
Que a Stellantis registrou prejuízo no primeiro semestre, já vimos por aqui. Na terça-feira, 29, a montadora divulgou outros dados do seu balanço do primeiro semestre e sua estratégia para reestabelecer as forças nos Estados Unidos e na Europa, onde as coisas não vão muito bem.
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A receita da empresa na primeira metade do ano foi de € 74,3 bilhões, 13% a menos do que no mesmo intervalo de tempo em 2024. Vender menos veículos nesses dois grande mercados, como é possível perceber, acabou por refletir no farturamento.
A fase em 2024 já não era tão boa, porém a perspectiva do então CEO interino, John Elkann, era de melhora.
Para 2025, a constatação é de que a empresa precisa recuperar volumes perdidos nas duas regiões. Para que isso aconteça, segundo o CEO global, Antonio Filosa, nada melhor do que apostar em lançamentos. Mas, no caso da Stellantis, a estratégia nesse sentido passa pelo resgate dos que já se foram.
Nos Estados Unidos, voltam ao line-up da fabricante dois modelos que haviam sido deixados de fora das linhas de produção em 2023. No caso, a versão híbrida do SUV médio Jeep Cherokee e o possante Dodge Charger Sixpack com motor de combustão.
Clássicos podem garantir volumes à Stellantis
A volta dos dois modelos foi explicada pelo CEO da seguinte forma, em linhas gerais: ambos vendiam bem no passado, mas o planejamento da gestão anterior, focado na eletrificação da oferta, acabou por retirá-los da produção para se priorizar o desenvolvimento de outros veículos no mercado.
Como podemos constatar por meio dos resultados da companhia, as coisas não funcionaram muito bem e a aposta agora é no resgate dos volumes perdidos com modelos já consagrados no mercado norte-americano.
Acontece que o mundo mudou de 2023 para cá, e a realidade agregou novos elementos no caminho da empresa. O Jeep Cherokee, por exemplo, é produzido no México, país cuja produção industrial teve a importação sobretaxada pela administração de Donald Trump, presidente dos EUA.
A respeito desse tema, o CEO da Stellantis disse que espera do governo um pouco de sensibilidade acerca das taxas que incidem sobre os automóveis Made in Mexico, até porque elas representam custos para a montadora.
E custos a mais, diante de um balanço crítico como o do primeiro semestre, é tudo o que a empresa não quer e luta contra – basta ver o cancelamento de negócios que não davam resultados, como o desenvolvimento de células de hidrogênio na Europa.
O executivo lembrou que boa parte das peças que equipam esses veículos é produzida nos EUA, gerando empregos no país, renda etc. E que isso, portanto, deveria ser considerado em uma eventual revisão das tarifas aplicadas aos veículos de marcas estadunidenses produzidos no país vizinho.
Tarifas de Trump custam caro para a Stellantis
A estimativa da Stellantis sobre impacto tarifário líquido em sua operação, em 2025, é de para aproximadamente € 1,5 bilhão, dos quais € 300 milhões foram incorridos já no primeiro semestre de 2025.
Se por um lado a mão da gestão Trump machuca os planos offshore da Stellantis, por outro ela afaga as suas questões domésticas.
Com o afrouxamento das leis ambientais no país, e o mercado consumidor ainda aberto para modelos com motor de combustão, a montadora decidiu resgatar também o aclamadíssimo propulsor Hemi V8 de 5,7 litros – que tinha saído de cena para dar lugar a uma versão híbrida do motor Hurricane – na picape Ram 1500 em sua versão 2026. Mais uma aposta em elementos consagrados.
Do outro lado do Atlântico, na Europa, os planos da Stellantis também versam sobre a recuperação de volumes por meio de novos modelos. Neste caso, novos mesmo, sobretudo no segmento de SUVs médios.
Devem chegar àquele mercado Jeep Compass, Citroën C5 Aircross e DS 8, para complementar uma gama de novidades que já conta com os recém-lançados Peugeot 3008 e 5008, e o Opel/Vauxhall Grandland baseados na plataforma STLA Medium.
Ao Sul, tudo azul
Também do outro lado do Atlântico, mas no Sul Global, as coisas parecem um pouco mais estabilizadas. O balanço da empresa mostrou que a receita líquida na região, € 7,8 bilhões, foi um pouco similar à vista no primeiro semestre do ano passado, € 7,4 bilhões.
A montadora aumentou a sua fatia de mercado na região no primeiro semestre deste ano, chegando a 23,5%. Na primeira metade do ano passado, a participação era de 22,7%.
No Brasil, seu maior mercado na região, a montadora é líder de mercado, com a Fiat, e tem em seus domínios o veículo mais vendido no país até o momento, a picape Strada. Na Argentina, a marca italiana é a terceira mais vendida, com o sedã compacto Cronos na segunda posição dos emplacamentos.
Ainda é cedo para dizer se vai dar certo ou não, mas um trunfo sul-americano pode aparecer na estratégia da empresa na América do Norte, no caso, a aposta em vendas corporativas – que representam boa parte das vendas não apenas da Stellantis na região, mas da indústria como um todo.
Nos Estados Unidos, as vendas corporativas da Stellantis caíram no primeiro semestre, e a empresa citou em sua apresentação que está colocando em prática “oportunidades de melhoria nas vendas para frotas”. Deu certo por aqui, e Filosa, ex-CEO na América do Sul, sabe como fazer.
