
Na segunda metade dos anos 2000 quem deu as cartas foram os sedãs. Foi naquela época em que a categoria de médios ficou agitada com o revolucionário Honda New Civic, enquanto o mercado de compactos também teve estreias importantes, como o novo Volkswagen Gol.
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Na terceira reportagem com os carros mais marcantes dos 30 anos de Automotive Business, separamos os principais lançamentos entre 2006 e 2010. Sempre com o critério de modelos produzidos no Mercosul ou importados do México.
Neste recorte nostálgico, teve compacto desenvolvido para o Brasil, surgimento de novas picapes e até mesmo projetos que foram importantes para a indústria, mas que não foram muito para a frente.
Os carros mais marcantes de 2006 a 2010
Os carros mais marcantes – 2006
Honda New Civic

A oitava geração global do Civic foi revolucionária em vários sentidos. A começar pelo design do sedã médio da Honda (a terceira feita em Sumaré, São Paulo), que quebrou o conservadorismo típico do segmento.
Conhecido como New Civic, ainda tinha bossas na cabine, como os instrumentos em duas seções e o painel voltado para o motorista. O motor era o 1.8 16V de 140 cv com câmbio automático de cinco marchas.
Essa fase do Civic ainda experimentou a esportiva versão Si, de 192 cv e caixa manual de seis marchas, e foi a que mais perturbou a vida do então líder isolado Toyota Corolla. Por dois anos, o Honda chegou a ser o mais vendido da categoria.
Ford Fusion

A Ford conseguiu e incomodar vários modelos de dois segmentos. Isso porque o Fusion era importado do México, país com o qual o Brasil tem acordos bilaterais.
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Ou seja, chegava com preço mais competitivo que os sedãs médio-grandes das duas marcas japonesas: Honda Accord e Toyota Camry. De quebra, ainda tinha custo/benefício e bem mais espaço que as versões topo de linha de Civic e Corolla.
A primeira geração do carro foi vendida como o novo Mondeo na Europa e usava base do Mazda 6 (a Ford detinha 20% de participação na japonesa). No Brasil, começou com o motor 2.3 (depois, 2.5) e teve versão V6 de 243 cv com tração AWD.
Renault Mégane

Muito antes de o carro perder o acento no nome e virar um elétrico, o Mégane foi um dos carros marcantes que o país conheceu. Nem tanto a geração importada da Argentina nos anos 1990, mas sim o sedã produzido no Paraná e lançado em 2006.
O modelo usava a mesma arquitetura e design do Mégane europeu. Tinha bossas, como chave presencial do tipo cartão (raro para a época) e alavanca do freio de estacionamento que lembrava o manete de um avião, além de competentes motores 1.6 e 2.0.
Foi um dos carros mais marcantes da época em termos de produto, mas não de vendas. O Mégane foi lançado em meio ao New Civic e em um segmento onde ainda tinha Corolla e outros rivais brabos, como o Vectra. Durou só quatro anos, mas sua variante station wagon Grand Tour teve sobrevida até 2013.
Os carros mais marcantes – 2007
Mitsubishi L200 Triton

A quarta geração se destacou pelo design mais anguloso e menos quadradão da tradicional picape da Mit. Com isso, foi uma das primeiras do segmento a flertar não só com o público de áreas rurais e do agro, mas também com gente da cidade.
Tinha mais de 5 metros de comprimento, caçamba com mais de 1 mil litros e suspensão traseira com eixo rígido e feixe de molas que ajudava a suportar cargas superiores a 1 tonelada. Nesta fase, a L200 teve uma infinidade de motores: 2.4 flex, 3.5 V6 a gasolina, além do 3.2 turbodiesel, com 8 ou 16 válvulas.
Renault Sandero

O hatch é um projeto derivado do Logan e pensado para o Brasil. Tinha a mesma lógica do sedã: ser um carro de baixo custo, com preço de compacto e espaço superior aos concorrentes. Na Europa recebeu o emblema da romena Dacia.
Feito sobre a plataforma B0, o Sandero teve uma variedade sem fim de motores, versões e câmbios. Foi um dos carros mais marcantes e vendidos pela Renault no país, com mais de 900 mil licenciamentos de 2007 até 2024.
Os carros mais marcantes – 2008
Volkswagen Gol

Depois de quase 15 anos, o líder de mercado finalmente ganhou sua terceira geração. Desta vez o Gol passou a usar a plataforma PQ24, a mesma do Fox. Carregou inicialmente os conhecidos motores 1.0 e 1.6 da família EA111.
Chegou a ter as desnecessárias versões i-Motion e até uma variante com caixa automática convencional, de seis marchas – que é mais rara que o Boitatá. No fim de vida, passou a usar o 1.0 de três cilindros
Esse Gol, conhecido como G5, teve muitas versões legais, como a Rallye, e séries bacanas, como a exclusivíssima Vintage, limitada a 30 unidades. Apesar da boa arquitetura, coube a este Gol perder a liderança de 27 anos do mercado.
Mesmo assim, continuou sendo um dos carros mais marcantes e vendidos dos últimos anos. E encerrou com chave de ouro o maior sucesso da indústria automotiva nacional, com mais de 8 milhões de unidades produzidas de 1980 a 2022.
Mercedes-Benz CLC

