
Foi em julho que a indústria registrou o maior volume de emplacamentos de caminhões do ano. No mês foram registradas 11,7 mil unidades, 10% a mais do que em julho do ano passado.
Os dados são do balanço mensal da Anfavea, a associação que representa parte das montadoras com operação no país, divulgado na sexta-feira, 7.
De acordo com a entidade, o resultado é reflexo das vendas realizadas durante o Move Brasil 2.
“Muito embora tenha crescido na comparação com o mês passado, no acumulado do ano, tanto em caminhões quanto em ônibus, continuamos amargando quedas sucessivas”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Recuperação em julho não reverte queda no ano
No acumulado de janeiro a julho, os emplacamentos somaram 60,6 mil unidades, 7,2% a menos na comparação com o desempenho visto no mesmo período no ano passado.
Nesse cenário, Calvet alertou que “com o fim do Move Brasil, a expectativa é de queda de 5% nas vendas em agosto, e números ainda piores a partir de outubro, novembro e dezembro”.
Em janeiro, a retração das vendas era bem maior, de 31%. Olhando para o acumulado do ano, no entanto, a indústria se recuperou, mas, para Calvet, o cenário ainda é de muitas incertezas e longe da normalidade.
“A gente vem acompanhando duas tentativas de programas específicos para caminhões, mas o que acontece nesse mercado é que os juros ainda estão muito altos, teve aumento de custo dos transportadores, alta do combustível, custos logísticos”, afirmou Calvet.
“Grande parte dos nossos clientes são produtores rurais que também têm período de adversidade, compressão das margens e queda no preço das commodities. Tudo isso gera incerteza no setor de caminhões. Estamos melhor que janeiro, mas ainda não é um bom resultado.”
Produção reage em julho, mas segue abaixo de 2025
A produção de caminhões, no entanto, apresentou estagnação em julho, apontou o balanço da Anfavea. No comparativo com julho de 2025, o patamar se manteve estável, com pequena alta de 0,4%.
Já no acumulado do ano, a produção de caminhões caiu 12% em relação ao mesmo período de 2025, somando 69 mil unidades.
Ônibus também acumulam quedas nas vendas e na produção
O setor de ônibus também registra uma fase ruim. No comparativo semestral, a produção caiu 3%, com 18.061 unidades fabricadas no país.
Em relação a junho, a queda foi de 8%. Já no comparativo com julho de 2025, o recuo chegou a 26%.
As vendas de ônibus também foram amargas. No acumulado do ano, foram 12.521 unidades emplacadas, queda de 10,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Só em julho, foram vendidos 2.223 ônibus, resultado 2% superior ao de junho. Já no comparativo com o resultado de julho do ano passado, a queda foi de 6%.
“Lembrando que para ônibus temos projeção de queda de 6% nos ônibus este ano, mas com a meta de 22 mil emplacamentos. De um mês para outro tivemos uma melhora da situação, mas ainda é abaixo do esperado”, afirmou Calvet.