
O mercado de comerciais leves no Brasil pode ainda ser tímido em volumes absolutos. Mas não para de crescer e se tornou estratégico para as montadoras. A Toyota é a mais nova marca a entrar nesta estratégia com a linha de vans da Hiace.
A divisão de comerciais leves já tem quase 60 anos de história e mais de 6 milhões de unidades vendidas em todo o mundo. Porém, só agora chega ao mercado brasileiro, em sua sexta geração.
Desembarca em um momento de ascensão plena do segmento, que vai triplicar em 15 anos. Em 2016, foram 14,5 mil furgões e vans emplacados no Brasil. Em 2024, esse número passou para 37,5 mil. E em 2030, deve alcançar 42,5 mil.
Diante deste cenário, é fato que a Toyota até demorou a entrar no mercado. O curioso é que, nem ao estilo da marca, também não demonstra estar com qualquer pressa. A linha Hiace, por exemplo, começa só com a versão van Minibus de 16 lugares (15+1), por R$ 364.990.
Até o fim do ano chegam as configurações para carga. Para 2026, modelos adaptados para ambulância e transporte escolar.
A discrição também se dá na produção, em Zárate, na Argentina, com 3 mil unidades/ano – 2 mil delas para o Brasil. Para fins de comparação, o líder de comerciais leves, o Renault Master, já teve mais de 9 mil licenciamentos de janeiro a julho.
A montagem na unidade argentina faz parte do investimento de US$ 50 milhões feitos no país. Dentro de uma lógica industrial bastante racional.
Isso porque as vans e furgões da Toyota usam o mesmo powertrain da Hilux. A picape média é fabricada na mesma planta.
Como é a linha de vans Hiace da Toyota
Como dito, a Hiace usa o mesmo conjunto da picape média mais vendida do país. O motor 2.8 turbodiesel trabalha sempre com câmbio automático de seis marchas e gera 174 cv de potência e 45,8 kgfm a 1.600 rpm.
Uma curiosidade é que a marca japonesa diz que não há qualquer plano de a linha de comerciais leves ter opções com câmbio manual. Na maioria dos concorrentes, as opções manuais são o carro-chefe.
“O mercado está descobrindo a transmissão automática para o ambiente de trabalho”, acredita Rogério Sasaki, gerente de planejamento de produto e preço da Toyota do Brasil.
A Hiace Minibus vendida no Brasil tem 5,91 metros de comprimento, 1,95 m de largura, 2,28 m de altura e 3,86 m de entre-eixos.
Segundo a Toyota, alguns detalhes no design da van foram otimizados nesta sexta geração em nome da eficiência energético e conforto acústico. Como a inclinação do para-brisa, a molduras das janelas dianteiras e arestas no conjunto ótico. O consumo, pelo PBEV, é de 8,5 km/l na cidade.
Além disso, a montadora tratou de dar aquela atenção ao pós-venda, ponto sensível em qualquer operação com veículos comerciais.
Desta forma, a gama Hiace oferece as três primeiras revisões grátis, enquanto as três restantes têm preço fixo de R$ 1.199, cada. A garantia é de 10 anos.
A Toyota garante que focou na capacitação da rede de concessionárias. As mais de 300 lojas adotaram novos procedimentos e atendimento prioritário para clientes Hiace.
Como anda a van da Toyota
A reportagem dirigiu a van da Toyota por três voltas no autódromo da Fazenda Capuava, no interior paulista. E o que mais a Hiace chamou a atenção foram em detalhes na dirigibilidade.
A posição de dirigir é mais parecida com a de um carro de passeio. Isso porque o motorista não se debruça tanto sobre o volante como na maioria dos comerciais leves.
O ângulo do volante ajuda nessa percepção. A alavanca do câmbio da Toyota Hiace é elevada e segue a lógica de outras vans e furgões.
Os exercícios de slalom colocados na pista, meio que pouco prováveis para o dia a dia no uso da van da Toyota, ao menos revelaram um veículo equilibrado. Nas curvas, a direção aponta bem.
No desempenho geral, contudo, o que se imagina em um modelo comercial.: acelerações e retomadas graduais – lembrando que estávamos com a van vazia.
O que chamou a atenção foi mesmo o baixo nível de vibração e ruído a bordo. Um dos diferenciais que a Toyota acredita que vá destacar a sua linha de vans e furgões neste mercado, ao que tudo indica, promissor.
