
Quem apostou que o Volkswagen Tera seria mais um carro da oferta para atender demandas de nichos do mercado, errou. O mais novo SUV compacto da montadora é considerado por ela um modelo de volume.
Ao contrário dos irmãos maiores T-Cross, Nivus, Tiguan e Taos, o Tera nasce com a missão de se tornar um best seller. E ser produzido na fábrica de Taubaté (SP) tem a ver com isso.
Mas antes de explicar as razões, um breve contexto. No recém-criado segmento de SUVs compactos de entrada, no qual já figuram Fiat Pulse, Renault Kardian e Citroën Basalt, preço e design vão ditar o ritmo da concorrência.
Volkswagen Tera vai na base para atrair clientes de hatch
Note que todos eles surgem no mercado como alternativa mais avançada aos ainda milhares de consumidores de veículos hatches: oferecem mais tecnologia e curvas atraentes por um preço próximo ao dos compactos.
Por causa desses predicados, as montadoras acreditam que esses consumidores passam a considerar a compra de um “SUVinho” em vez de um hatch ou sedã – ainda que esses estejam sumindo do mapa automotivo.
A Volkswagen ainda não divulgou preços e as versões do Tera, o que deve acontecer ainda no primeiro semestre. Só se sabe que serão quatro configurações de acabamento e um pacote visual Outfit para a topo de linha que deverá se chamar High.
Mas a Stellantis já deu o tom da disputa com a estratégia comercial aplicada ao Basalt, que chega ao mercado com uma versão de entrada equipada com câmbio manual por menos de R$ 100 mil.
Briga no segmento de SUVs compactos será por preço
A Volkswagen ainda não confirma se também terá essa carta na manga com o Tera, mas produzi-lo em Taubaté é um forte indicador de que, sim, a montadora vai pra briga por preço no mercado.
A antiga unidade do Vale do Paraíba historicamente é reconhecida por ter, digamos, se especializado na produção de modelos de volume. O Volkswagen Gol, fabricado ali por anos, dispensa comentários a respeito.
Acontece que essa fábrica proporciona à montadora condições para que o custo de produção por unidade ali seja baixo. Baixo o suficiente para que haja espaço para que o seu preço final possa ser maleável em termos de ajustes.
“Taubaté tem o melhor custo de produção da Volkswagen no país”, disse o CEO Ciro Possobom, na última quinta-feira, 13, justificando o por que da fábrica ter sido escolhida para produzir o Tera.
Esse melhor custo, em termos mais práticos, se dá por algumas características da fábrica que a diferencia das demais.
Segundo Claudio Batista, o Claudião, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, a fábrica ofereceria condições para a aplicação de aportes menores na linha de produção para receber novos modelos.
Ao passo que as demais fábricas demandariam, segundo o interlocutor, cifras mais robustas na virada de produtos em suas linhas.
Taubaté tem melhor custo de produção
“Do Gol pra cá a linha mudou muito pouco em termos estruturais. O sistema de deslocamento das carrocerias é praticamente o mesmo. Temos aqui uma capacidade de adaptação muito boa com os mesmos equipamentos”, disse.
A Volkswagen vai investir em suas fábricas paulistas R$ 13 bilhões até 2028, mas não detalhou os recursos que cada unidade receberá. Portanto, não há como saber oficialmente qual delas será alvo de investimentos mais robustos.
De qualquer modo, a montadora divulgou que mais robôs foram adicionados à linha de produção do Tera, bem como novos equipamentos nas áreas de pintura e estamparia.
