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Mercado

Para montadoras de veículos, mercado global está imprevisível

Agenda econômica dos Estados Unidos impõe desafios à indústria brasileira, que já produz carros com custos mais altos
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Bruno de Oliveira

11 fev 2025

3 minutos de leitura

As vendas de veículos realizadas no país iniciaram o ano no mesmo ritmo de janeiro de 2024, mês considerado uma base baixa de comparação já que, à época, o mercado vivia à sombra do crédito restrito e juros que deixavam os financiamentos pouco atraentes ao consumidor.

Naquele momento, em 22 dias úteis, os emplacamentos vinham em uma média diária de 7,34 mil unidades/dia, volume um pouco menor na comparação com a média de janeiro de 2025: 7,44 mil unidades/dia.

Não apenas os números são parecidos, como também segue igual o cenário de juros altos e crédito ainda para grupos restritos de consumo. Mais: ao cenário econômico, somou-se a instabilidade global provocada pela agenda protecionista do governo dos Estados Unidos, com reflexos diretos na produção de veículos por aqui.

Montadoras de veículos ligam o sinal amarelo

Tudo isso levou as montadoras do país a ficarem em estado de alerta a respeito do ambiente de vendas no país, muito exposto aos ventos que sopram de outros mercados.

“Não há dúvidas de que falta previsibilidade neste momento, ainda que nossa visão aponte para o crescimento”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, na segunda-feira, 10, durante a apresentação dos resultados do setor obtidos em janeiro.

O representante da entidade afirmou que, hoje, está mais caro produzir veículos no Brasil, com o aumento dos custos com matéria-prima, logística e energia, por exemplo. Segundo Leite, cada marca adotará uma estratégia diferente para repassar – ou não – esse custo maior no preço final dos veículos para equilibrar as contas.

Caso haja reajustes, a situação das vendas pode complicar ainda mais para o cliente pessoa física, que já encontra forte restrição no crédito e no financiamento. Sem mencionar que o tíquete médio dos veículos, cada vez mais alto, torna a situação mais complexa em termos de acesso ao modelo zero quilômetro.

O jogo de cintura para manter os preços onde estão, por outro lado, impõe desafios às montadoras que terão de ser mais criativas para absorver os custos maiores sem comprometer as contas. Neste caso, a indústria já mostrou em diversas oportunidades que espaços para essas manobras se mostram cada vez mais estreitos.

Vale lembrar, por exemplo, que não faz muito tempo que as montadoras tiveram de recorrer à Brasília (DF) para que o consumo de veículos no país voltasse a mostrar sinais de aquecimento. Desse movimento surgiu um plano de socorro que promoveu descontos subsidiados nos preços de veículos novos no país.

Indústria almeja mercado local de 3 milhões de veículos

A medida paliativa injetou unidades a mais nas vendas que vinham baixas, e de lá pra cá as vendas no mercado interno, ainda que tenham aumentado o seu volume, não se mostraram consistentes a ponto de indicarem um crescimento substancial nos próximos anos.

Tanto que a indústria segue com forte interlocução no governo federal para que outras formas de auxílio possam sair do papel, como o tão sonhado programa de renovação de frota que, para além do seu cunho ambiental, tem também forte apelo comercial.

O ano passado terminou com cerca de 2,6 milhões de unidades vendidas, e janeiro começou com 171,2 mil unidades vendidas, o melhor resultado para o mês pelo menos dos últimos três anos. A indústria persegue 3 milhões de unidades/ano, mas, de novo, os panoramas interno e global se mostram ainda mais desafiadores.