Depois do fim do Classe A, a Mercedes precisava colocar algum carro para ser feito na fábrica de Juiz de Fora (MG). A solução veio na forma do CLC, espécie de variante cupê do Classe C, que começou a ser produzida na planta mineira em 2008.
Inicialmente, o CLC foi exportado para a Europa. Só em 2009 começou a ser vendido no Brasil e em mercados da América Latina. Mas teve vida muito curta. Em 2010 saiu de linha depois de ter 56 mil unidades fabricadas.
Ford Ka

O Brasil conheceu uma segunda geração do Ka, ainda como um subcompacto, em 2008. O modelo chegou com 15 cm a mais no comprimento e um porta-malas quase 50% maior, sem perder a elogiada dinâmica que marcou a geração 1.
Foi mais um projeto brasileiro entre os carros mais marcantes da segunda metade dos anos 2000. Teve motores 1.0 e 1.6, além de versões de entrada bem “peladas” e outras com detalhes aventureiros no design.
Os carros mais marcantes – 2009
Volkswagen Saveiro

O Gol G5, além de ressuscitar o Voyage, deu origem à uma novíssima Saveiro. A picape compacta passou a usar a plataforma MQB e ganhou configuração de cabine estendida, além de dupla nos anos seguintes, para fazer frente à Fiat Strada.
Também para competir melhor com a rival, a Saveiro estreou versão aventureira Cross. Com o passar do tempo a picapinha trocou o motor 1.6 8V pelo MSI 16V. Se mantém como a única concorrente da Strada de fato no segmento de compactas.
Honda City

Em 2009 a Honda resolveu ter um sedã no Brasil abaixo do Civic. Nasceu, então, o City nacional, três-volumes derivado da plataforma do Fit que já estava em sua terceira fase global.
O City começou com o motor 1.5 16V flex de 116 cv, o mesmo do monovolume. Hoje, em sua terceira geração brasileira, se mantém como único sedã da marca japonesa produzido no Brasil, ao lado do irmão hatch.
Chevrolet Agile

Para aumentar seu leque na base do mercado, em 2009 a General Motors pôs em prática o Projeto Viva. A proposta era oferecer uma nova linha de compactos de baixo custo. Para tal, a arquitetura para todos era do Corsa… de 1994.
Dali nasceriam um hatch, um sedã, uma picape e uma minivan. O primeiro modelo foi o Chevrolet Agile, espécie de hatch altinho com design bastante controverso. Este originou a nova Montana, com estilo ainda mais contestado.
O projeto foi alvo de críticas também pelo desempenho fraco e nível de contrução que deixava a desejar. Por isso mesmo, a GM não levou adiante as outras carrocerias previstas. Depois do lançamento do Onix, o Agile ainda sobreviveu a duras penas, sendo descontinuado em 2016.
Os carros mais marcantes – 2010
Fiat Uno

O Brasil foi um dos poucos mercados do mundo a ter um segundo Uno. Com um estilo quadradinho simpático, o hatch produzido em Betim (MG) tinha a missão de conviver com o Mille e disputar mercado com o então líder absoluto Volkswagen Gol.
O carro teve motores 1.0 e 1.4 – posteriormente ganhou o 1.3 Firefly. Não foi tão revolucionário como o primeiro, mas sempre se destacou nas vendas. Deixou de ser produzido em 2021.
Volkswagen Amarok

No fim dos anos 2000 a Volkswagen resolveu entrar com o pé na porta no segmento de picapes médias. A Amarok chegou ao mercado com nível de dirigibilidade e dinâmica que arrancou elogios. Além disso, se destacou pela oferta de equipamentos e sempre figurou entre as mais potentes da categoria.
Nos últimos anos, contudo, com a renovação da concorrência, a Amarok perdeu fôlego nas vendas. Desde 2022 só é vendida em versões V6 e foi remodelada em 2024, mas uma nova geração já está sendo preparada no Mercosul.
Hyundai Tucson

O SUV médio foi um dos responsáveis pela ascensão da Hyundai no Brasil. Começou por aqui importado pelo Grupo Caoa em 2005, com opção de motor V6, custo-benefício atraente e campanhas de publicidade agressivas.
O sucesso nas vendas e a chegada de uma segunda geração global (que foi vendida no mercado brasileiro como ix35) foram o pretexto para o então representante da marca no Brasil fazer o Tucson em Anápolis (GO), depois de trazer o ferramental e a plataforma do “velho” SUV para cá.
O Tucson seguiu com força. Tanto que essa primeira geração conviveu com outras duas fases do SUV (o ix35 e o New Tucson), todos montados em Goiás ao mesmo tempo. Deixou de ser feito no Brasil só em 2018.
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