
Representantes dos trabalhadores estão preocupados com os rumos da fábrica da BYD instalada em Camaçari, na Bahia, a qual ainda segue em construção e, portanto, sem atividades produtivas.
Na segunda-feira, 5, o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, Julio Bonfim, divulgou uma nota na qual a entidade expressa receios a respeito da unidade.
Segundo o texto, os trabalhadores temem que a fábrica da BYD na Bahia se torne no futuro uma espécie de centro de distribuição de peças e de veículos produzidos na China. E não localmente, como se espera.
“O que está em jogo é saber se Camaçari será, de fato, um polo industrial de produção de veículos, ou se correremos o risco de nos tornarmos apenas um centro logístico de distribuição de peças e veículos semi-montados vindos da China”, diz a nota.
BYD quer incentivos para SKD e CKD na Bahia
Bonfim contou à reportagem de Automotive Business que o sindicato observa alguns indícios de que a ideia de fábrica caia por terra em algum momento. E dê lugar a uma operação logística no local.
Dentre eles, um alto nível de automação que está programado para existir no armazém que será construído na unidade de Camaçari; uma alegada intenção da empresa de aumentar a sua frota de navios de carga como o Explorer #1 e, também, o aumento da capacidade produtiva de uma fábrica da BYD em Zhengzhou, na China, para 1 milhão de unidades/ano.
Mas nenhum deles é mais preocupante, segundo Bonfim, do que o pleito da BYD junto ao Governo Federal de redução fiscal para montagem local de kits em CKD e SKD na Bahia. Assunto que foi trazido à tona pela Anfavea, associação das montadoras com produção no país, no começo de abril.
Procurada, a BYD informou que está comprometida com a “reindustrialização de Camaçari e o desenvolvimento sustentável da região”. Também garante que, com o investimento de R$ 5,5 bilhões, a fábrica terá capacidade inicial para 150 mil veículos por ano.
“A operação terá início com a montagem dos veículos, enquanto a planta avança para a produção completa, com nacionalização progressiva dos modelos mais vendidos no Brasil. A estimativa é que sejam criados 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos ao longo do projeto, consolidando a planta baiana como o maior polo industrial da BYD fora da China”, disse a montadora, em nota.
Fábrica da BYD na Bahia palco de polêmicas
Na quarta-feira, 7, representantes do sindicato e da montadora têm reunião marcada para discutir o futuro da fábrica.
“O sindicato dos metalúrgicos continuará atuando com firmeza, cobrando transparência da empresa. Não aceitaremos que o futuro da nossa cidade seja comprometido por estratégias comerciais de importação disfarçadas de industrialização”, segue a nota.
Adquirida pela BYD em meados de 2023, a fábrica que pertencia à Ford na Bahia foi alvo recente de uma ação do Ministério Público que resgatou 160 trabalhadores na unidade que viviam em regime análogo à escravidão.
Além disso, a montadora postergou mais de uma vez a inauguração da unidade. A previsão inicial era de que as operações começariam no fim de 2024. Depois, a promessa era do início da montagem em sistema SKD até março, o que também não ocorreu.
