
Uma nova pesquisa mostra que 79% das motoristas mulheres do aplicativo 99 têm a plataforma como principal fonte de receita doméstica. E para 57% das entrevistadas, é sua única renda.
O estudo foi conduzido pela 99 em parceria com a consultoria Think Eva. Entre as motoristas pesquisadas, 21% utilizam a atividade de dirigir como uma forma de complementar sua renda principal, que vem de outro trabalho.
Use o speed dating no #ABX25 e encontre quem você precisa para gerar negócios
Outro grupo, também de 21%, faz o contrário: tem a direção como sua atividade principal e complementa seu faturamento com outras atividades. A maioria das motoristas tem mais de 40 anos de idade (66%) e quase metade (49,5%) divide a rotina do app com afazeres domésticos e cuidados com filhos ou outros familiares.
A cada 10 motoristas mulheres, sete são mães (73%). A flexibilidade de horários e liberdade associada ao trabalho com o app são citadas como atributos essenciais para que essas profissionais consigam atender às necessidades da maternidade.

Quando questionadas sobre o motivo de terem começado a dirigir para a 99, 78,1% das entrevistadas responderam que foi pela flexibilidade de horário, 73,1% disseram que foi pela possibilidade de ganho imediato, 67,6% citaram o complemento de renda.
Também 67,6% argumentaram buscar autonomia financeira, 62,4% buscavam o equilíbrio com as atividades domésticas, 37% disseram que ser motorista dá mais dinheiro que sua profissão de origem e 28,9% citaram a ausência de outras oportunidades de emprego.
Isso reflete algo que é mencionado na pesquisa: tornar-se motorista não é um sonho, e sim uma necessidade, geralmente motivada por alguma grande mudança na vida, como doença, divórcio, demissão e maternidade.
Mulheres motoristas do app se sentem mais vulneráveis
Ainda pelo estudo com as motoristas, 75,9% das entrevistadas sentem que ser mulher resulta em mais riscos ao trabalhar, sendo que 50% percebem esse risco sempre e 50% o associam a determinadas horas e locais.
A segurança representa a principal preocupação das motoristas, com 74,9% temendo assaltos e locais vazios, enquanto 60% apresentam temeridade com a segurança no trânsito.
O assédio também é fonte significativa de medo, seja ele de agressões físicas e verbais praticadas pelos passageiros (56,5%), de natureza sexual (51%) ou proveniente de outros motoristas (41%), evidenciando os múltiplos desafios enfrentados por mulheres no setor de transporte por aplicativo.

Quase a totalidade, 93%, dizem perceber que as passageiras se sentem mais seguras quando as motoristas são mulheres.
“Falam que, se pudesse escolher, seriam as mulheres motoristas. Muitas falam de assédios por conta dos homens, que não respeitam, que são invasivos e elas têm medo de serem levadas a algum lugar e serem estupradas e mortas”, disse uma motorista entrevistada, que teve a identidade preservada.
Antes de começarem a dirigir para o aplicativo, as motoristas sentiam um medo significativo (21%), sendo que 17% sentiam bastante medo e 4% sentiam muito medo. Em contrapartida, após começarem a trabalhar na área, apenas 6% delas continuaram com o mesmo sentimento.
Com a experiência, a temeridade em dirigir reduziu significativamente, sendo que 63% passaram a afirmar sentir pouco ou nenhum medo (32% e 31%, respectivamente).
O levantamento também revelou uma diferença importante entre a percepção de risco de quem já dirige e de quem ainda não começou: entre as potenciais motoristas, o medo de assédio sexual chega a 90%, enquanto entre as motoristas ativas esse número cai para 51%.
Essa diferença, de acordo com a Think Eva, demonstra um espaço de insegurança que pode ser combatido com informação e acolhimento.
“O espaço urbano é, desde sempre, um ambiente de risco para mulheres e por isso é tão importante que elas saibam que, caso aconteça algo, terão com quem contar. A construção de cidades mais seguras para as mulheres exige colaboração entre empresas, poder público e sociedade civil”, afirma Maíra Liguori, cofundadora da Think Eva.
O estudo ouviu mais de 878 motoristas parceiras e potenciais motoristas de Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG).
Cartilha quer cobater a violência contrra mulheres motoristas
Como parte da nova fase do programa “99 Mais Mulheres”, a 99 produziu uma cartilha educativa voltada à prevenção e ao combate à violência de gênero.
O material foi elaborado em parceria com a Think Eva e a rede As Justiceiras — que oferecem apoio gratuito nas áreas legal, psicológica, social e médica para mulheres em situação de violência doméstica —, e será distribuído via app e redes sociais, além de ficar disponível online.
A cartilha apresenta de forma objetiva os tipos de violência (física, psicológica, sexual, moral, patrimonial, digital), explica conceitos jurídicos como assédio, importunação sexual e a Lei Maria da Penha, e orienta sobre onde e como buscar ajuda.
O material também oferece uma rede de apoio com contatos de serviços, como a Central de Atendimento à Mulher (180), Delegacias da Mulher, Defensorias Públicas e o canal gratuito das Justiceiras via WhatsApp (11 99639-1212).