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Marcas premium

Novo Audi Q3 chega mais potente e mais caro que rivais

Andamos na terceira geração do SUV que já é montado no Brasil em duas configurações de carroceria e com tração integral quattro
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Fernando Miragaya

15 mai 2026

8 minutos de leitura

Novo Audi Q3 2026
Novo Audi Q3 usa plataforma MQB – Foto: Fernando Miragaya / AB

Você pode até duvidar, mas até as marcas premium têm seus SUVs “de entrada”. Só reforço as aspas aí porque o novo Audi Q3 é um representante deste nicho de mercado que custa caro – e chega mais caro que seus rivais.

Pois é, a Audi acaba de lançar a terceira geração do Q3 no Brasil em duas configurações de carroceria. A SUV sai por R$ 389.990 e a Sportback – com caimento cupê da terceira coluna – custa R$ 399.990.

Desta forma, o novo Audi Q3 é mais caro que seus rivais diretos, o BMW X1 (de R$ 330.950 a R$ 385.950) e o Mercedes-Benz GLA (entre R$ 359.900 e R$ 383.900, sem incluir a versão esportiva preparada pela AMG). A seu favor, o SUV das argolas é bem mais potente e o único com tração integral.

Motor ganhou mais potência no novo Audi Q3

Novo Audi Q3 2026
SUV ficou 1,1 segundo mais rápido – Foto: Fernando Miragaya / AB

O modelo – que já começou a ser montado em São José dos Pinhais (PR) em sistema SKD – chega com a evolução do motor 2.0 EA888. São 258 cv, mais que os 231 cv da geração anterior, enquanto o torque foi de 34,6 kgfm para 37,7 kgfm.

Com nova turbina de 300 bar e novo mapeamento do câmbio S tronic de dupla embreagem, a promessa é de respostas mais rápidas e menos turbo lag. O torque, por exemplo, aparece mais cedo, a 1.650 rpm.

Com isso, segundo a Audi, o 0 a 100 km/h do novo Q3 agora é feito em 5,9 segundos, 1,1 segundo mais rápido que o antecessor. Na prática, vamos contar daqui a pouco como se comporta o SUV na cidade e na estrada.

Estilo mais robusto e arrojado

Novo Audi Q3
Linha de cintura e caixas de rodas altas – Foto: Fernando Miragaya / AB

No design, a nova geração do Q3 ficou com um porte mais robusto. Capô elevado e liso, apenas com vincos nas extremidades, e a grande entrada de ar escura dispensa cromados – até mesmo a marca das quatro argolas leva acabamento preto brilhante.

O conjunto óptico traz as luzes de condução diurna configuráveis em três opções e em lentes finas. As luzes auxiliares foram posicionadas nas pontas do para-choque.

A lateral tem linha de cintura alta e é predominantemente limpa, apenas com um vinco na parte inferior das portas. Os paralamas são evidenciados por um arco e chama a atenção a distância para as rodas aro 19” com pneus 255/45.

A traseira parece uma mistura de conceitos – muitos sendo usados à exaustão na indústria automotiva. As lanternas em forma de ondas são bacanas, mas a luz de freio está em uma lente trapezoidal na ponta do para-choque.

Tem ainda o filete iluminado que liga essas luzes, mas que também serve de setas dinâmicas indicadoras de direção. Para completar, a marca das quatro argolas igualmente iluminada.

Bem equipado, mas deve itens obrigatórios

Novo Audi Q3
Central multimídia permite espelhamento sem fio e painel tem fundo cinza – Foto: divulgação

O novo Audi Q3 é vendido em versão única (para cada carroceria) com lista de equipamentos condizente com o preço. O modelo recebe pacote ADAS com ACC, frenagem autônoma de emergência, assistente ativo de permanência em faixa, detector de fadiga e sistema que grava os últimos 50 metros e os refaz em marcha-a-ré.

O SUV é equipado ainda com sete airbags e retrovisores com aquecimento e rebatíveis eletricamente, além de câmera de ré.

O quadro de instrumentos eletrônico e configurável Virtual Cockpit agora é em display de 11,9”, com novo layout e fundo cinza. Está integrado à tela de 12,8” da central Audi MMI com espelhamento de celular sem fio.

Os bancos dianteiros oferecem ajustes elétricos, memória e aquecimento, enquanto o ar conta com três zonas de temperatura. O sistema de som tem potência de 260W RMS com 10 alto-falantes e quatro configurações de graves e agudos.

