
Rio Grande do Norte e Bahia travam uma disputa sobre por onde os portugueses chegaram primeiro ao Brasil. Na seara dos SUVs-cupês, o debate também se faz presente. É fato que esse tipo de carroceria nasceu com as marcas premium, mas coube ao Citroën Basalt torná-la mais acessível.
Sim, nesse meio tempo teve, primeiro, o Volkswagen Nivus e, depois, o Fiat Fastback. Mas o Citroën Basalt começou, e ainda é hoje, o SUV mais barato do país. Parte de R$ 97.690 na versão inicial com motor 1.0 aspirado e câmbio manual.
Mesmo a opção topo de linha, a Dark Edition, com preço de R$ 119.690, é pouca coisa mais barata que o Nivus Sense de entrada. E foi justamente esta configuração mais completa do SUV da marca francesa que Automotive Business avaliou por mais de 500 km
O cenário: justamente um dos locais que pleiteia a primeira chegada dos portugueses, o Rio Grande do Norte. Foram idas e vindas por trechos urbanos, estradas e até vias com terra e lama na capital Natal, além de São Miguel do Gostoso e Touros (onde fica o “cotovelo” do território brasileiro e onde existe um marco do descobrimento).
Veja agora 7 fatos sobre o Citroën Basalt e seu comportamento em terras potiguares.
Desempenho do Citroën Basalt

O motor 1.0 turbo da família GSE aliado ao câmbio CVT de sete marchas fornecido pela Aisin é sempre um destaque na maioria dos carros da Stellantis. Isso porque o conjunto tem um casamento muito bem resolvido.
Isso fica evidente em baixas ou altas velocidades. Há um delay proposital nas acelerações (devido às emissões), percebido desde a saída da concessionária Dunas Citroën, no bairro de Lagoa Nova.
Só que, tanto no trânsito mais pesado dali e de Alecrim (um dos centros comerciais de Natal), como nas vias costeiras da capital, o SUV responde bem. Não são percebidos trancos ou imprecisões da caixa automática.
E nas ladeiras da parte baixa de Ponta Negra, o Citroën Basalt não perde o fôlego. Basta pisar que o carro engrena numa boa para encarar as subidas de paralelepípedo do bairro turístico da cidade.
Na hora de pegar a estrada rumo a Touros e São Miguel do Gostoso, a aproximadamente 100 km de Natal, os 125 cv (o carro estava abastecido 100% com gasolina, já que com etanol são 130 cv) se apresentam prontamente. O Citroën Basalt evolui bem e logo se chega aos 100 km/h permitidos na rodovia.
Estamos na BR-101, a rodovia que acompanha boa parte do litoral brasileiro e que liga o Rio Grande do Norte – ela começa justamente em Touros – ao Rio Grande do Sul. Neste trecho potiguar, a maior parte da via é bem asfaltada e com retas a perder de vista.
Isso permite explorar um pouco mais do SUV-cupê. Como nas ultrapassagens. É pisar, esperar o turbo lag e deixar o caminhão para trás, com os 20,4 kgfm já empurrando as rodas dianteiras do Basalt com força desde as 1.700 rotações.
Bom salientar o consumo do Basalt. Como dito, ele estava com gasolina no tanque e na parte rodoviária de nossa avaliação, e o computador de bordo não passou dos 12 km/l – pelo PBEV/Inmetro, são 13,7 km/l na estrada.
Na cidade, o mesmo computador anotou 10,7 km/l. Enquanto pelo PBEV, as médias em ciclo urbano apontam 12,1 km/l, com gasolina.
Andou na lama, coitado

O Basalt está longe de ser um SUV da Citroën com qualquer pretensão fora de estrada. Ele é um crossover urbano como a esmagadora maioria dos utilitários compactos do mercado. Mas não é que ele passou bem em uma pista, digamos, menos receptiva?
Fizemos um trajeto de quase 50 km entre Gostoso e Catolé. Depois de sair da BR-101 e pegar a RN-023 rumo ao interior, acessamos a RN-064, com pista simples, pouco acostamento e buracos no asfalto para ficar atento.
Para chegar ao destino, porém, sobraram 10 km de estrada de terra pouco convidativa. Muitos buracos, trechos com lama, outros com terra fofa e alguns bolsões com água da chuva – que em julho cai com certa constância na região.
Não, o Citroën Basalt não foi projetado para isso. Porém, foi valente em meio às adversidades pontuais. O vão livre do solo de 20,8 cm e o razoável ângulo de ataque de 20,5º ajudaram o SUV-cupê a vencer esse trecho.
Mesmo nas partes de terra fofa, em que o Basalt patinou e até pareceu que ia estancar, recorri a uma aceleração constante e às mudanças sequenciais do câmbio CVT para garantir marchas entre a segunda e a terceira, e força suficiente para passar. Deu tudo certo, ufa.
Dinâmica do SUV-cupê

