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Museu quer fazer dos automóveis o fio condutor da história do país

Situado em Campos do Jordão, memorial reúne 100 veículos em meio a obras de artistas famosos, intervenções de povos originários e seções interativas
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Fernando Miragaya

13 nov 2024

3 minutos de leitura

Aston Martin DB5 (esq.), Porsche Carrera 356 (centro), Jaguar E-Type (encoberto) ao lado de obras de artistas como Djanira (quadro maior)

Você já deve ter lido ou escutado que o carro se confunde com a história. Um museu em Campos do Jordão (SP) resolveu transformar essa premissa em um memorial que costura automóveis antigos, fatos relevantes da história do país, obras de arte e peças históricas.

Acrônimo de “Carros, Arte, Design e Educação”, o Carde Museu acaba de ser apresentado na cidade turística da Serra da Mantiqueira. Erguido pela Fundação Lia Maria Aguiar, reúne 100 veículos de diferentes épocas divididos em ambientes temáticos e temporais.

Em meio às obras de arte sobre rodas, obras de artistas como Candido Portinari, Djanira, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres. Artistas indígenas também estão presentes, como Caripoune Yermollay e Rudá Jenipapo.

Joias raras de negros escravizados dos séculos 18 e 19 e peças históricas convivem não só com carros, como com painéis e totens de LEDs com informações sobre os itens e os veículos expostos. Além de imagens de fatos e de movimentos importantes do país e cenografias que remetem à época.

Ainda há o curioso contraponto na voz da ativista ambiental indígena Daiara Tukano, que questiona os impactos da cadeia automotiva no meio ambiente.

Carros icônicos, nacionais e internacionais

Isotta Fraschini exposto no Carde Museu é um dos automóveis únicos do acervo

Entre os veículos, modelos dos anos 1890 aos anos 2000. Fica até difícil destacar, mas entre as raridades, um Isotta Fraschini exclusivo cuja customização foi concluída em 1925 e que tem design assinado pela Carrozzeria Castagna.

Tem ainda joias raras… sobre rodas. Um Benz 10/30 PS Limousine Landaulet dos anos 1910 e um Hispano-Suiza 30-40 HP Series 95 ano 1911 são algumas preciosidades.

Sem falar dos modelos nacionais e clássicos. Como FNM JK 2000, Karmann-Ghia e Ford Maverick GT. E belezuras atemporais, como Jaguar E-Type e Aston Martin DB5 – em breve você vai ler aqui na AB alguns dos principais automóveis do museu.

“Por mais que a pessoa não seja apaixonada por automóvel, ela vai parar por aquele momento para observar aquele carro. E a gente vai jogando história, arte, social. É uma oportunidade de pensar e adquirir conteúdo”, enaltece Luiz Goshima, diretor-executivo do museu e colecionador de carros clássicos.

Curadores e historiadores costuraram conceito do museu e dos automóveis

Veículos na sala da Era Vargas, como o Auburn 851 (dir.), o Daimler Light Straight Eight (centro) e o Chrysler Town and Country (cortado) convivem com obras de Di Cavalcanti

Muitos dos automóveis do acervo foram cedidos pelos próprios Luiz e Lia Maria Aguiar. Outros foram adquiridos da coleção de Og Pozzoli, um dos maiores antigomobilistas do país, que morreu em 2017. Sem falar em unidades arrematadas em leilões no exterior – algumas repatriadas.

O design do museu ficou a cargo de Gringo Cardia. João Pedro Gazineu cuidou da curadoria automotiva, enquanto a curadoria de arte é do professor Felipe Scovino, da UFRJ. A pesquisa reuniu 15 historiadores e foi liderada pela professora Heloisa Murgel Starling, da UFMG.

Os guias são todos formados pela Fundação Lia Maria Aguiar, que faz trabalhos sociais e no âmbito da saúde na região de Campos do Jordão. O museu, inclusive, terá um curso de reforma e restauração de automóveis para jovens.

A inauguração oficial do Carde Museu está programada para o dia 28 de novembro.