
Participação de veículos brasileiros na AL despenca
Mesmo com a alta nas exportações de veículos, a Anfavea voltou a alertar para a falta de competitividade dos veículos brasileiros na região. Segundo a entidade, a participação de produtos nacionais na América Latina caiu para menos de 14% em 2024.
Esse número estava na casa dos 20% há dois anos. E já foi superior a 22% nos idos de 2013.
O sinal de alerta se chama, como sempre, China. A entidade diz que o market share dos veículos chineses nos mercados latinoamericanos passou de meros 4,6% em 2013 para quase 28% no ano passado.
“Importações da própria empresa vindas de outros países significam que o Brasil está perdendo competitividade interna quando disputamos com as nossas matrizes sobre quem vai atender aquele mercado”, afirmou Marcio.
Para o presidente da Anfavea, o país precisa aumentar a competitividade dos veículos daqui para exportações em duas frentes principais: ampliação de acordos bilaterais e questões regulatórias.
O executivo citou como exemplo, e em tom de crítica, o tempo de homologações dos veículos no Brasil, que leva de seis a oito meses, em média.
“Além dos acordos bilaterais, a gente precisa avançar na harmonização regulatória com esses países”, declarou.
