
O governo federal vai adicionar 2.446 km de malha de transporte público nas 21 maiores regiões metropolitanas do país ao longo dos próximos 30 anos.
As informações estão na 4ª edição do Boletim Informativo do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) , realizado pelo Ministério das Cidades em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo comunicado, o governo analisou 400 projetos levantados e divulgados na 3ª edição do Boletim Informativo (em março deste ano). Foram feitas reuniões com gestores estaduais e municipais, promovidas pelo Ministério das Cidades ao longo de junho, para analisar dados locais e projeções de demanda até 2054.
A partir de tudo isso, 200 projetos foram selecionados, que compõem a Rede Futura de TPC-MAC (transporte público coletivo de média e alta capacidade). Esses projetos farão parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e orientarão o planejamento de investimentos em mobilidade urbana ao longo das próximas três décadas.
Os 2.446 km estão divididos entre diferentes meios de transporte, como metrôs (323 km), trens urbanos (96 km), BRTs/VLTs/monotrilhos (1.930 km) e corredores de ônibus (157 km).
As 21 RMs que integram a iniciativa são: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Curitiba (PR), Distrito Federal, Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP), São Luís (MA), São Paulo (SP), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Ao analisar as mudanças com base nas diferentes tecnologias, é possível ver como cada região metropolitana será beneficiada. Em termos de metrô, por exemplo, São Paulo seria a maior contemplada, com sua malha somando mais 147 km aos 111 km que já existem.
A RM do Rio ganharia mais 94 km (hoje tem 58 km) e a de Belo Horizonte, mais 32 km (hoje tem 40 km). São Paulo é também o único estado que teria expansão dos trens urbanos, com 96 km de trilhos.
As maiores expansões seriam em sistemas de BRT, VLT ou monotrilho. O DF ganharia 292 km (hoje tem 54 km), SP 257 km (hoje tem 62 km), MG 198 km (hoje tem 45 km), RS 130 km (hoje tem 0), GO 104 km (hoje tem 31 km) e o RJ 100 km (hoje tem 172 km). Vários estados que hoje têm essa malha zerada, como PI, ES, AM, PB, AL, SC, PB, RN e MA estreariam seus sistemas.
De todas as regiões metropolitanas estudadas, 80% delas podem alcançar, no futuro, ao menos 30% da população morando a até um quilômetro de distância de estações de transporte público, com efeito progressivo no atendimento à população mais vulnerável. Em sete das regiões, esse índice pode passar de 40%. Hoje, a média é de apenas 13%.
Os valores apresentados fazem parte das simulações em um “cenário padrão”, e consideram as redes futuras e uma reorganização mínima das linhas de transporte coletivo de forma a criar um sistema integrado. Mas o estudo também traz a possibilidade de um “cenário otimizado”, que teria as seguintes medidas:
- Implementação de tarifa módica: Comprometimento de, no máximo, 6% da renda média da população que compõe a força de trabalho ocupada de cada região;
- Tarifa única/integrada: Pagamento de uma única tarifa no valor definido para a Tarifa Módica, independentemente da quantidade de linhas e rede de transporte público utilizadas;
- Priorização do transporte coletivo sobre o individual motorizado: Corredores de ônibus, faixas exclusivas, prioridade semafórica, redução de pontos de retenção e otimização do posicionamento dos pontos de parada;
- Políticas de desincentivo ao uso dos modos motorizados individuais: Iniciativas como redução de vagas de estacionamento, restrição de circulação em algumas áreas e em determinados dias da semana, elevação dos custos de propriedade e de insumos e custo adicional para viagens realizadas pelos modos individuais.
Entre junho e agosto, o ENMU se dedicará à elaboração do banco de projetos, que trará o detalhamento técnico e financeiro dos cerca de 200 planos estratégicos. Serão feitas estimativas de investimento, custos, receitas, benefícios e análises econômico-financeiras preliminares, de forma a orientar a prioridade de investimentos nas regiões metropolitanas.