
Depois de cair para a segunda prateleira nas prioridades da Stellantis em seu plano estratégico FaSTLAne 2030, a Citroën recorre ao passado para tentar garantir um mínimo de futuro. A marca francesa vai lançar um carro de entrada elétrico inspirado no icônico 2CV.
A ideia da Citroën é colar no futuro elétrico a ideia de simplicidade que fez do 2CV um carro de sucesso na Europa, onde foi vendido de 1949 a 1990. A própria marca deixa claro que o projeto foca em um veículo barato e de entrada.
Elétrico da Citroën quer resgatar versatilidade do 2CV

Segundo a fabricante, o futuro 2CV elétrico terá “preço acessível, design leve, praticidade e versatilidade”. A empresa também garante que o carro se manterá fiel ao conceito TPV (“Toute Petite Voiture” ou “carro muito pequeno”) do veículo original.
Com isso, espera-se que o novo 2CV elétrico fique abaixo do ë-C3, versão do hatch compacto movida exclusivamente por baterias.
A Citroën não revelou imagens do 2CV elétrico, mas confirmou que ele estará no Salão de Paris, em outubro. Ainda publicou dois vídeos curtos onde dois cavalos percorrem pontos conhecidos da capital francesa e, ao fim, surge a silhueta preta do modelo em um fundo totalmente escuro (veja ao fim desta nota).
Breve história de um carro emblemático

O Citroën 2CV nasceu a partir do projeto TPV, em 1936. O objetivo era lançar no mercado um carro econômico e versátil para pessoas com menor poder aquisitivo.
No ano seguinte foi feito o primeiro protótipo. Com quatro portas, capacidade para quatro pessoas, pesava apenas 370 kg, tinha capacidade de 50 kg para bagagens e atingia a velocidade máxima de 50 km/h.
A estratégia da Citroën era apresentar o 2CV no Salão do Automóvel de Paris de 1939. Porém, naquele ano começou a Segunda Guerra Mundial e quase todos os 250 modelos pré-séries foram destruídos – quatro foram guardados secretamente no Centro de Testes da Citroën em La Ferté-Vidame.
Com o fim do conflito, em 1945, a Citroën retomou os trabalhos em cima do projeto TPV. Assim, o 2CV foi lançado oficialmente em julho de 1949, com motor de 375 cm³ refrigerado a ar, dois cilindros e com 9 cv de potência. A máxima era de 50 km/h.
O modelo foi produzido por 41 anos ininterruptos e com mudanças mínimas. Teve vários show cars e séries especiais (como 6 by Hermès, Cocorico e Spot), variante furgão AZU – com portas traseiras tipo “armário” – e a versão Sahara, com tração 4×4 e dois motores.
Ao longo de mais de quatro décadas, o Citroën 2CV somou mais de 5,1 milhões de unidades produzidas – 3,86 milhões do sedã e 1,24 milhão de furgões.
