
A virada do milênio foi de muita agitação e inovação no setor automotivo brasileiro. Carros marcantes do começo do século XXI pontuaram a inauguração de novas fábricas no Brasil e também forjaram novas categorias de veículos.
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Na segunda reportagem com os carros mais marcantes dos 30 anos de Automotive Business, separamos os principais lançamentos entre 2001 e 2005. Com direito a um modelo que mudou o jeito de enxergarmos os SUVs – e globalmente.
Os carros mais marcantes de 2001
Chevrolet Zafira

O segmento de minivans ficou animado no começo do século com a chegada da Chevrolet Zafira. Derivado de mais um projeto Opel, o monovolume foi apresentado em abril de 2001 no Brasil com motores 2.0 8V e 16V.
Espaçosa e confortável, foi a primeira minivan fabricada no país com opção de sete lugares. Por isso mesmo, foi um dos carros mais marcantes da GM no mercado, no qual durou até 2012, com mais de 100 mil unidades comercializadas.
Citroën Xsara Picasso

Meses depois foi a vez de a Citroën lançar a Xsara Picasso para disputar o segmento de minivans médias com Zafira e também a Scénic. Por aqui, chegou dois anos depois do similar europeu, com motor 2.0 16V com 118 cv de potência, e como primeiro produto da fábrica da PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ).
Mas o que fez da Xsara Picasso um carro marcante foi realmente o design ousado, condizente com o sobrenome famoso que carregava. Detalhe que, para usar o nome de Pablo Picasso, a fabricante teve de desembolsar cerca de R$ 600 milhões à época para a família do artista espanhol.
Peugeot 206

O 206 foi uma espécie de divisor de águas no segmento de compactos. Categoria acostumada a apenas projetos simples e robustos, o hatch da Peugeot chegou inicialmente importado, em 1998, com design refinado e ótimo coeficiente aerodinâmico (Cx 0,32).
O carro passou a ser fabricado na planta fluminense da PSA, em 2001. Também se destacava por motores mais modernos que os dos rivais daqueles tempos: o 1.0 16V de origem Renault e o 1.6, também 16V, que depois passou a ser montado em Porto Real.
Os carros mais marcantes de 2002
Chevrolet Meriva

E tome minivan. Depois da Zafira, a GM começou a produzir localmente a Meriva, meses depois do lançamento na Europa. Apesar da base “Opel”, o monovolume compacto é um projeto brasileiro, idealizado e desenvolvido pelo Centro de Design e Engenharia da GM, em São Paulo.
Espaço e versatilidade eram os destaques da Meriva. O sistema de rebatimento de bancos deixava o assoalho quase plano, o que facilitava o transporte de bagagens. Também foi a primeira minivan no mundo a ter motor flex, em 2003.
Volkswagen Polo

A quarta geração global do hatch da Volkswagen foi feita e lançada no Brasil em 2002. Trouxe inovações industriais para a categoria de compactos, como soldas a laser em cima da plataforma PQ24, além de direção com assistência eletro-hidráulica.
Teve motores 1.0, 1.6 e 2.0 e originou a carroceria sedã no mesmo ano, que acabou tendo mais sucesso comercial que o hatch – este sofreu concorrência do Fox. A produção do modelo foi esticada até 2014 – o Brasil sequer teve o Polo V: pulou direto para o VI.
Chevrolet Corsa

A segunda geração do hatch também foi produzida no Brasil com o mesmo estilo do Opel europeu: desenho menos arredondado, lanternas traseiras verticais, entre-eixos maior e dinâmica mais apurada.
També teve variante Sedan e manteve o motor 1.0, mas trocou o 1.6 pelo 1.8, que virou flex em 2003. A linha perdurou até 2012, porém, curiosamente, o primeiro Corsa durou mais que esse e foi feito por mais quatro anos na forma do sedã Classic.
Os carros mais marcantes de 2003
Ford EcoSport

Hoje o setor automotivo só quer saber de SUVs e crossover por causa desse cara aí. O Ford EcoSport foi o primeiro utilitário esportivo derivado de um carro de passeio e genuinamente urbano, sem qualquer pretensão fora de estrada.
Apresentado no começo de 2003 e fruto do Projeto Amazon – iniciado com o Fiesta, em Camaçari (BA) -, o Eco se valeu da base do hatch para fazer um estrondoso sucesso. Foi o SUV mais barato e mais vendido do país por quase uma década, sem rivais diretos.
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Curiosamente, foi fruto de uma luta interna da Ford. A filial do Brasil peitou e convenceu a matriz de que o brasileiro estaria disposto a ter um SUV barato e sem recursos off-road, como tração 4×4. Prova é que o Eco até teve uma opção 4WD, por insistência da sede norte-americana, que não vendeu nada.
Mesmo assim, demorou para o EcoSport se tornar um projeto global – isso só ocorreu com a segunda geração, em 2013. E mais ainda para as montadoras rivais perceberem que o Eco não era uma modinha, mas sim uma tendência do mercado automotivo global.
Citroën C3

