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Brose Brasil

Liderança feminina: a jornada de estagiária a CFO da Brose

Com 25 anos de carreira, Celeste Druszcz é uma poucas mulheres em cargo de diretoria no setor e mostra como a maternidade moldou sua liderança
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Natália Scarabotto

27 abr 2026

7 minutos de leitura

De estagiária a CFO: Celeste Druszcz construiu dentro da Brose Brasil uma sólida trajetória de mais de 25 anos de carreira – uma carreira que ainda foge à realidade da grande maioria das mulheres no setor

Isso porque elas ficam em média apenas cinco anos no setor, enquanto os homens permanecem mais de dez anos na mesma companhia, segundo a pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, de Automotive Business. Além disso, pela falta de oportunidades e barreiras estruturais, apenas 18% das mulheres ocupam cargos de diretoria no setor.

Celeste é um ponto fora dessa curva. Em mais de duas décadas na Brose, ela enfrentou desafios, como ser a única mulher nas reuniões e lidar com a síndrome da impostora, para construir uma liderança baseada em uma escuta atenta e humanizada. 

“Ficar tanto tempo em uma empresa é como um casamento: tem altos e baixos, principalmente em períodos mais complexos, como por exemplo, troca de gestores”, disse ela. “Mas na área tributária sempre tem novos desafios para não cair na mesmice. A Brose passou por aquisições durante esses anos, então, tem vários movimentos que sempre trazem novidades para o trabalho.”

Para ela, a promoção a gerente e, depois, a diretora financeira (CFO) foram os grandes pontos de virada profissional, mas foi a maternidade que trouxe a transformação mais profunda como pessoa e moldou a liderança que Celeste é hoje.

“A maternidade me levou a olhar com mais respeito e paciência para cada profissional”, disse a CFO. 

De estagiária a CFO: a trajetória de uma liderança feminina

Em 1999, quando a Brose chegou ao Brasil, Celeste entrou como estagiária no setor financeiro, na área de contas a receber. 

Ali, foi impactada com a grandeza das instalações de uma fábrica recém construída. E, como estudante de ciências contábeis, sentiu que tinha encontrado na indústria o seu lugar dentro da profissão. 

“Quando entrei como estagiária, nem tinha noção do que ia acontecer dali pra frente, mas eu sempre gostei muito de aprender e a minha intenção era aprender mais coisas, de diferentes áreas”, contou Celeste. “Trabalhar na indústria permite aplicar por completo tudo o que você aprende na faculdade de ciências contábeis.”

Em 2007, Celeste assumiu a gerência financeira da Brose e ocupou o cargo até 2017, quando assumiu também a área de controladoria. Em 2020, foi promovida a CFO da Brose no Brasil.

“Para mim foi bem impactante virar gerente, mas é engraçado que naquela época eu era bem mais nova, estava com 30 anos, e me sentia pronta. E depois, agora que me tornei diretora, percebo que não estava. Eu precisava ter me desenvolvido mais, não tecnicamente, mas acho que mais na questão de liderança mesmo, no cuidado com as pessoas”, explicou. 

Com o tempo e maturidade, Celeste começou a observar e ouvir mais as outras lideranças e o seu time e a maternidade foi o ponto de virada para torná-la a liderança que é hoje.

Como a maternidade moldou a liderança da CFO da Brose Brasil

Ainda na gerência, Celeste engravidou aos 37 anos. Dentro do trabalho, o momento era oportuno: ela estava consolidada no cargo e tinha uma equipe competente e confiável para se afastar durante a licença-maternidade. 

O momento que, para muitas mulheres pode ser uma pausa desafiadora na carreira – ou às vezes até o abandono total da profissão, para Celeste foi a transformação profunda que ela precisava para se tornar a liderança que é hoje, mais humana e colaborativa. 

“A maternidade é um marco da minha vida pessoal que me trouxe muito aprendizado. Sempre fui uma pessoa muito controladora com as minhas coisas, sabia tudo o que acontecia a todo momento, e quando minha filha chegou, eu vi que já não mandava mais em nada, quem mandava em mim era ela”, disse. 

