
O mercado automotivo tem lacunas que precisam ser preenchidas. Nem sempre a montadora dispõe de um produto adequado. No caso dos SUVs médios, a Honda faz o que pode com o ZR-V.
O utilitário esportivo usa a mesma base do Civic, esbanja conforto e design elegante, só que atua em uma categoria onde dois pesos-pesados, fabricados no Brasil, já são dominantes. E ainda tem de sofrer com a concorrência de modelos chineses eletrificados.
Mesmo assim, o Honda ZR-V faz bonito no dia-a-dia. Automotive Business avaliou por uma semana o SUV e destaca aqui os principais fatos – positivos e negativos – do modelo.
7 fatos sobre o Honda ZR-V
Mexicano com plataforma do Civic

O Honda ZR-V foi lançado no Brasil em outubro de 2023. O SUV médio é importado do México, onde é produzido na fábrica de Celaya.
O modelo usa a mesma plataforma que serve à 11ª geração do Civic, que também é importado para cá, mas em versões híbridas – além da esportiva Type-R.
Desempenho pacato

A propósito, o conjunto mecânico do Honda ZR-V também é, em parte, o mesmo do Civic. Porém, com números discretamente maiores – e lembrando que o sedã vem para cá em configuração híbrida.
O 2.0 16V aspirado a gasolina tem comando variável na admissão e no escape, gera 161 cv de potência e 19,1 kgfm de torque a 4.200 rpm. São 11 cv a mais que no Civic (no caso, só o motor de combustão), porém no SUV o desempenho é bem diferente.
As arrancadas privilegiam uma pegada mais de conforto. Isso fica evidente no comportamento do câmbio automático do tipo CVT. Apesar das sete marchas simuladas, a caixa segura bem os giros e faz a tocada sem trancos.
Em testes de pistas feitos por revistas especializadas, o 0 a 100 km/h do Honda ZR-V fica acima dos 11 segundos. Já o consumo, pelos dados do Inmetro para o PBEV, fica em 10,2 km/l na cidade e 12,1 km/l, na estrada.
Em nossa avaliação, com 70% de uso rodoviário, o carro anotou médias de 11,5 km/l. Boas para um SUV deste porte e com mais de 1,4 tonelada.
Dirigibilidade do Honda ZR-V

A sensação ao volante é a de dirigir um… Civic. A posição de dirigir não é tão alta, o volante tem boa empunhadura e a ergonomia é satisfatória a bordo do Honda ZR-V.
A direção, contudo, não é tão direta como no sedã companheiro de arquitetura. Já a carroceria apresenta rigidez eficiente, especialmente nas curvas onde o SUV rola pouco. Méritos, em boa parte, das soldas a laser no teto.
Conforto e espaço

É um dos grandes trunfos do Honda ZR-V. Com 4,56 metros de comprimento e 2,65 m de entre-eixos, o SUV oferece espaço interno até generoso. O banco acomoda bem o motorista, com suporte firme para as costas e para as pernas.
Os passageiros de trás também se valem de vãos suficientes para pernas e joelhos. A suspensão (McPherson na dianteira e multibraço, na traseira) lida bem com os buracos na maior parte do tempo.
O acabamento interno tem várias semelhanças com o do Civic (saídas de ar, por exemplo), não mostra grande inspiração em termos de design, mas agrada pelas superfícies macias – o revestimento das portas, porém, deve esse esmero.
O isolamento acústico é ruim e falho na estrada, especialmente em velocidades acima dos 90 km/h. Algo imperdoável pára um carro desta categoria e preço.
Equipamentos

O Honda ZR-V é importado na versão Touring, bem recheada. A começar pelo pacote Honda Sensing, que inclui controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência, alerta de saída de pista com assistente ativo de centralização na faixa e farol alto automático.
Ainda na segurança, traz oito airbags, controles eletrônicos de subida e descida, câmera de ré com três níveis, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, retrovisor eletrocrômico e monitor de atenção do motorista.
Tem ainda monitoramento de pressão dos pneus, sensor de ponto cego e lembrete de esquecimento de objetos no banco traseiro.
Na parte de conforto, banco do motorista com ajustes elétricos, quadro de instrumentos eletrônico e configurável em display de 7”, carregador de celular por indução, ar-condicionado automático bizona, duas entradas USB na frente e duas atrás, freio de estacionamento eletrônico e bancos de couro.
A central multimídia tem tela de 9” e som integrado com oito alto-falantes. A operação não é das mais intuitivas – como na maioria de carros de marcas japonesas. Ainda peca pela conexão com Android Auto e Apple CarPlay, que necessita de cabos.
Nos detalhes do design externo, teto-solar, rodas de liga leve com aros de 17”, faróis full LED, antena tipo tubarão.
Já o porta-malas e os detalhes…

O volume do porta-malas é um dos menores da categoria de SUVs médios. São 389 litros de capacidade – tem sedã compacto que oferece bem mais. Além disso, deve em detalhes bobos, como saídas de ar para o banco traseiro e luz no porta-malas.
Posicionamento

É o calcanhar-de-aquiles do Honda ZR-V. Importado em versão única Touring e vendido por R$ 214.500, o SUV fica posicionado acima do HR-V e que bem mais caro dos que seriam seus rivais diretos.
O líder da categoria Jeep Compass, por exemplo, tem versão Longitude com motor turbo e ADAS por R$ 193 mil. O Toyota Corolla Cross XRE flex sai por R$ 191.190, enquanto o híbrido é só um pouco mais caro que o Honda ZR-V.
Tem ainda o Caoa Chery Tiggo 8 Pro, maior e com 7 lugares, que parte dos R$ 195 mil. De volta aos híbridos, o Haval H6 One custa R$ 199 mil, enquanto BYD Song Pro parte de R$ 190 mil.
Nesta vida difícil do Honda ZR-V, não admira ele ter vendido 1.627 unidades de janeiro a agosto de 2025. É o 36º no ranking total de de SUVs e fica atrás nos emplacamentos de todos os concorrentes citados.
No lançamento, a marca japonesa estimava vender 1 mil carros por mês. Bem distante da média atual de 200 licenciamentos mensais.