No Brasil, a Citroën foi uma referência de marca mais requintada, ao contrário do que ocorria na Europa. Méritos da estratégia iniciada com a Xsara Picasso e reforçada pelo C3, também fabricado na unidade da PSA no sul do estado do Rio de Janeiro, onde compartilhou a arquitetura com o 206.
O design arredondado inspirado no histórico 2CV fez sucesso. Ajudado por bossas, como quadro de instrumentos digital, puxadores em forma de arco, mesinhas herdadas da Picasso e direção elétrica levíssima.
O acabamento interno superior e o fato de só começar com motor 1.4 (não teve versão 1.0) ajudou a Citroën a fazer do C3 o fundador do tal segmento de compactos premium.
Volkswagen Fox

Se teve subsegmento de compacto premium, teve também de hatch altinho. Esse inaugurado pelo Fox, fruto do projeto Tupi. Além da possibilidade de ter um modelo “diferente” na categoria, a Volks também precisava diluir os altos custos da plataforma do Polo.
Depois de quase ser cancelado pela matriz, o Fox, chamado nas internas de “Highroof”, foi lançado sobre a arquitetura simplificada do Polo, com comprimento menor que o do Gol G3, posição de dirigir alta parecida com a das minivans e assoalho plano.
Montado em São José dos Pinhais (PR), o projeto brasileiro acabou exportado para a Europa e por aqui durou quase 20 anos. Ainda inspirou a concorrência, que depois atacou com modelos como Chevrolet Agile e Renault Sandero.
Honda Fit

Segundo automóvel da Honda feito em Sumaré (SP), o Fit foi outro carro marcante a revolucionar o segmento de compactos. Feito sobre uma carroceria monovolume, tinha pouco mais de 3,50 metros de comprimento, mas seu espaço interno era o diferencial.
Essa virtude foi reforçada pelo sistema ULT (Utility, Long and Tall), um esquema de modularidade dos bancos que permitia rebater os encostos traseiros de tal forma que ficavam no mesmo nível do assoalho do porta-malas. Ou seja, quase que se transformava em uma cama de casal.
Além disso, o Honda Fit incorporou a boa reputação mecânica e de pós-venda da montadora japonesa. Fora o fato de que era bem equipado, o que o posicionou naquela sub-categoria de compactos premium já ocupada por C3, Polo e Corsa 2.
Os carros mais marcantes de 2004
Toyota Corolla Fielder

Não é de agora que a Toyota se vale da força do nome Corolla para emplacar outros modelos. Em 2004, a marca japonesa lançou a Corolla Fielder, station-wagon derivada do famoso sedã médio.
Era uma maneira de tentar aumentar ainda mais as vendas da linha e da produção em Indaiatuba (SP). Porém, o segmento de peruas já sentia a concorrência das minivans. Tanto que a Fielder só durou quatro anos.
Nesse período, sobreviveu à base de uma única versão, com motor 1.8 16V – mesmo do Corolla. De qualquer forma, a station média da Toyota fez barulho e foi um dos carros mais marcantes do começo dos anos 2000.
Os carros mais marcantes de 2005
Fiat Idea

A resposta da Fiat para o segmento de monovolumes compactos não tardou. Em 2005, a marca italiana apresentou a Idea para brigar especialmente com a Chevrolet Meriva e, de quebra, com modelos com proposta “parecida”, como Honda Fit e Volkswagen Fox.
A minivan iniciou sua trajetória com motores 1.4 e 1.8, mas depois teve uma infinidade de versões, conjuntos mecânicos e opção Adventure. Foi, inclusive, o carro do falecido Papa Francisco, durante a passagem do líder da Igreja Católica pelo Brasil, em 2013.
Toyota Hilux

Foi a partir da segunda geração Mercosul (e sétima global) que a Hilux começou a asfaltar sua estrada até a liderança absoluta do segmento de picapes médias. Fabricada em Zárate, na Argentina, estreou com motores turbodiesel 2.5 e 3.0.
Depois, essa Hilux foi a primeira e ter opções com motor flex. Até a virada de geração, em 2015, experimentou um sem número de versões, ganhou diferencial com escorregamento limitado e algumas séries especiais.
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