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Veículo brasileiro é o menor emissor de CO₂ do planeta, diz Anfavea

Estudo realizado pela entidade compara as emissões do poço ao túmulo de carros elétricos, híbridos e flex do Brasil com os de China, EUA e Europa
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Natália Scarabotto

30 out 2025

5 minutos de leitura

Um novo estudo da Anfavea conclui que os veículos brasileiros tem a menor emissão de CO2 do planeta. No comparativo do poço ao túmulo, os veículos brasileiros emitem menos do que aqueles que rodam em regiões como Estados Unidos, China e Europa.

Isso porque, diz o estudo, o país tem uma matriz energética 70% renovável e possui 50% de matriz elétrica renovável, o que torna os processos produtivos mais limpos e sustentáveis. Além disso, o Brasil é abundante em biocombustível, principalmente o etanol, que reduz a emissão durante o uso do veículo.

O estudo conclui que os carros elétricos brasileiros feitos com bateria ocidental são os mais sustentáveis: emitem apenas 11,2 toneladas de CO2 em todo o seu ciclo de vida. Logo em seguida estão os veículos equipados com motor de combustão ou híbridos que usam 100% etanol.

Enquanto isso, os elétricos na China emitem 33,5 toneladas de CO2 ao longo da vida útil, nos Estados Unidos a quantia é de 21,8 toneladas e na Europa 16,4 toneladas de CO2.

“A gente vê que o Brasil tem os veículos com menor CO2 do planeta, seja elétrico, combustão ou hibrido. A gente tem a vantagem de vários tipos de combustível e o nosso grid é muito mais limpo, assim como todo o processo da carreira”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

“Em ano de COP 30 o Brasil tem algo a mostrar de biocombustíveis para o mundo”, completou.

Anfavea mede pegada de carbono dos veículos

Nos veículos com motor de combustão, o estudo mostra que a pegada de carbono é maior no uso, o que significa que precisa melhorar o combustível e o processo produtivo. Já nos veículos que tem bateria, a etapa que mais emite pegada de carbono é a produção da componente.

“Qualquer tecnologia é mais sustentável quando a gente produz aqui. Temos um fator de competição de produzir, usar e reciclar. Aqui é mais limpo do que no resto do mundo”, afirmou Calvet.

Estudo compara diferentes veículos com vida útil de 160 mil km

O estudo foi feito em parceria com a consutloria BCG ao longo de 2025 com o objetivo de avaliar as emissões de CO2 em todo o ciclo de vida veicular no Brasil e compará-lo com Estados Unidos, Europa e China.

Para isso, o estudo consolida referências públicas e dados consagrados em relação ao setor nos países analisados.

O estudo compara veículos médios com motor ciclo Otto, híbridos e elétricos com vida útil de 160 mil km. Os pesados são analisados em diferentes tamanhos, incluindo longa distância com vida útil de 700 mil km.

Anfavea calculou impacto de carros com motor de combustão

O estudo comparou a emissão de toneladas de CO² ao longo de vida do veículo por país, considerando a propulsão e a medição do poço ao túmulo.

Nos veículos com motor de combustão o resultado revelou que os modelos fabricados no Brasil que usam etanol puro (E100) são os menos poluentes, emitindo 14 toneladas do CO2.

Os flex médios brasileiros emitem 28 toneladas de CO2, enquanto os modelos que usam E30 (gasolina com 30% de etanol na mistura) emitem 35,5 toneladas de gases.

Em comparação com outros lugares, a União Européia emite 34,5 toneladas de CO2 por veículo, os Estados Unidos emitem 44 toneladas e a China é a mais poluente com 51 toneladas de CO2 por veículos.

Elétricos são exemplo de descarbonização, mas China é alerta

Os elétricos brasileiros também são menos poluentes. Com bateria ocidental, eles emitem 11,2 toneladas de CO² e com bateria chinesa 14, 2 toneladas de CO2.

Esse valor ainda é baixo comparado aos veículos chineses, que emitem 33,5 toneladas de CO2 por veículo. Os dos EUA emitem em torno de 21 toneladas e, os da Europa, 16,4 toneladas de CO2.

“O elétrico rodando no Brasil emite menos da metade do que um carro rodando no país asiático, isso se dá por conta do grid. Quando a gente usa o carro no Brasil, pensando no ciclo de vida completa, traz uma vantagem competitiva grande porque o grid é maior”, ressaltou Calvet.

Brasil prova eficiência do etanol na descarbonização

Já os carros híbridos brasileiros movidos a etanol têm uma pegada de carbono muito menor frente aos híbridos dos demais países.

O híbrido brasileiro que usa 100% etanol emite 11,9 toneladas de CO2 em toda a sua vida útil, enquanto um flex médio emite 22 toneladas e um modelo movido a E30 emite 27 toneladas de poluentes.

A China é a mais poluente também nos híbridos plug-in, emitindo 39 toneladas de CO2 por veículo. Os EUA e a União Europeia emitem 33,6 toneladas e 32,7 toneladas, respectivamente.

“Isso mostra como a variedade do grid brasileiro é muito importante para fazer com que o combustível feito no Brasil e utilizado aqui tenha uma pegada de carbono menor do que em outros países”, disse Calvet.

Veículos pesados podem acelerar descarbonização

Em relação aos veículos pesados, os caminhões brasileiros elétricos são os mais sustentáveis do mundo (emitindo 78 toneladas de CO2). No entanto, os caminhões a bioediesel 100 ou diesel também são uma grande vantagem competitiva para o país e são menos poluentes que os demais países.

Os caminhões GNV ou biometano aparecerem como uma alternativa limpa para longas distância, com o Brasil se destacando frente a outros países. No biometano, a emissão por veículo é de 15, 2 toneladas, enquanto do GNV é de 1,110 toneladas.

Em comparação com modelos de outros países, os da Europa emitem 167 toneladas de biometano, e os dos EUA 194 toneladas. Os da China emitem 216 toneladas.

No caso dos caminhões movidos a GNV, os que circulam na Europa têm o melhor resultados em termos de emissões, com 1 tonelada emitida ao longo de sua vida útil.

“O GNV é uma opção importante, mas o biometano também já se mostra ali uma alternativa, apesar do uso limitado”, comentou Calvet.