
Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o setor automotivo tem pouco a comemorar. A agenda de diversidade até avançou nos últimos cinco anos, mas ainda está longe de representar a realidade de um país onde 45% da população é negra, segundo o IBGE.
Desde 2019, a Automotive Business, em parceria com a MHD Consultoria, lançou diversos estudos sobre diversidade e inclusão no setor automotivo para ter um termômetro da situação em todos os eixos (gênero, etnia/raça, pessoas com deficiência, gerações e comunidade LGBTQI+).
O tema de diversidade está avançando. Prova disso é que 70% das empresas estão em estágio maduro ou avançado em diversidade, enquanto em 2019 eram apenas 12%. Além disso, grande parte das empresas têm orçamento dedicado à diversidade e considera que o tema ficará cada vez mais relevante.
Mas ainda existem desafios por isso, a partir desses levantamentos, separamos cinco dados importantes que você precisa conhecer para entender o setor:
1. Profissionais negros são 29% do setor automotivo
O setor automotivo deu passos importantes na inclusão de pessoas negras, mas ainda está muito aquém do que deveria.
Em 2019, esses profissionais eram apenas 10% no setor. Hoje, o número cresceu para 29%, mas ainda é baixo considerando o contexto social do Brasil. Além disso, esses profissionais estão concentrados só nos cargos mais baixos.
2. Empresas não focam em talentos negros
Apesar do avanço citado acima, quando o assunto é foco de investimento em diversidade, as empresas jogam etnia/raça lá para o fim da lista. Prova disso é que apenas 33% das empresas desenvolvem ações ou programas estruturados.
Antes de profissionais negros, as empresas priorizam: gênero, pessoas com deficiência, jovens talentos e comunidade LGBTQI+.
Entre 2023 e 2025, o foco do investimento em diversidade para pessoas negras caiu de 38% para 33%, o que confirma esse desengajamento.
3. Mulheres negras são 1% da liderança
Se entrar no setor automotivo é um desafio para, chegar à liderança parece impossível. Apenas 20% das mulheres do setor chegam à alta liderança, mas só 1% delas é de mulheres negras.
Quando consideramos também os homens, a participação negra na liderança sobe um pouco para 12%.
Ou seja, a tomada de decisões que acontecem nos cargos de direção, presidência e conselho não mudou nos últimos anos, sendo predominantemente branco e masculino.
4. Trainee e estágio: a única porta de entrada?
Para tentar reverter a realidade excludente do setor, nos últimos anos as empresas do setor estão abrindo portas da base para formar profissionais.
A maior concentração de negros é nas vagas de jovem aprendiz, trainee, estágio ou quadro funcional, que gira em torno de 30% de pessoas negras em cada cargo.
Nos últimos anos, as empresas começaram a abrir vagas afirmativas para atrair esse público. Junto com isso, geralmente as empresas contam com apoio e mentoria, além de grupos de afinidade.
5. Sem metas, sem futuro?
Todo mundo sabe que para alcançar resultados consistentes é necessário metas e um plano de ação. Mas o setor automotivo não quer se comprometer.
Em 2025, 36% das empresas dizem ter metas para profissionais negros. Na frente, as empresas automotivas priorizam metas de gênero e jovens talentos.
Uma boa notícia é que saltou para 70% o número de empresas que se consideram no estágio maduro ou avançado em diversidade e inclusão. Além disso, as montadoras e grandes fornecedores desenvolveram grupos de afinidade para alavancar o tema internamente e, com isso, foram surgindo mais ações concretas.