
Um novo estudo da Universidade de Michigan aponta que, na maioria dos casos, as pessoas que fazem viagens de ride-hailing por apps como Uber e Lyft escolhem esse modal pela economia de tempo que ele oferece.
A pesquisa analisou as viagens feitas por aplicativo na cidade de Chicago (EUA) por oito dias e observou que 99% delas poderiam ter sido feitas com transporte público. A vantagem de fazer a troca seria que o custo do transporte público é menor.
Por outro lado, na maioria desses casos, viajar de ônibus, metrô e afins levaria mais tempo (incluindo no cálculo os tempos de espera e de caminhada a partir ou até os pontos/estações). Portanto, o estudo conclui que a escolha de viajar por aplicativo como Uber e Lyft é por causa da economia de tempo.
Uber e Lyft podem ser vantajosos na equação tempo x custo
Segundo a pesquisa, a maior parte desse tempo extra consumido pelo transporte público é justamente nesses dois aspectos: espera pelo transporte e caminhada, ou seja, o trajeto de casa até o ponto/estação e do ponto/estação até o destino.
Mais da metade do tempo gasto em uma viagem de transporte público está associada com andar e esperar: 10 a 20 minutos de caminhada, em média, e de cinco a 20 minutos esperando, por viagem, em todos os modais. Já o transporte por aplicativo requer apenas cinco minutos de espera, em média.
O estudo também calcula o que chama de “breakeven value” (“valor de quitagem”), que seria um valor do custo total para o passageiro, que inclui não apenas a tarifa, mas o tempo que ele gasta andando e esperando. No contexto da pesquisa, o valor de quitagem é quando o custo de andar de Uber ou Lyft e o custo de ir por transporte público são iguais.
“Para os passageiros escolherem as viagens por aplicativo em vez do transporte público, o valor da viagem precisa superar esse valor de quitagem. O valor de quitagem médio em que os aplicativos e o transporte público têm o mesmo custo é de US$ 34 (R$ 193) por hora” diz o texto.
Ou seja: em uma viagem de 20 minutos, para que o usuário prefira usar transporte público a chamar um aplicativo, o valor da viagem no app deve superar os R$ 64, pelo menos no contexto da cidade de Chicago.
Vale lembrar que, nos EUA, os salários são pagos por hora, e o salário médio de Chicago é de US$ 33 (R$ 188), o que daria cerca de R$ 33 mil por mês (bruto) para alguém que trabalha oito horas por dia.
Viagens por aplicativo em São Paulo aumentaram
É possível que, no Brasil, onde o salário mínimo é de R$ 1.518 por mês, o valor de quitagem seja bem menor. Ainda assim, numa cidade como São Paulo, onde o salário médio é de R$ 5.049, esse tempo pode ser maior que a média nacional. Seria preciso um estudo brasileiro nos mesmos parâmetros para podermos saber.
O estudo ainda vai além e mostra que muitos passageiros que estão partindo ou indo para localidades onde a média salarial anual é de R$ 142 por hora (R$ 25 mil por mês se trabalham 8 horas por dia), o valor de quitagem excede seu salário.
“É possível que esses passageiros são forçados a fazer uma escolha financeiramente punitiva devido à oferta inadequada de transporte público”, aponta o texto.
Talvez esses dados ajudem a explicar porque, nos últimos anos, as viagens por aplicativo explodiram em São Paulo.