
A alta constante no volume de carros importados continua a gerar desconforto na Anfavea. No balanço do setor assinalado em maio, a entidade que reúne as fabricantes chamou mais uma vez a atenção para o crescimento da chegada de veículos chineses.
No acumulado do ano, já são quase 190 mil carros importados, alta de 19% ante janeiro-maio de 2024. Em um mercado geral que cresceu 6% nas vendas, os veículos trazidos de fora responderam por 54% desse crescimento interanual.
“Nosso mercado sendo capturado pelos modelos importados e para nós, fabricantes ,nacionais, sempre sobe um alerta de cuidado do que está acontecendo no mercado brasileiro”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Argentina cresce, mas China também
A Argentina respondeu por 85 mil unidades, evolução de 45% na mesma base de comparação.
O que tira o sono da Anfavea é a China. De lá, vieram só este ano 58 mil carros importados. Crescimento de 36% em relação aos cinco meses do ano passado.
“O número de 190 mil equivale A produção de uma fábrica média, com geração de pelo menos cinco mil empregos”, alfinetou o executivo.
A associação das montadoras chamou a atenção que a China respondeu por 27% dessa alta nas importações. Performance melhor que a dos tradicionais parceiros argentinos, que responderam por 24% desse aumento de carros importados.
“A Argentina é um mercado de mão dupla, um dos chamados mercados complementares. A China é mão única”, comparou Igor.
Com isso, a entidade voltou a citar a volta da alíquota total de importação de importação para os veículos eletrificados.
“A Anfavea defende a alíquota de 35%. Sabemos que o mundo pratica taxas maiores. Não é que resolvem mas dão maior equilíbrio ao mercado”, reforçou o presidente da Anfavea.
Em relação a outros mercados, o México, outro tradicional parceiro comercial da indústria automotiva nacional, embarcou 12 mil unidades até agora em 2025 para o Brasil. Queda de 31%.
