
O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que cortes de custos mais profundos serão necessários para manter o grupo competitivo nos próximos anos. O anúncio foi feito em um comunicado interno da empresa, num cenário de reestruturação da marca, que já prevê cortes de até 50 mil empregos em quatro das suas fábricas na Alemanha. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.
Blume afirmou que os custos indiretos da montadora alemã permanecem 30% superiores em comparação com outras empresas do setor. Ele argumenta que essa situação precisa ser resolvida para que a empresa se mantenha competitiva.
A Volkswagen não está no seu melhor momento. Pressionada pelo crescimento das montadoras chinesas, a marca registrou queda de 26% nas vendas na China no primeiro semestre de 2026. Outros fatores como as altas tarifas sobre importações de carros para os Estados Unidos e a queda de demanda na Europa também resultaram num impacto para a empresa.
“A situação é mais do que crítica”, disse Blume no comunicado. Ele acrescentou que, embora a margem operacional abaixo de 4% seja sólida no ambiente atual, “ela não é suficiente para gerar fundos a longo prazo para novas tecnologias, novos produtos e nossas instalações”.
O grupo não revelou oficialmente o número de cortes adicionais de empregos, mas fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que a quantidade pode chegar a 50 mil postos de trabalho. Somado aos 50 mil cortes já planejados, a Volkswagen pode chegar a 100 mil cortes em todo o grupo, incluindo nas operações da Porsche e da Audi.
No comunicado, Blume menciona que “o número frequentemente citado de cerca de 50 mil empregos em todo o mundo não é uma meta fixa”. Ele adicionou que a quantidade foi derivada do objetivo de custo da empresa em relação à concorrência e serviu “como um indicador da escala de ação necessária”.
Em julho, a Volkswagen revelou planos para reduzir sua linha de modelos e diminuir a capacidade produtiva. No início de agosto, controladoras da VW aumentaram a pressão sobre as partes interessadas e exigiram esforços drásticos de reestruturação.
Oliver Blume prevê que quatro unidades da montadora na Alemanha – Hanover, Zwickau, Emden e a fábrica da Audi em Neckarsulm – não vão atingir níveis competitivos de utilização da capacidade produtiva em 2030, mas também ressaltou que ainda não há uma decisão oficial sobre o fechamento das unidades.
Segundo o CEO, houve progresso em algumas áreas das operações da Volkswagen, mas não é o suficiente para levantar completamente a montadora, mesmo sem considerar o cenário de pressão dos novos concorrentes da China e situação de suas fábricas na Europa.