Ao aprender a lidar com cada etapa do desenvolvimento da filha, no próprio ritmo que a criança ditava, ela entendeu também que o mesmo acontecia no trabalho, onde cada colaborador tem o seu ritmo próprio de aprendizado e desenvolvimento. 

“Antes, para mim, parecia que todo mundo na empresa sabia de tudo, então, às vezes eu tinha alguma reação mais incisiva com um funcionário ou outros gestores porque eu não entendia como aquela pessoa pensava. Mas depois, da mesma forma como acontece com um bebê, eu entendi que existe um processo natural de desenvolvimento daquele funcionário e comecei a lidar de forma parecida, com mais respeito e paciência com cada profissional porque eles não são do mesmo jeito que eu.” 

Mãe e executiva: a balança do sucesso precisa de equilíbrio

Para as mulheres, o retorno ao trabalho após a licença maternidade é uma questão que sempre vem acompanhada de inseguranças, medos e julgamentos alheios. 

Para Celeste, a melhor opção foi voltar a trabalhar cedo por entender que manter sua identidade profissional era essencial para seu equilíbrio pessoal.

“O período que fiquei em casa cuidando da minha filha foi muito importante para mim, mas eu voltei logo a trabalhar por mim, porque me sentia completa dentro do meu trabalho”, explicou ela. “As mulheres são muito criticadas porque voltam cedo ou tarde demais, mas cada uma tem a sua necessidade e sua escolha de vida, e essa foi a minha.”

Com a filha esperando em casa, no entanto, ela adotou estratégias para equilibrar a vida profissional e pessoal: como organizar melhor o horário de trabalho e priorizar o tempo de qualidade com a filha após o expediente e aos finais de semana.

“Passei a ser mais produtiva no trabalho. Eu cumpria o meu horário de expediente e quando dava o horário, queria ir embora para pegar minha filha na escola. Os finais de semana eram todos dela. Priorizei termos tempo de qualidade juntas, então, consegui fazer esse balanço e deu super certo”

Celeste afirma que foi importante entender que, naquela fase, a família tinha um peso e uma demanda maior, por isso, no trabalho, o momento era de estabilidade na carreira.

“Foi um período que me senti tranquila em não precisar buscar nada novo na Brose, nenhuma posição que me obrigasse a trabalhar mais e ter que abdicar o tempo à noite com a minha filha. Então, mesmo voltando a trabalhar, eu me dei esse tempo porque precisava estar mais ali pela minha filha.”

Quando se sentiu pronta, em 2020, aceitou o cargo de CFO – mais um ponto de virada importante para a carreira dela, principalmente por exigir uma postura não apenas técnica, mas também política dentro da empresa.

Os desafios de ser mulher no setor automotivo

Como uma das poucas lideranças femininas no setor, Celeste enfrentou diversos desafios em um ambiente majoritariamente formado por homens. 

Em muitas reuniões, por exemplo, era a única mulher. “Acabava ficando mais quieta porque tinha medo de falar alguma besteira ou banalidade. Nunca tive nenhuma situação de discriminação, mas era intrínseco”, contou ela. 

“Com o tempo e a maturidade, fui observando como outras lideranças se comportam, como falam, como resolvem os negócios. Então, aprendi a ouvir mais as pessoas, manter mais a calma, pensar antes de falar, ser menos reativa e entender o tempo de cada profissional. Foi um processo bem de observação e de escuta.”

Apesar de todo o sucesso profissional, Celeste ainda enfrenta algo muito comum entre as mulheres: a síndrome da impostora. “Hoje ainda é uma questão para mim e luto no dia a dia. Nós mulheres precisamos estar sempre atentas porque ficamos mais inseguras no ambiente de trabalho, principalmente quando é majoritariamente masculino”, afirma a CFO. 

“A gente desacredita de nós mesmas, acha que não vamos dar conta de um trabalho, ou que não conhecemos muito de assunto ou que não temos todos os requisitos para uma vaga. Mas a diferença para um homem e uma mulher é que o homem acredita mais em si, ele não precisa ter 100% de certeza para assumir uma posição ou resolver um negócio, ele vai e faz. E nós precisamos ser mais confiantes assim.”