
Os carros voadores vão, enfim, decolar. É o que promete a Eve Urban Air Mobility, fabricante de eVTOLs da Embraer. A companhia vai produzir as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical em Taubaté (SP) a partir de 2027, ao ritmo de 480 unidades por ano.
A aeronave está na segunda etapa de desenvolvimento, em paralelo com o processo de homologação com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). “Os requisitos que existem para aviões e helicópteros não se aplicam. Por isso, estamos construindo os parâmetros adequados com o órgão”, conta Luiz Valentino, CTO da empresa.
Primeiros fornecedores do eVTOL já definidos
A empresa apresentou ao público, pela primeira vez, um protótipo em tamanho real da cabine de seu eVTOL na quarta-feira, 4, durante a Expo eVTOL, em São Paulo (SP). Ainda que não seja a versão final do modelo, já há uma série de fornecedores estratégicos definidos.
O chefe de tecnologia conta que boa parte são fabricantes já atuam no setor da aviação, mas há exceções. “As baterias, por exemplo, serão feitas pela BAE Batteries, dos Estados Unidos, que atende tradicionalmente ao segmento de ônibus”, conta.
Ele diz que os chamados carros voadores terão redundância do componente como medida de segurança – algo comum na aviação. “Assim, se a bateria principal falhar, o fornecimento de energia segue constante”.
eVTOL chega em 2027 e São Paulo como mercado promissor
A expectativa do executivo é concluir o processo de homologação do eVTOL no Brasil em 2027, depois fazer a validação na agência dos Estados Unidos e, gradativamente, em outros grandes mercados. Com isso, os primeiros veículos devem entrar em operação em 2027.
E os brasileiros não vão demorar muito para ver os eVTOLs no ar. O país tem uma série de centros urbanos promissores para a tecnologia, principalmente São Paulo, cidade que concentra hoje uma das maiores frotas de helicópteros do mundo e onde os passageiros podem mais se beneficiar de escapar do trânsito de veículos no chão.
Ao redor do mundo, a Eve tem pedido feitos para entregar 2,8 mil aeronaves. “O nosso desafio é, assim que o eVTOL estiver disponível, transformar essa intenção em venda, efetivamente”, diz Valentino.

Além da aeronave, Eve vai oferecer serviços e gestão de tráfego aéreo
O carro voador da Eve terá espaço para transportar quatro passageiros e contará com piloto. Ainda que a condução seja simples, inicialmente ter o profissional ali eleva a sensação de segurança, além de simplificar a etapa de homologação.
A promessa da empresa é democratizar o acesso à aviação, com preços bem mais acessíveis do que os atuais tíquetes para voar de avião ou helicóptero. Ainda assim, a companhia não detalha de quanto seria esse investimento.
A autonomia do modelo é de 100 km e as recargas serão feitas cada vez que o eVTOL aterrizar em um vertiporto para embarque e desembarque de passageiros. “Os 10 a 15 minutos que essa operação leva normalmente é o suficiente para recarregarmos parcialmente a bateria”, diz. A busca, conta, é por sempre alcançar o menor tempo de solo possível para maximizar as margens.
Ao longo de todo o desenvolvimento e negociação para vender eVTOLs mundo afora, ficou claro para a Eve que apenas oferecer o veículo não seria o suficiente para viabilizar a existência do novo tipo de mobilidade. Por isso, a companhia vai oferecer também uma gama de serviços relacionados à manutenção e ao software da operação, além de solução de gestão de tráfego aéreo – um dos grandes desafios quando se trata de levantar o voo de um novo modal de transporte.
