
Em meio a turbulências no cenário automotivo global, Honda e Nissan trataram de fugir de qualquer intempérie – ou ao menos minimizar seus efeitos – por meio de uma fusão.
Duas das maiores fabricantes do Japão confirmaram que estão em negociações para um futuro acordo.
O objetivo segue quase a cartilha de qualquer negociação do gênero: estabelecer sinergias, reduzir custos e aumentar a competitividade. Principalmente em tempos da agressiva ofensiva das montadoras chinesas.
Fusão entre Honda e Nissan vai focar em sete frentes
Em entrevista coletiva nesta segunda, 23, os executivos da Honda e Nissan explicaram que a fusão vai focar em sete frentes de sinergias principais.
Além de plataformas compartilhadas e centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em conjunto, a fusão entre Honda e Nissan quer otimizar as instalações industriais, cadeia de suprimentos (com integração das áreas de compras) e também a parte de distribuição e vendas.
Desenvolvimento de softwares também está no plano de sinergias. Por fim, o estabelecimento de um departamento conjunto de novos talentos e de projetos de eletrificação estão no cronograma da fusão entre Honda e Nissan.
Caso o negócio se concretize, as duas montadoras formarão o terceiro maior grupo automotivo do mundo, atrás apenas de Toyota e Volkswagen. Incluindo a Mitsubishi (a Nissan é uma das maiores e principais acionistas da marca japonesa), o volume total de vendas do grupo seria de mais de 8 milhões de carros/ano.
Essas vendas combinadas devem chegar ao equivalente a US$ 191 bilhões. E o lucro operacional da fusão entre Honda e Nissan poderia ser de mais de US$ 19 bilhões.
“A ascensão das montadoras chinesas e novos participantes mudou bastante a indústria automotiva. Temos de desenvolver capacidades para lutar com eles até 2030, caso contrário seremos derrotados”, disse, categórico, o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, durante a coletiva realizada em Tóquio.
Pelo cronograma, o acordo definitivo da fusão deve ser assinado por Honda e Nissan até junho de 2025. Já a data de transferência efetiva de ações está planejada para agosto de 2026.
