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Mercedes-Benz diz sim à Argentina com fábrica de US$ 110 milhões

Novas instalações em Zárate vão montar em regime CKD os caminhões Accelo e Atego, além de chassis de ônibus e peças remanufaturadas
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Bruno de Oliveira

08 mai 2026

3 minutos de leitura

Vista aérea da nova fábrica de caminhões da Mercedes-Benz em Zárate, Buenos Aires

A Mercedes-Benz iniciou um novo capítulo em sua história na Argentina ao inaugurar na sexta-feira, 8, uma nova fábrica no país, em Zárate, Buenos Aires. Ali montará em esquema CKD os caminhões Accelo e Atego, além de dois modelos de chassi de ônibus. O investimento no complexo, que também conta com uma área de armazenagem de peças, foi de US$ 110 milhões aplicados em cinco anos.

Nova planta substitui fábrica de Virrey del Pino

A nova fábrica surge para substituir a antiga instalação que a Mercedes mantinha em Virrey del Pino, também em Buenos Aires, a qual foi repassada a um produtor local de vans da marca após processo de spin-off promovido pela Daimler em 2021. A planta de Zárate, portanto, é uma unidade da divisão caminhões e ônibus do grupo.

À época do spin-off, muito se especulou a respeito da continuidade da Mercedes-Benz na Argentina com produção local. Com a unidade de Zárate, a montadora diz sim ao país vizinho, onde mantém operações há 75 anos.

Produção enxuta acompanha tamanho do mercado

Interior da nova fábrica de caminhões da Mercedes-Benz em Zárate, Buenos Aires

As linhas da fábrica nova arrancam com uma produção diária modesta, 17 unidades, que pode resultar em um volume anual de 10 mil unidades.

A quantidade justifica a escolha pela montagem CKD. No entanto, a montadora não descarta no futuro a possibilidade de agregar mais processos locais à unidade caso o mercado local passe a proporcionar mais volumes. No ano passado, foram emplacados na Argentina pouco mais de 18 mil caminhões.

Para a montadora, no entanto, a expectativa em torno do que se espera para o futuro desse mercado é uma boa razão para seguir produzindo na Argentina, e não atender às suas demandas a partir da produção da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que é muito maior em termos de capacidade industrial.

Brasil abastece operação argentina

Ainda assim, a fábrica do ABC Paulista exerce papel importante dentro da unidade de Zárate, uma vez que é ela quem abastece com peças a linha de montagem de onde saem os caminhões Atego, Accelo, e os chassis de ônibus OH e o OF. As unidades montadas na Argentina são armadas primeiro no Brasil, desmontadas e enviadas à Zárate.

A planta envolve uma grande área de armazenagem de peças que circunda uma única linha de montagem final. Não há estamparia, tampouco área de pintura. Tudo vem do Brasil: os chassis, as cabines pintadas, motores, transmissões, etc.

Logística definiu escolha por Zárate

O esquema de montagem CKD também definiu a escolha pelo município de Zárate. Além da cidade integrar uma espécie de polo automotivo local, a região fica próxima ao principal porto do país para escoamento de veículos, no caso, o Terminal Zárate.