
A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívida não garantida com credores e detentores de títulos. O comunicado foi divulgado na quarta-feira, 11.
Há meses, a joint venture entre a Shell e a Cosan buscava maneiras de fortalecer sua estrutura de capital e lidar com seu endividamento significativo devido a altos gastos e ao impacto das condições climáticas nas plantações de cana-de-açúcar.
Recuperação extrajudicial da Raízen depende de aprovação
Segundo o documento, a recuperação judicial visa “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias do Grupo Raízen”.
O plano prevê aporte de capital pelos acionistas, conversão de créditos em ações, substituição de dívidas, reorganização societária para separar negócios e venda de ativos do grupo.
A empresa comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que os credores que detêm 47% da dívida já aprovaram a proposta. A Raízen terá 90 dias para obter percentual mínimo de adesão para a aprovação final do plano de recuperação extrajudicial.
Com a notícia da aprovação do plano e da reestruturação extrajudicial, as ações da Raízen caíram até 17% no início do pregão de quarta-feira, 11.
A crise financeira da Raízen
Maior produtora de açúcar do mundo, a Raízen enfrenta desafios financeiros crescentes devido a altos gastos de capital, condições climáticas desfavoráveis e incêndios florestais, que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de moagem de cana.
Anteriormente, a joint venture chegou a expressar “significativa incerteza” sobre sua capacidade de continuar operando.
Contudo, após o plano de recuperação extrajudicial, a Raízen afirmou que as operações continuam normalmente. De acordo com a companhia, o acordo tem escopo limitado e não afeta dividas e as obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e ou outros parceiros de negócio.
Um porta-voz da Shell disse à agência de notícias Reuters que apoia a reorganização e ela é necessária para lidar com os significativos desafios financeiros da joint venture.
Já a Cosan, em comunicado regulatório, afirmou que a reestruturação não tem impacto sobre as obrigações, operações, estrutura de capital ou posição financeira, e suas atividades e relações comerciais permanecem inalteradas.