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Amor de verão: Honda e Nissan encerram planos de fusão

Negociações já davam sinais de desgaste pouco mais de um mês após a assinatura do memorando de intenções
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Redação AB

13 fev 2025

3 minutos de leitura

Makoto Uchida, da Nissan (esq.), e Toshihiro Mibe, da Honda (dir.), na assinatura do protocolo de intenções da fusão

Sabe aquela paixão arrebatadora por um crush nas férias? Foi mais ou menos o que viveram Honda e Nissan nos últimos meses em relação a uma possível fusão. As duas montadoras acabam de encerrar o plano de juntar as operações.

Honda e Nissan interromperam o Natal de 2024 para anunciar o início de um projeto de fusão. O namoro – ou melhor, negócio – avaliado em US$ 60 bilhões buscava dar mais competitividade e reduzir custos das duas empresas frente à nova ordem automotiva mundial.

Porém, já em janeiro de 2025, notícias davam conta de ruídos nas negociações, que deveriam caminhar até meados de 2026, com a concretização da união. Um dos impasses se devia ao fato de a Honda querer assumir o controle total da operação e tornar a Nissan uma subsidiária.

A Nissan, em especial, vive momento conturbado globalmente, com plano de corte de custos, ações em queda e revisão de projeção de lucros para baixo pela terceira vez no último ano.

O que dizem Honda e Nissan sobre o fim do plano de fusão

As duas fabricantes confirmaram o fim das negociações por meio de comunicados bem breves. Mais secos do que uma carta para romper um relacionamento.

“A Nissan, Honda e Mitsubishi Motors concordaram hoje em rescindir seu MOU (memorando de entendimento) referente à consideração da estrutura para uma colaboração tripartida”, diz a nota, que confirma a manutenção do memorando de parceria para desenvolvimento de softwares, assinado pelas companhias em agostos de 2024.

“No futuro, as três empresas colaborarão dentro da estrutura de uma parceria estratégica voltada para a era da inteligência e dos veículos eletrificados. Essa estrutura foi estabelecida com o MOU assinado em 1º de agosto do ano passado, buscando criar novo valor e maximizar o valor corporativo de cada empresa.”

Fracasso da fusão Honda e Nissan é exemplo do que não fazer

Para o consultor Marcus Ayres, sócio da Sensa Partners, Honda e Nissan devem ser lembradas como estudo de caso do que não fazer em um processo de fusão e aquisição. “A transação acabou não andando por erros que podem ser vistos como primários”, diz.

Ele aponta que a fusão foi concebida e divulgada como união igualitária que criaria uma holding. Só que, posteriormente ao anúncio, a Honda propôs estrutura em que a Nissan seria apenas uma subsidiária. “Essa mudança foi determinante para o fracasso do negócio”, avalia.

O especialista lembra que a Nissan experimentou dinâmica complicada de governança e autonomia durante a aliança com a Renault (que ainda detém 35% das ações da montadora japonesa). Na visão de Ayres, seria improvável que a companhia aceitasse a transição da parceria com a francesa para permanecer com desafios de governança ao figurar como subsidiária da Honda.

Com a poeira da quase fusão baixando, o consultor entende que as duas empresas saem arranhadas. A Nissan segue com pressões financeiras e com a necessidade de avançar em uma estratégia para recuperar a lucratividade. Com isso, a fabricante está em posição frágil para negociar outras possíveis parcerias.

Já a Honda ganha certa má fama no mercado, com a reputação negocial abatida. “É muito ruim anunciar uma transação complexa, que o mercado pressupõe ter sido muito estudada, e, poucas semanas depois, voltar atrás”, resume Ayres.