
O padrão de percepção de picape média mudou muito após a chegada da nova Ford Ranger. A terceira geração do modelo subiu (muito) o sarrafo da categoria.
Isso se reflete nas vendas do veículo produzido na Argentina. Mas o que há além e por trás desse bom nível de construção que a Ford Ranger trouxe para o segmento?
Nesta avaliação, vamos destacar outras virtudes, e alguns defeitos da versão topo de linha Limited.
Desempenho da Ford Ranger Limited

Um dos grandes destaques da nova Ford Ranger é o 3.0 V6 turbodiesel da linha Lion, também feito em General Pacheco (Argentina), que está sob o capô das versões mais caras da gama da picape média. Com 250 cv, ela acelera de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos, segundo a fabricante.
Contribui para essa boa performance o câmbio automático de 10 marchas, mesmo que equipa o Mustang e outros carros da marca – e da General Motors. A caixa desenvolvida pela própria Ford tem produção na planta de Livonia (EUA).
O número de marchas empresta agilidade à Ford Ranger. A força é sentida na mais inocente pisada no acelerador, apesar das mais de 2,3 toneladas do veículo.
Tamanha disposição do motor V6 fica ainda mais evidente nas retomadas. Com esse conjunto mecânico, a Ford Ranger oferece um dos maiores torques da categoria: 61,2 kgfm.
Com isso, em subidas a picape está sempre esperta, sem esmorecer. E na hora de ultrapassar na estrada, é só acelerar que a 1.750 rpm já se tem esse torque em sua plenitude, com mais uma vez a rapidez da caixa de 10 velocidades em engatar a marcha certa, sem hesitações.
No consumo, contudo, tamanha força tem seu ônus. A nova Ford Ranger, segundo a tabela 2025 do PBEV, anota médias de 8,9 km/l na cidade e de 10,2 km/l na estrada.
Dirigibilidade é diferencial na Ford Ranger

Quando foi lançada, em 2010, a Volkswagen Amarok quebrou certos paradigmas pelo comportamento dinâmico e dirigibilidade. Só que a nova Ranger chegou em 2023 para mudar essa percepção radicalmente.
Mesmo nas versões V6, a Ford Ranger não passa essa brutalidade ao volante. Apesar das dimensões – 5,33 metros de comprimento, 3,27 m de entre-eixos e 1,88 m de altura -, a picape está longe de ser um animal indomável.
Obviamente não dá para dizer que tem comportamento de carro de passeio, mas guiar a picape não assusta nem exige esforços. Seja na cidade ou na estrada, a direção aponta bem e é precisa, sem pedir correções em velocidades mais altas.
Mesmo em curvas, a velocidades civilizadas, a Ranger não é abrutalhada. Segundo a Ford, o novo conjunto de longarinas e travessas recebeu reforços internos em cada lado, além de maior incidência de aços de alta resistência, com promessa de aumento de 30% de rigidez torcional.
A suspensão corrobora essa boa dinâmica. Na traseira por eixo rígido, os amortecedores foram colocados fora das longarinas, e o conjunto com feixes de molas semi elípticas minimizam aquela sensação de “desengonçada” das picapes feitas sobre longarinas.
Conforto de SUV?

O ambiente da cabine agrada. O design interno da Ranger Limited agrega tecnologia e modernidade. Isso ganha ressonância em detalhes como a central multimídia com tela vertical de 12”, a alavanca do câmbio E-Shifter em estilo joystick e o console central.
Mas nem tudo são flores. Há ainda falhas aparentes no acabamento interno. Na unidade avaliada, encaixes irregulares nos painéis e até peças soltas na parte inferior do tabelier frontal foram aspectos negativos.
Mesmo assim, a picape recebe bem o motorista e demais passageiros. Os bancos são firmes e acomodam pessoas corpulentas – como este escriba aqui.
O volante oferece boa pegada e a posição de dirigir alta ajuda na visibilidade. O banco traseiro não é tão alto e ereto, com uma inclinação mais generosa do encosto em comparação com a geração anterior, o que melhora a vida a bordo de quem vai lá atrás.
Destaque ainda para o tratamento acústico. Mesmo em velocidades altas, não se percebem muitos ruídos de vento, pneus ou do motor dentro da Ranger Limited.
Capacidades da picape