De volta à estrada asfaltada para falar da dinâmica do Citroën Basalt. Produzido em Porto Real (RJ) sobre a plataforma CMP – dos tempos de PSA – e terceiro fruto do projeto iniciado com o C3, o SUV-cupê é o mais bem resolvido do trio.
O carro passa mais segurança e firmeza do que o hatch ou que o SUV Aircross. A rigidez da carroceria também aparenta ser melhor, especialmente nos trechos de curva.
Porém, ainda é um veículo com questões a resolver nesse sentido. Mesmo dinamicamente superior aos parentes de arquitetura, o Basalt entorta bem a carroceria em determinadas situações e pede correções na direção quando o velocímetro passa dos 80 km/h.
Conforto e espaço interno

Para um compacto, a cabine do Citroën Basalt é bem aproveitada. Motorista usufrui de ergonomia satisfatória e espaço ok para pernas e joelhos. O mesmo pode ser constatado no banco traseiro, onde cabem dois adultos normais e uma criança – sem folgas.
O que peca no SUV é a chamada habitabilidade. O volante não tem ajustes de profundidade e sua angulação é limitada. Os cintos de segurança dianteiros também não oferecem regulagens.
O estilo de SUV-cupê cobra um preço na visibilidade. A enorme coluna traseira cria um ponto cego que dificulta muito a vida do motorista, principalmente em saídas de cruzamentos.
O isolamento acústico é regular – melhor que a dos parentes C3 e Aircross. Já a suspensão trabalha bem, especialmente na dianteira, que minimiza as vibrações no volante. Nos trechos de paralelepípedo e terra, contudo, houve uma trepidação desconfortável sentida no banco traseiro.
O grande destaque do Citroën Basalt é, sem dúvida, o porta-malas. São 490 litros de volume. Entre os SUVs-cupês só perde para o Fiat Fastback e seus 525 litros. Entre os SUVs de entrada, estapeia os rivais.
Acabamento e nível de construção

A cabine do Basalt mostra uma preocupação maior da Citroën com os materiais usados do que no C3 e no Aircross. Porém, o plástico rígido ainda predomina e algumas partes do acabamento pouco inspiram.
O bom é que a Dark Edition tem aquela proposta mais “bandida” e elementos escurecidos que suavizam bastante a simplicidade. Há partes acolchoadas no painel com pespontos vermelhos e os bancos oferecem um revestimento melhor em relação ao restante da gama.
Além disso, detalhes em preto brilhante estão nas saídas de ar, em volta da alavanca do câmbio e na parte central do painel. Destaque ainda para as maçanetas e pedaleiras cromadas, e para as soleiras com o nome da versão.
Por fora, acabamentos escurecidos na grade com o “deux chevron” da marca, para-choques, imitações de peito de aço e rodas de liga leve aro 16”. O mesmo tom é adotado nos nomes do carro, nas capas dos retrovisores e no defletor traseiro.
Posicionamento, equipamentos e vendas

O Citroën Basalt Dark Edition é a versão topo de linha e custa R$ 119.690 (julho de 2026). Na parte de segurança vem com quatro airbags, assistente de subida em rampas e câmera de ré, além dos obrigatórios controles de tração e estabilidade.
A central multimídia Citroën Connect usa tela de 10,25″ e permite um rápido espelhamento sem fio com Android Auto ou Apple CarPlay. Porém, a navegação é ruim e morosa – mesmo com um celular com bastante memória…
Completam a lista ar-condicionado automático, trio elétrico, DRLs com LEDs, quadro de instrumentos em tela de 7”, seis alto-falantes, controlador e limitador de velocidade, tapetes de carpete (que sujamos bastante com as aventuras em estrada de terra…), tomada USB-A no painel e duas portas USB-C para o banco traseiro.
Desta forma, ele é pouco mais barato que as versões de entrada dos demais SUVs-cupês. O VW Nivus começa em R$ 119.990 na opção Sense com motor TSI de 128/116 cv, preço igual ao pedido pela Fiat no Fastback T200 com o mesmo conjunto turbinado do Basalt.
O modelo da Volks leva a vantagem de ter itens ADAS, como a frenagem autônoma de emergência. Sem falar nos airbags do tipo cortina, ausentes nos rivais.
Se formos comparar com os SUVs de entrada, o Basalt briga com versões intermediárias. Neles estão o VW Tera 170 TSI (R$ 123.190), o Fiat Pulse T200 (R$ 119.990) e o Renault Kardian Evolution AT (R$ 126.590).
Tem os novatos. O Chevrolet Sonic chegou em versões mais completas a partir de R$7 fatos sobre o Citroën Basalt Dark Edition129.990. E o Hyundai i20, hatch com jeito de crossover, custa R$ 125.990 na opção Limited AT Turbo.
Apesar dos preços agressivos, diante dos concorrentes o Basalt vai (muito) mal nas vendas. No primeiro semestre o modelo da Citroën teve 7.620 licenciamentos. É o 23º SUV mais vendido do país pelos dados de emplacamentos do Renavam e só fica à frente do Kardian entre os adversários mais antigos citados.
Manutenção e pós-venda

A Citroën oferece três anos de garantia para a linha Basalt. Veja os preços de revisões programadas da marca para as versões tubo do SUV:
- 12 meses ou 10 mil km: R$ 958
- 24 meses ou 20 mil km: R$ 888
- 36 meses ou 30 mil km: R$ 1.138
- 48 meses ou 40 mil km: R$ 958
- 60 meses ou 50 mil km: R$ 958
