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Mobilidade: brasileiro gasta quase duas horas com deslocamento todos os dias

Transporte público é preferência em 10 capitais analisadas por pesquisa, mas lotação e preço da tarifa são citados como problemas
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Victor Bianchin

25 set 2025

4 minutos de leitura

Foto: Cesar Lopes / Prefeitura de Porto Alegre

O tempo médio de deslocamento diário do brasileiro em 10 capitais é de quase duas horas. Os dados foram apurados em pesquisa feita pelo Instituto Cidades Sustentáveis com o Ipsos-Ipec, e fazem parte da Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, que será divulgada nesta semana.

O estudo entrevistou 3.500 pessoas que vivem nas cidades de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Capital paraense é onde brasileiro mais perde tempo com deslocamento

De acordo com o estudo, os brasileiros que vivem nessas capitais gastam, em média, 116,5 minutos com deslocamentos todos os dias.

Belém foi a cidade que registrou maior tempo médio de deslocamento, com 130,3 minutos. Enquanto Porto Alegre é a capital onde o brasileiro menos perde tempo com deslocamento: 94,5.

Tempo médio de deslocamento em 10 capitais brasileiras

  • Belém (130,3 min.)
  • Manaus (128,2 min.)
  • Salvador (122,2 min.)
  • Rio de Janeiro (118,9 min.)
  • São Paulo (118,5 min.)
  • Fortaleza (118,1 min.)
  • Recife (110,9 min.)
  • Belo Horizonte (107,2 min.)
  • Goiânia (98,6 min.)
  • Porto Alegre (94,5 min.)
  • MÉDIA TOTAL: 116,5 min.

Os meios de transporte mais usados pelos brasileiros para deslocamento

Meios de transporte mais usados nas 10 capitais pesquisadas

Segundo a pesquisa, o transporte coletivo segue sendo o principal meio de locomoção nas cidades brasileiras.

Na média das 10 capitais, 35% dos respondentes disseram que usam majoritariamente o ônibus/BRT, enquanto 8% usam o metrô, 5% optam por ônibus fretado/intermunicipal.

Além disso, 3% dos brasileiros usam trem para deslocamento, 2% vão de lotações, vans e similares e 1% usam VLT. No total, os modais de transporte público representam 54% das respostas.

O carro é o meio de transporte preferido por 18% dos brasileiros para seus deslocamentos, enquanto as viagens por aplicativo representam 9%, a moto corresponde a 3%, o táxi, 2%, as bicicletas, 1%, e as viagens a pé, 8%.

O perfil de quem mais utiliza o transporte público coletivo é composto por jovens, pessoas das classes mais baixas e com menor renda familiar. Entre os que usam transporte coletivo, 86% têm renda familiar mensal de até 2 salários mínimos.

A pesquisa também analisou os principais problemas do transporte público na opinião dos usuários. Estes foram os resultados:

Principais problemas do transporte público em 10 capitais brasileiras

  • Lotação (23% dos respondentes)
  • Preço da tarifa (20%)
  • Segurança (12%)
  • Estado/Condição dos veículos (10%)
  • Pontualidade (9%)
  • Frequência (9%)
  • Conforto (4%)
  • Acessibilidade para PCDs (3%)
  • Higienização/Limpeza (3%)
  • Ventilação (3%)
  • Outros (1%)
  • Não sabe (3%)
Os problemas mais urgentes nas 10 capitais pesquisadas

Os números mostram que a principal preocupação muda conforme o estado. Em São Paulo, o principal problema apontado é a lotação (32% dos entrevistados), enquanto em Manaus é a tarifa (30%), em Belém são as condições do veículo (20%) e, em Porto Alegre, a frequência (22%).

Tarifa é desafio no transporte público

A tarifa continua sendo uma grande barreira para que a população tenha acesso a serviços e lazer. Mais da metade dos entrevistados (60%) afirmou que deixa de visitar amigos ou familiares que moram em outros bairros por causa do preço da passagem, enquanto 56% disseram que já deixaram de ir a parques, cinemas ou outras atividades de lazer pelo mesmo motivo.

Além disso, 48% dos entrevistados afirmaram já terem deixado de ir a consultas médicas ou exames para não gastar com a tarifa de ônibus, ao passo que 44% não saíram para procurar emprego por esse motivo.

Outro ponto levantado na pesquisa é que 82% dos entrevistados não se sentem seguros transitando a pé. Entre esse grupo, 87% são mulheres e também 87% usam o transporte público com maior frequência. O maior índice de insegurança foi registrado no Rio de Janeiro (86%) e o menor, em Goiânia (63%).