
Quando o Dolphin foi lançado a um preço muito competitivo, lá em 2023, a BYD fez os rivais se mexerem. Só que a marca vai provar do próprio veneno com o novo Geely EX2. Aliás, com dose extra de veneno.
Não só pelo custo benefício do mais novo chinês elétrico do pedaço, como também pelo o que o carro entrega na experiência ao volante. Automotive Business teve um primeiro contato com o Geely EX2 e o carro chama a atenção justamente por um acerto diferente que o encontrado em seus rivais conterrâneos.
Geely EX2 é urbanóide convicto

O contato foi curto, é verdade. Em trecho todo urbano, por uns 20 km e 40 minutos no trânsito sempre pesado e conturbado de São Paulo (SP). Mas o suficiente para observar tais diferenciações no Geely EX2 -e como o fato de ter a Renault por trás de sua operação fez um bem danado ao hatch.
Assim que saí com a versão topo de linha Max do hatch, a primeira surpresa. Numa rua esburacada, o Geely EX2 passou com dignidade. Absorveu bem as imperfeições da pista, sem chacoalhar demais, ou bater seco a cada buraco.
Fruto não só do fato de o modelo da Geely usar uma refinada suspensão traseira independente multibraço. O EX2 também se valeu de uma calibragem feita pela turma da engenharia brasileira da Renault, conhecedora do gosto do consumidor local – e da qualidade de nossas ruas.
Além disso, o compacto mostrou outras virtudes. A direção, com volante de pegada agradável e com base reta, é direta e suave. O que facilitou muito nas constantes mudanças de faixa que o trânsito paulistano nos obriga a fazer, e também na hora de estacionar.
Causa estranheza o pedal do freio bastante baixo do compacto. Assim como a ausência de botões – tudo é na central multimídia com tela de 14” – e de um simples ajuste de altura do cinto de segurança.
Em compensação, o acabamento agrada aos olhos: sem exageros e até com a bossa de uma simulação de prédios de uma metrópole impressos nos painéis frontais e das portas
Já o silêncio a bordo é eficiente, e só interrompido em baixas velocidades, quando um singelo e até agradável assovio é emitido.
Dinâmica do hatch compacto

No Campo de Marte, a Geely preparou um discreto circuito com cones para pôr à prova a dinâmica do carro. Mas nada nem um pouco radical.
Primeiro um slalom em que o Geely EX2 se mostrou obediente. Depois, uma curva fechada e uma reta curta para pisar fundo e frear. Com 116 cv, as respostas ao acelerador são imediatas como visto em todo elétrico.
Na hora de parar, apesar do pedal de freio meio baixo e borrachudo, nada de sustos. Mesmo assim, nada que me convença que o hatch não seja um carro mais indicado para se andar na cidade.
Tanto que a fabricante escolheu a dedo o percurso. Com quase 290 km de autonomia e dimensões pequenas, o EX2 é genuinamente urbano. E pode até cair na graça de motoristas de aplicativos e taxistas.
Até porque o modelo tem um espaço interessante. Motorista tem uma posição até altinha de dirigir e com 2,65 metros de entre-eixos, dois adultos e uma criança conseguem se acomodar no banco traseiro. E ainda sobram 375 litros de porta-malas, sem falar nos 75 l do bagageiro dianteiro.
Seis anos de garantia para o carro, oito de cobertura da bateria, que promete recarga rápida de 30% a 80% em 21 minutos, e 6h30 de 0 a 100% em aparelhos do tipo Wallbox são outros bons argumentos a favor do compacto da Geely.
Sem falar no fato de ter basicamente o mesmo tamanho de rivais como BYD Dolphin e GWM Ora 3, e custar bem menos. O EX2 começa em R$ 123.800 e chega a R$ 136.800 nesta versão topo de linha, com direito aos itens de assistência à condução e mais recheado – os preços promocionais temporários de lançamento são de .
Como dito, a BYD, em especial, vai provar do próprio veneno de dois anos atrás. Lembrando que o Dolphin é o segundo carro elétrico mais vendido do país. Mas não tem esse suporte de uma marca parceira e conhecedora do mercado brasileiro como o EX2.

