
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou uma nova rodada da sua pesquisa Índice de Qualidade da Mobilidade Urbana (IQMU), que é realizada desde 2020 sem periodicidade definida. Três capitais foram analisadas e receberam notas em uma escala de 0 a 10.
Segundo a pesquisa sobre transporte, São Paulo recebeu nota geral 5,4; Belo Horizonte recebeu 4,8 e o Rio de Janeiro, 4,6.
Índice é calculado sobre diferentes pilares
As notas foram montadas a partir de dados coletados em entrevistas presenciais nessas cidades no mês de abril. O IQMU é calculado a partir de uma combinação de dados objetivos e subjetivos distribuídos em diferentes dimensões, tais como infraestrutura, segurança, tempo e custo.
A pesquisa apurou que, nas três cidades, o perfil das viagens é bastante comum: a maioria ocorre por motivo de trabalho, com mais de 50% das respostas apontando para o período de 1h entre origem e destino, incluindo as caminhadas de até 15 minutos desde a origem e para o destino.

A exceção entre as cidades ocorre apenas na quantidade de trocas entre modos de transportes. Em Belo Horizonte, mais de 40% efetuam pelo menos uma troca, enquanto mais de 50% dos cariocas e dos paulistanos conseguem atingir os seus destinos usando um modo de transporte apenas.
Isso acontece principalmente devido à falta de trens e metrôs na capital mineira, de acordo com a pesquisa.
Os diferentes modos de transporte foram avaliados individualmente. São Paulo liderou em todos os quesitos, mas as notas, de forma geral, foram baixas, especialmente para o transporte público (4,5), o pior avaliado.
O Rio é a pior cidade para os automóveis particulares (nota 3,8) e BH é a pior para as bicicletas (também 3,8). Confira:

Os usuários apontam a violação constante das leis de trânsito no uso de veículos particulares e a lotação dos transportes públicos como fatores preponderantemente negativos. Ambas afetam frontalmente o conforto e a segurança da viagem.
Ao destrinchar os quesitos pesquisados para a categoria de transporte público, é possível ver que Belo Horizonte se sai melhor nos aspectos de atendimento e acessibilidade, enquanto São Paulo vence em limpeza e conforto e o Rio em tempo de espera e tempo de viagem. São Paulo é a pior avaliada no quesito de gasto com a tarifa de transporte.

De modo geral, São Paulo se destaca em transporte público, com investimentos em corredores de ônibus e expansão da malha metroviária. Mas ainda sofre com congestionamentos e longos tempos de viagem.
O Rio enfrenta problemas severos de integração física e tarifária entre modos, e também congestionamentos abundantes, principalmente nas vias expressas.
Em Belo Horizonte, a falta de diversidade modal se traduz em ônibus sobrecarregados. Tudo isso impacta diretamente na qualidade de vida urbana.