
A Mercedes-Benz iniciou um novo capítulo em sua história na Argentina ao inaugurar na sexta-feira, 8, uma nova fábrica no país, em Zárate, Buenos Aires. Ali montará em esquema CKD os caminhões Accelo e Atego, além de dois modelos de chassi de ônibus. O investimento no complexo, que também conta com uma área de armazenagem de peças, foi de US$ 110 milhões aplicados em cinco anos.
Nova planta substitui fábrica de Virrey del Pino
A nova fábrica surge para substituir a antiga instalação que a Mercedes mantinha em Virrey del Pino, também em Buenos Aires, a qual foi repassada a um produtor local de vans da marca após processo de spin-off promovido pela Daimler em 2021. A planta de Zárate, portanto, é uma unidade da divisão caminhões e ônibus do grupo.
À época do spin-off, muito se especulou a respeito da continuidade da Mercedes-Benz na Argentina com produção local. Com a unidade de Zárate, a montadora diz sim ao país vizinho, onde mantém operações há 75 anos.
Produção enxuta acompanha tamanho do mercado

As linhas da fábrica nova arrancam com uma produção diária modesta, 17 unidades, que pode resultar em um volume anual de 10 mil unidades.
A quantidade justifica a escolha pela montagem CKD. No entanto, a montadora não descarta no futuro a possibilidade de agregar mais processos locais à unidade caso o mercado local passe a proporcionar mais volumes. No ano passado, foram emplacados na Argentina pouco mais de 18 mil caminhões.
Para a montadora, no entanto, a expectativa em torno do que se espera para o futuro desse mercado é uma boa razão para seguir produzindo na Argentina, e não atender às suas demandas a partir da produção da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que é muito maior em termos de capacidade industrial.
Brasil abastece operação argentina
Ainda assim, a fábrica do ABC Paulista exerce papel importante dentro da unidade de Zárate, uma vez que é ela quem abastece com peças a linha de montagem de onde saem os caminhões Atego, Accelo, e os chassis de ônibus OH e o OF. As unidades montadas na Argentina são armadas primeiro no Brasil, desmontadas e enviadas à Zárate.
A planta envolve uma grande área de armazenagem de peças que circunda uma única linha de montagem final. Não há estamparia, tampouco área de pintura. Tudo vem do Brasil: os chassis, as cabines pintadas, motores, transmissões, etc.
Logística definiu escolha por Zárate
O esquema de montagem CKD também definiu a escolha pelo município de Zárate. Além da cidade integrar uma espécie de polo automotivo local, a região fica próxima ao principal porto do país para escoamento de veículos, no caso, o Terminal Zárate.
