
O programa Move Motoristas está sendo definido pelo governo em Brasília (DF) e os principais pontos da discussão giram em torno de dois fatores que preocupam as fabricantes de veículos: conteúdo local como critério para definir empresas participantes e acesso ao crédito.
A princípio o governo estabeleceu apenas o preço como ferramenta de corte no processo, com programa contemplando no seu escopo modelos que custam até R$ 150 mil. Isso despertou as atenções de fabricantes com produção local, que avaliam que o corte pelo preço favorecerá marcas chinesas com operação comercial por aqui.
Conteúdo local como critério de seleção
“O conteúdo local é algo que, sim, está sendo discutido, até para se manter o nível de competição com empresas que não têm uma cadeia tão densa como a nossa”, disse à reportagem o CEO da Volkswagen, Ciro Possobom, na quinta-feira, 14, no evento São Paulo Innovation Week.
O acesso ao crédito é algo que também chama a atenção. Uma das categorias contempladas pelo programa, a de motoristas de aplicativo, é vista como parte integrante do grupo de brasileiros que hoje se encontram afastados dos financiamentos por causa das taxas de juros praticadas pelos bancos.
Acesso ao crédito: o gargalo para motoristas de app
“Os motoristas de Uber, assim como muitos brasileiros, enfrentam dificuldades de acesso ao crédito, dificuldade de terem as fichas aprovadas. O governo está vendo como isso poderia ser resolvido. Não adianta subsidiar se quem contrai a dívida não tem como entrar no programa”, contou o executivo da Volkswagen.
“Esse grupo tem um perfil muito diferente dos caminhoneiros”, completou Possobom.
Por ora, o crédito que será oferecido pelo Move Motoristas envolve juros mais baratos do que aqueles praticados no mercado, baseados na Selic, algo em torno de 12% ao ano com carência de seis meses. De acordo com o executivo, os bancos das montadoras podem fazer algo para aproximar esses motoristas da aprovação de crédito, ainda que tudo esteja sendo estudado nesse sentido.
O executivo comentou, ainda, que o volume de recursos que o programa deverá movimentar em uma esquema envolvendo BNDES e o Tesouro Nacional será “muito maior” do que os R$ 10 bilhões envolvidos no Move Brasil, programa similar criado para contemplar frotistas de caminhões.
