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Recarga rápida não tem afetado vida útil das baterias de carros elétricos

Levantamento mostra que durabilidade das peças se mantém bom, apesar do aumento de aparelhos de corrente contínua
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Redação AB

06 fev 2026

3 minutos de leitura

Aquela premissa de que a recarga rápida de carros elétricos reduz a durabilidade das baterias (ainda) não tem causado grandes estragos. Pelo menos é o que mostra um estudo recente.

Segundo levantamento da Geotab, empresa do ramo gestão de frotas e conectividade veicular, apesar do avanço nos pontos de recarga rápida de veículos elétricos (BEVs), as baterias seguem com bom desempenho ao longo da vida útil.

A pesquisa de 2025 apontou um nível de degradação médio anual das baterias de BEVs de 2,3%. O estudo anterior, de 2024, teve um índice de 1,8%

“A integridade das baterias permanece elevada, mesmo com o avanço das recargas rápidas e a maior intensidade de uso dos veículos”, afirma Charlotte Argue, gerente sênior de mobilidade sustentável da Geotab.

Recarga rápida e clima influenciam na capacidade das baterias

Mesmo assim, a companhia ressalta que o nível de potência da carga se consolidou como o principal fator associado ao envelhecimento das baterias. BEVs que usam mais frequentemente a recarga rápida em corrente contínua (DC) acima de 100 kW registraram desgaste mais acelerado das baterias, com média de até 3% ao ano.

Já os carros elétricos que carregam predominantemente em corrente alternada (AC), ou em potências mais baixas, tiveram degradação das baterias de 1,5% ao ano.

Além da recarga rápida, a vida útil das baterias de BEVs também é suscetível ao clima. De acordo com a Geotab, nas regiões mais quentes, a degradação foi, em média, 0,4 ponto percentual mais alta a cada ano em relação a áreas de clima mais ameno.

Outro ponto observado pela pesquisa é que os veículos que operam com maior variação no nível de carga ao longo do tempo não apresentaram aumento relevante de degradação. O desgaste é maior quando o veículo permanece por longos períodos com a bateria próxima de 100% ou muito perto do nível mínimo.

Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta que os BEVs com uso diário mais intenso registraram degradação um pouco mais rápida: cerca de 0,8% ao ano, na comparação com os de uso mais leve.

Frotistas devem buscar equilíbrio nas recargas

Ainda assim, no caso de frotas, o efeito é considerado modesto. E pode ser compensado pela otimização operacional e redução de custos por quilômetro rodado.

“A durabilidade ainda supera os ciclos de substituição normalmente previstos no planejamento das frotas. A principal mudança é que os hábitos de recarga passaram a ter impacto direto nos índices de degradação, o que abre espaço para reduzir riscos no longo prazo com estratégias mais inteligentes”, diz Charlotte.

“Para frotas, o foco deve ser o equilíbrio. Vale optar pela menor potência de recarga compatível com a operação. Isso pode ajudar a preservar a saúde da bateria no longo prazo, sem comprometer a disponibilidade do veículo”, sugere a executiva.

A pesquisa analisou dados reais de saúde das baterias de mais de 22 mil veículos elétricos, de 21 marcas e modelos diferentes, com base em dados de telemetria.