logo

anfavea

Juros já arrefecem o ritmo de produção e vendas de caminhões

Setor anota alta de dois dígitos, mas categoria de pesados sofre impacto de fatores macroeconômicos
Author image

Fernando Miragaya

14 mar 2025

2 minutos de leitura

A Anfavea, associação que representa as fabricantes do país, preferiu a cautela ao revelar os dados de produção e vendas de caminhões. Apesar da alta de dois dígitos no segmento, o fantasma da taxa de juros segura qualquer empolgação maior do mercado.

O balanço da entidade, divulgado nesta sexta, 14, mostrou que a produção e vendas de caminhões foram positivas. No bimestre, o volume já passa das 20 mil unidades, 10,5% a mais que o mesmo recorte de 2024.

Nos licenciamentos, foram 18,4 mil unidades, alta de 10,8% em relação aos primeiros dois meses do ano passado.

Anfavea pragmática com a produção e vendas de caminhões

Mesmo assim, a Anfavea fez questão de chamar a atenção para fatores extra-campo que já começam a respingar na produção e vendas de caminhões. Entre eles, os juros.

“Já percebemos um pouco mais de sinal de lentidão em função do aumento da taxa de juros”, disse o presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite.

Eduardo Freitas, vice-presidente da Anfavea, fez coro e usou como exemplo a taxa do BNDES, que está em 16%. O executivo também destacou o aumento do preço do diesel, que tem impactado o frete.

Ele aproveitou para chama a atenção para o desempenho de caminhões do segmento de pesados. Foram 3.863 unidades de veículos desta categoria, queda de 10% em relação a fevereiro de 2024 e de 20% na comparação com janeiro desse ano. No acumulado, o recuo é de 1,4%.

“Foi esse segmento de pesados que puxou o setor de caminhões no ano passado. Esses caminhões dependem muito de financiamento e são cavalos mecânicos e não requerem implementação”, observou Eduardo.

Mercado de caminhões pode ter troca de mix

O executivo, ao mesmo tempo, apontou o segmento de médios, que mais que dobrou no bimestre, com alta de 118%, puxado especialmente por varejo, distribuição e e-commerce.

O VP da Anfavea preferiu não fazer projeções de produção e vendas de caminhões para 2025. Mas admitiu que pode haver uma mudança de qual a categoria será a protagonista para puxar o setor.

“Esse ano talvez tenha uma mudança de mix. Médios e leves estão puxando o crescimento. Essa dinâmica a gente vai ter de acompanhar como se desenvolve. Há procura por caminhões em alguns segmentos, e em outros a conta não fecha”, ponderou.

No recorte de fevereiro, a produção e venda de caminhões também se mostrou positiva. Foram 12 mil unidades fabricadas, 17,8% a mais em relação a fevereiro de 2024, e 9 mil licenciamentos, aumento de 7,1% na mesma base de comparação.