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Brasil exporta 52% mais veículos no primeiro semestre de 2025

Argentina segue como principal destino e relação com Colômbia sofre tensão, enquanto importação de carros chineses cresce 41%
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Natália Scarabotto

08 ago 2025

4 minutos de leitura

A Anfavea divulgou nesta quinta-feira, 7, o balanço do mês de julho e o compilado do semestre de importação e exportação de veículos. No primeiro semestre do ano, o Brasil enviou 321 mil unidades, aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado.

“É um número que nos surpreende positivamente, dado que no começo do ano a gente não tinha essa expectativa de aumento robusto das exportações”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

O principal destino comercial é a Argentina, para onde foram embarcados 183 mil. A participação do país vizinho nas exportações de veículos do Brasil subiu de 35% no ano passado para 59%, em 2025.


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O segundo país é o México, destino de 43 mil veículos. O número representa retração de 17,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Já a Colômbia aparece em terceiro, com 25,8 mil unidades, aumento de 40% na comparação com o ano anterior, mas em um momento diplomático delicado. Desde 2017, o Brasil mantém um acordo bilateral de alíquota zero com o país, que agora pede revisão.

“Estamos em um momento super delicado com a Colômbia, sobretudo em veículos leves, porque o acordo de cooperação econômica foi revisado pela Colômbia e temos um prazo de negociação até o final de setembro deste ano para que haja uma renegociação”, explicou Igor Calvet.

“Estamos trabalhando fortemente com o governo porque cada mercado na América Latina é importante para o setor automotivo e precisamos fortalecer esses acordos bilaterais”, explicou Calvet.

Importações de veículos também cresceram

Entre janeiro a julho, o Brasil importou 273 mil veículos, alta de 14,5% sobre a quantidade importada no mesmo período de 2024.

Em volume, os veículos argentinos são os que mais desembarcam no país. Até julho, 121 mil unidades chegaram por aqui, resultado que é 11% maior do que o visto em igual período no ano passado.

No entanto, a China se destaca com crescimento de 41% nas importações do ano passado para este ano, o que representa 87 mil veículos. Apenas os modelos chineses representam 6% dos emplacamentos totais entre janeiro e julho.

Importação de kits CKD e SKD

No fim de julho, o governo aprovou o pleito da BYD e outras montadoras chinesas e zerou a alíquota de importação dos kits SKD e CKD por seis meses. Esses veículos terão uma cota até dezembro, dividida pelo tipo de tecnologia de cada um.

Os híbridos (HEV) terão cota de US$ 84,5 milhões, enquanto os híbridos plug-in (PHEV), de US$ 281 milhões. Já a cota dos elétricos puros (BEV) é de US$ 97,5 milhões.

A decisão foi de certa forma uma vitória para a BYD, que buscava redução fiscal. A Anfavea, no entanto, disse ter parte de seu pleito atendida também.

“Houve uma antecipação em 18 meses do que estava inicialmente proposto (julho de 2028), agora o prazo é janeiro de 2027, quando a alíquota passa a ser de 35% para modelo de importação SKD e CKD”, explicou o presidente da associação.

Ele ressaltou ainda a preocupação com o modelo de importação de kit semi prontos e os riscos à desindustrialização no Brasil.

“Nossa preocupação permanece porque é um modelo que não industrializa. Essa é a razão pela qual pontuamos que esses seis meses são o máximo aceitável para não pôr em risco os investimentos já anunciados e os empregos no setor automotivo brasileiro.”

Tarifaço de Trump vai refletir no setor de máquinas

A Anfavea projeta um impacto de US$ 1,3 bilhão no setor se o tarifaço do presidente americano Donald Trump se mantiver. Em 2024, o Brasil exportou para o mercado americano US$ 3,5 bilhões de dólares em máquinas agrícolas, máquinas rodoviárias e autopeças.  

O setor de autopeças era o único que tinha alíquota de 2,5%, que agora subiu 27,5% para componentes como motores, blocos de cilindros, cabeçotes, entre outros, enquanto a alíquota para autopeças não listadas no automotivo subiu para 52,5%.

Com isso, segundo Calvet, o impacto será sentido principalmente no setor de caminhões.

“Sobretudo no adiamento de investimento de alguns setores da econômica brasileira porque há uma grande instabilidade em relação ao que vai acontecer com o mercado. Cerca de 60% a 65% dos produtos brasileiros são escoados por caminhões, então há um impacto indireto na venda e emplacamentos de caminhões.”