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Passada a eleição, montadoras de veículos negociam cotas de importação com o governo

Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, Anfavea apresentou, de novo, preocupação com o crescimento dos emplacamentos de veículos importados

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Karen Sousa

30 out 2026

3 minutos de leitura

Pátio com veículos importados ao lado de navio cargueiro

A Anfavea, associação que representa parte das montadoras no Brasil, levou mais uma vez ao governo federal suas preocupações a respeito do avanço das importações de veículos no mercado doméstico. Representantes da entidade se reuniram com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), na quinta-feira, 29, para tratarem do tema.

De acordo com a Anfavea, foi apresentada na reunião um balanço do comportamento do mercado automotivo nos últimos dez anos, considerando os veículos leves, pesados e máquinas agrícolas e de construção. O presidente da entidade, Igor Calvet, reiterou à AB que a associação considera preocupante o crescimento das importações sem que haja o compromisso da produção de veículos no país.

“O principal alerta é a assimetria competitiva entre veículos produzidos no Brasil e importados, o que pode comprometer investimentos, empregos e o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional”, disse.

A associação ainda sugeriu que medidas fossem tomadas para controlar as importações em um nível saudável que não prejudique as vendas internas. Algumas das ideias consideram salvaguardas comerciais temporárias, com sobretaxa para veículos importados por empresas sem produção nacional, a criação de uma CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) automotiva sobre importações, além de definição de cotas para veículos chineses.

“Uma das ideias prevê a negociação com a China de cotas de importação equivalentes a 2,5% a 3% no mercado brasileiro, o que representaria cerca de 75 mil a 90 mil veículos por ano para empresas que não possuem etapas fabris no país. A discussão considera também os eletrificados, acompanhando experiências internacionais de adoção de tarifas e limites de importação”, completou Calvet.

Segundo ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin se comprometeu a encaminhar as sugestões do setor às áreas técnicas e jurídicas do governo. Sem decisões concretas ou prazos definidos, a expectativa é retomar as discussões sobre o tema em novembro.

Importações subiram 30,4% até setembro

O cenário do mercado de veículos importados é de crescimento. Entre janeiro e setembro, houve um aumento de 30,4% nos emplacamentos de importados, considerando automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, em comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, foram 463,9 mil unidades importadas licenciadas nos primeiros nove meses, segundo dados da Anfavea.

Esse resultado é puxado pelo volume de veículos leves, que registraram 459,4 mil emplacamentos de importados até setembro. Os pesados, que abrangem caminhões e ônibus, somaram 4,5 mil licenciamentos.

A maior parte dos veículos importados são modelos eletrificados. De acordo com os dados da entidade, do total das unidades que vieram de fora no acumulado do ano, 262 mil são elétricos ou híbridos. Esse volume corresponde a um avanço de 82,7% em comparação com os primeiros nove meses do ano passado.

E a China é o destaque entre os países de onde o Brasil mais importa, com 254,9 mil unidades chegando em território brasileiro entre janeiro e setembro, número que representa uma alta de 106,4%. Os veículos de origem chinesa já detém mais da metade das importações totais e ocupam uma fatia de 11,3% do mercado interno.

Além do destaque no mercado de automóveis, a China também aparece conquistando espaço entre as máquinas agrícolas. De janeiro a setembro, as importações de tratores agrícolas vindos da China cresceram 117%, com 5,2 mil unidades. Já as importações gerais de tratores cresceram 42% no mesmo período.