
Historicamente o setor automotivo sempre foi um ambiente majoritariamente masculino e branco, mas nos últimos anos as empresas têm ampliado iniciativas para mudar esse retrato, com cada vez mais ações e programas para a contratação e promoção de mulheres.
O eixo de gênero é o mais estruturado do setor automotivo, e a presença delas cresceu nos quadros funcionais e na liderança. Ainda assim, está longe do ideal.
Para entender os avanços e desafios das mulheres no setor automotivo, a reportagem de Automotive Business separou 8 fatos com números que mostram como essa participação evoluiu nos últimos anos.
Os dados são parte das pesquisas Diversidade no Setor Automotivo de 2023 e 2025, feita pela AB e MHD Consultoria, com empresas e colaboradores do setor.
Fato 1: Mulheres são 24% do setor automotivo, mas só 3% são negras
A participação feminina está em lento crescimento no setor automotivo nos últimos anos. Em 2017, elas eram 21% da força de trabalho, crescendo para 24% em 2025.
No entanto, quando olhamos a interseccionalidade de raça e gênero, a presença de mulheres negras ainda é muito baixa, apenas 3% do setor.
Fato 2: Elas ocupam 20% da liderança, mas mulheres negras são 1%
Os cargos de entrada são os mais equilibrados entre homens e mulheres no setor. A participação feminina cai bruscamente a partir do quadro funcional, cerca de 20%, e diminui gradativamente até o conselho, onde apenas 14% são mulheres.
As mulheres negras têm ainda menos espaço na liderança, ocupando ínfimos 1% das posições de decisão.
Fato 3: Mulheres superam homens nos cargos de entrada
Em 2025, pela primeira vez, as mulheres superaram os homens nas posições de trainee ou estagiário, com 55% de participação.
Essa mudança reflete os resultados dos programas de diversidade para contratação de jovens talentos, uma iniciativa amplamente adotada por montadoras e fornecedores nos últimos anos.
Fato 4: Homens ainda ganham mais do que mulheres no mesmo cargo
A diferença salarial entre homens e mulheres, que sempre foi gritante na indústria, segue presente, mas
diminuiu consideravelmente. Em 27% das empresas eles ganham a mais do que elas no quadro funcional, segundo as próprias companhias. A diferença salarial no quadro funcional é de 6%.
Fato 5: Na liderança, salário das mulheres é 9,5% menor
Em 2021, as mulheres na liderança ganhavam quase metade que os homens, mas com os programas e ações para equidade de gênero e eliminação de GAPs salariais, essa diferença caiu para 9,5% em 2023.
Fato 6: Mulheres ficam cinco anos na empresa, enquanto eles permanecem por 15
Quase 70% das mulheres permanecem na empresa por apenas cinco anos, enquanto os homens constroem uma trajetória muito maior, com permanência média de 15 anos.
Esse cenário indica que a carreira delas é muito mais lenta, com menos oportunidades de promoção e em um ambiente liderado majoritariamente por homens.
Fato 7: Idade média das mulheres é menor
A maior presença de mulheres nos cargos de entrada reduz a idade média das profissionais femininas na cadeia automotiva, que são mais jovens que os homens.
Cerca de 35% das mulheres do setor automotivo têm entre 21 a 30 anos, enquanto 31% têm de 31 a 40 anos. Já a média de idade masculina fica entre 31 a 50 anos, refletindo o perfil mais sênior e maior tempo de casa.
Fato 8: 65% das empresas do setor têm programas de diversidade para equidade de gênero
O eixo de gênero é o mais estruturado e priorizado pelas empresas dentro do setor. Entre 2019 e 2025, o número de companhias que trabalham esse tema quase dobrou, saindo de 33% para 65%.
Quase todas essas empresas também adotaram metas para contratação e promoção de talentos femininos.
Isso reflete uma importante evolução do setor que, no geral, está mais maduro em diversidade, com ações e programas estruturados para todos os eixos.