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Com motor híbrido, Avenger é a vingança da Jeep contra chineses

Novo SUV de entrada usa propulsor 1.0 turbo com potência reduzida e conjunto híbrido leve em todas as versões

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Fernando Miragaya

12 ago 2026

6 minutos de leitura

O nome Avenger até parece apropriado para o novo carro da Jeep no Brasil. Afinal, “vingador” pode sugerir uma vingança que a marca prepara com esse SUV de entrada produzido em Porto Real (RJ).

Vingar o quê? Que raios esse escriba quer insinuar? Explico: com o Avenger, a Jeep quer começar uma nova fase no mercado.

“O Avenger vai marcar o início de um novo momento para a Jeep”, como disse o próprio CEO da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, no lançamento do SUV.

Jeep quer escrever novo capítulo com Avenger

Na nossa leitura, o Avenger será cirúrgico para a retomada de participação de mercado da Jeep no Brasil. Ou seja, uma vingança para cima dos chineses que lhe roubaram preciosos pontos percentuais de market share nos últimos anos.

Só para contextualizar: em 2022, a Jeep fechou o ano com 7% de fatia e a sexta posição no mercado brasileiro. Até julho de 2026, a marca estava em oitavo lugar, com pouco mais de 4% de participação.

Para essa vingança, a Jeep quer usar do próprio veneno que teve de experimentar – e mirar não obrigatoriamente nos chineses. O Avenger chega em quatro versões com preços competitivos, boa lista de equipamentos e diferenciais interessantes no segmento – veja lista de itens e valores mais abaixo.

Um deles é o fato do Avenger ser o único da categoria a ter toda a linha eletrificada, com versões equipadas com sistema híbrido leve (MHEV). O Fiat Pulse só dispõe de tal diferencial em suas versões mais caras. Os demais rivais nem isso oferecem.

Motor turbo menos potente

O Jeep, a propósito, se vale do mesmo sistema híbrido leve do colega de Stellantis, com motor 1.0 turbo GSE com câmbio CVT de sete marchas virtuais da Aisin. Só que aqui o conjunto entrega 116 cv de potência, em vez dos 130/125 cv disponíveis nos demais modelos do grupo automotivo.

Uma forma de o Jeep Avenger se enquadrar nas regras tributárias, o que talvez explique seu preço atraente de iniciais R$ 114.990 (promocional para as mil primeiras unidades vendidas). Mas outros fatores contribuem para esse posicionamento competitivo.

Feito em Porto Real (RJ) e fruto de investimento de R$ 3 bilhões, o Jeep Avenger se vale de uma plataforma já usada. É uma versão simplificada da arquitetura CMP, de origem PSA, que serve à família Citroën C3 fabricada na mesma planta fluminense.

Em busca do DNA jipeiro

A Stellantis ressalta que o Jeep Avenger recebeu outros tipos de aço na carroceria, além de calibragens específicas e novos amortecedores e molas na suspensão – você lerá as impressões ao dirigir em breve aqui na AB. Tudo para manter o handling e o tal do DNA da marca.

Até porque usar uma base de Peugeot e Citroën é um prato cheio para os haters de plantão e os puristas. Porém, a marca se vale de números e do porte do Avenger para tentar colar no SUV uma aura de Jeep.

Na busca pelas origens jipeiras, o Avenger tem 22 graus de ângulo de ataque, 33,9 graus de ângulo de saída e 21 cm de vão livre do solo. Tudo em uma carroceria mais quadradinha idêntica à do modelo lançado na Europa há três anos e com 4,08 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,58 m de altura e 2,57 m de entre-eixos.

Custo-benefício em destaque

Mas é um SUV de entrada e com proposta urbana. Curiosamente, a Jeep incluiu, além de jovens em busca do primeiro carro, casais sem filhos ou famílias pequenas, idosos que não têm mais de carregar os herdeiros no veículo.

E para atrair tais perfis para o Avenger, a Jeep também lança mão de outros apelos, em forma de equipamentos ou de pós-venda. O modelo, por exemplo, é o único da categoria com cinco anos de garantia e oferece itens de assistência à condução desde a versão de entrada Altitude.

Isso inclui frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, centralizador de faixa, leitor de placas de trânsito, sensor de ponto cego e alerta de fadiga – ACC é oferecido a partir da versão Altitude com Pack High.

Toda a linha também vem com seis airbags e controle de descida em rampas. Central multimídia de 10”, quadro de instrumentos eletrônico em display de 7”, freio de estacionamento elétrico, partida do motor por botão, rodas de liga leve e faróis de LEDs também são comuns em toda a gama.

A topo de linha Limited é a única com ChatGPT embarcado, câmera 360, retrovisores rebatíveis eletricamente, painel de 10”, sensor de estacionamento dianteiro, teto solar, grade iluminada, entre outros.

Também é a única com faróis Matrix. Tecnologia com pequenos módulos de LEDs amplia o campo de visão e se adapta às condições externas. Direciona fachos para placas, reduz uma parte em casos de carros na direção oposta e direciona a iluminação no sentido das curvas ou das manobras.

Com isso, o Avenger alcança os R$ 145.990. Uma faixa de preços bem ampla que o coloca para encarar versões de entrada ou intermediárias de Pulse, VW Tera, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e Nissan Kait até SUVs como Honda WR-V.

A vingança da Jeep está pronta. Se vai iniciar um novo capítulo, só o tempo e o mercado dirão.

Versões, equipamentos e preços do Jeep Avenger

VersãoPrincipais equipamentosPreço
Avenger AltitudeConsole central premium; freio de estacionamento elétrico; seletor de terrenos; reconhecimento de placas de trânsito (TSR)R$ 114.990*
Avenger Altitude + Pack HighEquipamentos da versão Altitude + câmera de ré; barras de teto; teto pretoR$ 124.990*
Avenger LongitudeTravamento inteligente por afastamento; aviso de colisão frontal com frenagem de emergência; rodas de liga leve de 17″R$ 135.990
Avenger LimitedGrade iluminada; farol Matrix; Ambient Light; ADAS nível 2 + centralizador de faixaR$ 145.990

* Preço promocional para as primeiras 1.000 unidades da Altitude e 2.000 unidades da Altitude + Pack High.