
Sempre tem alguém que aponta o dedo para a Dona Volkswagen, fala que ela chegou tarde no segmento de SUVs compactos. Verdade, isso aconteceu com o T-Cross e também agora, com o novato VW Tera.
Isso porque o recém-lançado crossover aporta em um subsegmento de SUVs de entrada que já tem uma turma boa na disputa. O VW Tera foi pensado e posicionado para medir forças com Fiat Pulse, Renault Kardian e Citroën Basalt.
E quem chega depois no setor automotivo, tem que ter algumas cartas na manga. No caso do VW Tera, além de alguns equipamentos, elas estão na dinâmica e nível de construção típicos da fabricante alemã.
Posição de dirigir e acerto firme são destaques no VW Tera

Isso é o que mais chama a atenção no primeiro contato com o VW Tera. Ao volante do SUV por mais de 200 km, o modelo tem aquele acerto mais firme conhecido de (quase) todo Volks.
Saí do bairro de Vila Olímpia, em São Paulo (SP). Estou na versão intermediária Comfort com motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas.
A posição de dirigir é um meio-termo entre outros dois SUVs compactos da montadora. Nem tão baixa como no Nivus, nem tão ereta como no T-Cross.
Na primeira valeta à frente, os mais de 17 cm de vão livre do solo livram o carro de qualquer raspada na frente. O capô elevado traz imponência, mas é bom elevar bem o banco para ter uma visão melhor das pontas.
Ganho o trânsito pesado de São Paulo e um desafio. Quem chegar à fábrica da VW de Taubaté (SP) – onde o Tera é feito – com as melhores médias de consumo ganha diferentes prêmios.
Com a minha faceta materialista estimulada, desligo o ar e abro as janelas no trânsito pesado da capital paulista. Minha companheira de test drive, a jornalista Giu Brandão, do canal “Mundo Sobre Rodas“, embarca também no desafio.
“Pianinho” com o VW Tera

Faço a primeira perna dosando bem o pedal do acelerador, sem acelerações bruscas, e mantenho os giros entre 1.500 rpm e 2.200 rpm. O TSI roda com pouco nível de vibração.
Ganhamos a estrada, fechamos as janelas para não comprometer a aerodinâmica. Os 109 cv (só tem gasolina no tanque) garantem as acelerações, mas tento manter o SUV ao máximo em velocidade de cruzeiro.
Hora da minha colega assumir o volante. Ela aciona o piloto automático para otimizar ainda mais a eficiência. No carona, aproveito para dar aquela checada no acabamento do VW Tera.
A fabricante deu atenção especial a esse quesito. Afinal, a turma Polo, Nivus e T-Cross tem um padrão de cabine sem qualquer criatividade e com algumas partes de qualidade questionável.
O painel do VW Tera tem design moderno. Além disso é recuado, o que melhora a percepção de espaco. No caso da Comfort, há partes em tecido no tablier e nas portas dianteiras.
Nas traseiras, o plástico texturizado e com grafismos dá aquela disfarçada. Ali atrás, inclusive, o espaço para joelhos é justo como em qualquer compacto, mas dá para colocar os pés um pouquinho mais folgados.
Um terceiro passageiro no assento do meio se lasca. Seja pela rabeira do console central, seja pelo túnel da transmissão.
Chama a atenção também o nível de construção do VW Tera. As portas têm fechamento bom e há poucos pontos de solda aparentes.
No pódio da eficiência energética

Esse nível de construção é percebido na volta ao volante. Feito sobre a versátil arquitetura MQB, o VW Tera aponta bem nas curvas e tem dinâmica apurada.
Do Polo, o SUV so herdou os balanços na frente e atrás. O resto é tudo novo, segundo a Volkswagen. Inclusive a geometria da suspensão e todos seus componentes.
Chegamos à fábrica de Taubaté sem grandes expectativas quanto ao consumo. Para nossa surpresa, contudo, fomos terceiros colocados, com uma média de mais de 21 km/l. Lembrando que com ar desligado, pé suave e em trecho predominantemente rodoviário.
Na volta pudemos acelerar um pouco mais e testar as retomadas do VW Tera. Como esperado, o conjunto TSI tem aquela força bacana em baixos giros e o motor enche rápido para as ultrapassagens.
Alcançar os 120 km/h permitidos na Rodovia Carvalho Pinto não exige muita paciência. A essa velocidade, o motor roda abaixo das 2 mil rpm.
Isso contribui para um rodar mais suave, e também para o consumo. Mesmo pisando mais forte no retorno, o computador de bordo marca 15,8 km/l.
O tratamento acústico é outro ponto que merece atenção. E que provavelmente mereceu atenção da engenharia. Ao contrário de Nivus e T-Cross, o VW Tera minimiza ruídos de vento, rodagem e motor de forma mais eficiente.
E já que estamos falando dos outros dois SUVs da Volkswagen, podemos seguir aquela lógica. O Tera é a alternativa para quem quer um crossover mais altinho e com pegada mais robusta do que o Nivus, mas não quer algo tão grande ou caro como o T-Cross.
Ah e sim: o VW Tera chegou “depois” no segmento de SUVs de entrada. Porém, não custa lembrar que o T-Cross foi um dos últimos também e hoje é o utilitário esportivo mais vendido do Brasil.