Volante esportivo com aletas para trocas de marchas, soleiras de alumínio e painel com parte do acabamento de aço escovado completam o design da cabine.

Apesar disso, tem aqueles vacilos. O Q3 esqueceu de oferecer sensores de ponto cego dentro do ADAS, coisa que até o Chevrolet Onix tem. E uma câmera 360 para um carro de marca premium e perto dos R$ 400 mil não é pedir demais.

Primeiras impressões ao dirigir

Novo Audi Q3 2026
Linhas limpas e capô alto conferem aparência robusta ao Q3 – Foto: Fernando Miragaya / AB

O primeiro contato com o novo Audi Q3 foi em uma viagem bate e volta de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo (SP), até Nova Odessa. Ao todo foram 270 km e cerca de 4h30 a bordo do SUV.

Caio na cilada de começar o test drive. Os dois amigos paulistanos a bordo – Leandro Álvares, do canal “De carona com Leandro”, e Renato Maia, do canal “Falando de carona” – disseram que era bom “para eu sentir a realidade da cidade.”

No engarrafamento sem fim da Marginal Pinheiros pude sentir já o nível de construção e conforto do Q3. Bancos macios e com ótima densidade, volante com partes retas de ótima pegada e aquela sensação de bem-estar a bordo.

Mesmo com buzinas e motos no caos metropolitano, o silêncio na cabine é notável. A Audi colocou vidros duplos nas janelas dianteiras, o que contribui para um tratamento acústico exemplar.

Nas pequenas imperfeições do asfalto, logo se percebe que estamos em um SUV com acerto firme – como se espera de um modelo da marca alemã. A suspensão bate mais dura, sem abalar o conforto já citado.

Ganho a Rodovia dos Bandeirantes e todo esse acerto é elevado à quarta potência na estrada. Feito sobre a plataforma MQB Evo, o novo Audi Q3 esbanja aquela dinâmica alemã.

A carroceria vai no prumo e a direção é direta. O isolamento acústico continua excelente e é preciso tomar cuidado pois, a 120 km/h permitidos, parece que estou a 80 km/h.

Só não espere um comportamento brutal. Mesmo ao mudar para o modo Dynamic no Audi Drive Select, o Q3 responde até prontamente, mas sem aquele trânsito.

O turbo lag diminuiu como prometido. Porém, a sensação é de que a Audi priorizou no novo Q3 uma tocada um pouco mais confortável que nas gerações anteriores.

Não que o carro seja moroso! Pelo contrário. Nas retomadas, com seus 258 cv e 37,7 kgfm, chegar aos 120 km/h é tarefa simples – e, como dito, até passível de distração. Só não espere aquela pressão do corpo contra o banco.

Radinho de pilha

Novo Audi Q3
Acionamento da seta é diferente e o do limpador, no botãozinho giratório – Foto: divulgação

O espaço é outro ponto de destaque. No banco traseiro, mesmo com o dianteiro bastante recuado, tenho vão suficiente para joelhos e pés. Sem dúvida, a geração mais espaçosa do Q3.

Vale lembrar que o banco traseiro é corrediço, o que ajuda o porta-malas a chegar a 575 litros de capacidade. O encosto traseiro ainda é tripartido.

O novo Q3 chama a atenção ainda na dirigibilidade. A central multimídia maior é fácil de operar e o quadro de instrumentos eletrônico agora espelha o mapa (seja do Waze, do Maps ou o nativo do sistema) em um espaço maior na tela.

Os porta-copos e porta-objetos no console central são práticos. E o nível de acabamento é condizente para um carro com este preço.

Um detalhe curioso é a barra atrás do volante. De um lado ela traz o elegante seletor de marchas. Do outro, as setas em um comando mais quadrado e embutido em vez de uma haste.

E cadê o acionamento do limpador de para-brisa? Está num botãozinho giratório que lembra o botão de volume de um radinho de pilha.

Sim, você vai ligar o limpador sem querer em algum momento que for acionar a seta. Mas é questão de tempo para se acostumar.

Q3 se complica no posicionamento

O novo Q3 mostrou ser um carro divertido que esbanja a qualidade da engenharia alemã e traz o refinamento de uma marca premium como a Audi. É mais potente que os rivais, todavia o preço mais caro força o carro a se valer mais da fidelidade da clientela.