Com tração integral temporária, reduzida e diferencial traseiro blocante, a Ford Ranger também se mostra apta para o trabalho. Ok que as opções com motor 2.0 de 170 cv são as que miram mais em frotas corporativas e na labuta pesada, mas as versões V6 não fogem à luta.
A linha da nova Ford Ranger tem ângulo de ataque de 30º, ângulo de saída de 26º, vão livre do solo de 23,5 cm e capacidade de imersão de até 80 cm. Já a capacidade de reboque (com freio) é de 3.100 kg.
No caso da Ford Ranger Limited, a carga útil é de 1.023 kg. Mas mesmo as versões proletárias citadas levam pouca coisa a mais: 1.070 kg.
Bom lembrar que no caso da versão topo de linha há dois modos de condução a mais para o fora de estrada – selecionados em um prático botão giratório no console. Toda a gama oferece as opções “Normal”, “Eco”, “Escorregadio” e “Reboque”, enquanto a Limited agrega “Lama” e “Terra e Areia”.
Posicionamento da linha

Depois da estreia da Ranger de terceira geração, a Ford lançou a versão Black com apelo mais urbano e motor 2.0. E prepara as configurações cabine simples para breve.
A linha 2026 da Ford Ranger hoje está posicionada assim:
- Ford Ranger XL 2.0 4×4 MT: R$ 267.900
- Ford Ranger XLS 2.0 4×4 AT: R$ 281.900
- Ford Ranger Black 2.0 4×2 AT: R$ 238.900
- Ford Ranger XLS V6 4WD AT: R$ 303.900
- Ford Ranger XLT V6 4WD AT: R$ 310.900
- Ford Ranger Limited V6 4WD AT: R$ 346.900
Equipamentos da Ford Ranger Limited

Toda a família da Ranger sai de fábrica com sete airbags, assistente de partida em rampas, controle de descida, central multimídia Sync 4 com tela de 10”, ar-condicionado, quadro de instrumentos eletrônico em display de 8”, trio elétrico e volante com ajustes de altura e de profundidade.
Tem também regulagem elétrica de altura dos faróis, luzes de condução diurna, tampa traseira com assistente de abertura e fechamento e tomada 12V na caçamba.
A Limited é a mais completa. Nela a tela da multimídia é maior (12”), com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, Bluetooth, tomadas USB e navegador para modo off-road.
O recheio é mais generoso. Na segurança, itens de ADAS, com alerta de colisão com detecção de pedestres e frenagem autônoma, assistente de permanência em faixa e leitor de placas de trânsito.
Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, monitoramento da pressão dos pneus, retrovisor eletrocrômico, bancos de couro com ajustes elétricos para o do motorista, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, chave presencial com partida do motor por botão são outros itens.
Por fora, santantônio exclusivo, molduras dos para-lamas na cor do veículo, bagageiro de teto, lanternas traseiras de LED e protetor de caçamba. Com isso, a Ford Ranger Limited custa R$ 346.600.
Mas ela pode ficar mais cara. Por R$ 20 mil adicionais, o pacote opcional incorpora itens ADAS importantes: controle de cruzeiro adaptativo, sensor de ponto cego com cobertura de reboque, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de centralização em faixa, assistente de cruzamentos e câmera 360°.
Nesse kit também estão incluídos o painel de instrumentos digital configurável e em display de 12,4”, rodas de liga leve aro 20” (no lugar das usuais aro 18”) e pneus 265/55 todo terreno (em vez de 255/65).
Vendas fazem Ford aumentar produção da Ranger

A Ranger assumiu de vez a posição de vice-líder no disputado mercado de picapes médias ainda em 2024. Em 2025, manteve a segunda posição, atrás apenas da soberana Toyota Hilux, a mais vendida da categoria desde que os dinossauros habitavam a Terra.
Em setembro de 2025 a Ranger, inclusive, teve seu melhor mês de vendas do ano: 3.115 emplacamentos, 19% a mais do que em agosto. No acumulado do ano são 24.816 unidades, alta de 17,5% na comparação com o mesmo período de 2024.
O bom desempenho da Ranger nas vendas fez a Ford investir US$ 40 milhões adicionais na planta argentina para aumentar em até 15% a produção da picape. Com isso, a unidade – que tinha recebido investimento de US$ 660 milhões – deve fechar 2025 com 70 mil unidades produzidas.
